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Mostrando postagens com o rótulo Clássicos

Leatherface dança com sua companheira (O Massacre da Serra Elétrica)

O que torna um filme clássico? Uma trilha marcante, um diretor inovador, uma temática que vai além do lugar comum? E, acima de tudo, ainda permanece no imaginário do espectador? Todas as perguntas são atribuídas com louvor para O Massacre da Serra Elétrica, de Tobe Hooper. A Década de 1970 foi um marco em vários sentidos para o gênero. Filmes como O Bebê de Rosemary , O Homem de Palha, Suspíria e O Exorcista são exemplos de uma década em que o gênero ganhava força. O filme de Tobe Hooper buscou inspiração em um caso verídio dos Estados Unidos. Ed Gein foi um serial killer que matava e fazia máscaras com peles humanas. Ed também inspirou O Silêncio dos Inocentes , pois fazia roupas com as peles de mulheres que matava. Quando foi internado em um hospital psiquiátrico, os médicos suspeitavam que ele ao matar pensava que era a mãe. Outro clássico inspirado na vida real, Psicose, de Alfred Hitchcock.  O roteiro de Hooper acompanha a viagem de cinco jovens que de forma inesperada encontr...

Permanece no imaginário (Laranja Mecânica)

Sempre que tenho a oportunidade de rever o clássico Laranja Mecânica é uma nova experiência cinematográfica. Tudo é tão familiar, mas ao mesmo tempo diferenciado, o que instiga um olhar mais apurado para o banido filme de Kubrick. A adaptação da distopia de Anthony Burgges ganha vida pelo olhar particular de Stanley Kubrick . Na trama o jovem Alex é líder de uma gangue que em uma única noite é capaz de vários atos violentos. Quando a polícia consegue prendê-lo, já com dois anos na cadeia, Alex decide participar de um programa do governo para a readaptação de jovens visando o convívio social. O roteiro escrito por Kubrick ressalta a narração em off, o que aproxima ainda mais o espectador da narrativa. A psicopatia de Alex fica evidente quando o recurso é utilizado, pois justamente nos momentos mais dramáticos que o protagonista sofre por conta da "ultraviolência" do tratamento, a narração em off é utilizada em um tom sarcástico. Sabiamente o recurso surge em momentos pontuais ...

A força do clássico está nos pequenos detalhes (O Poderoso Chefão)

Don Vito Corleone é um mafioso de gestos minuciosos e aparentemente tranquilo, até na maneira cadenciada de falar, mas por dentro carrega um turbilhão de emoções, pois precisa comandar os negócios da família. No casamento da filha, o patriarca consegue manter a calma enquanto recebe "os convidados" em um escritório reservado para a troca de favores. O espectador observa como os negócios são feitos e também como a presença de Corleone impõe medo e respeito. O roteiro enfatiza o poder dos laços familiares e como Don Vito transfere o legado (ou seria fardo?) para o filho. No primeiro ato,  Francis Ford Coppola alterna momentos de tensão e confraternização familiar. É o contraste dos poderes: dos laços familiares e do nome Corleone. O roteiro explora também as personalidades dos membros da família, mas Michael é o que ganha destaque. Michael deseja um casamento tranquilo com Apolônia, mas " um recado" o faz retornar. O arco do personagem é repleto de nuances, pois ele ...

Jodie é digna de aplausos (O Silêncio dos Inocentes)

Esses dias estava participando de uma live sobre cinema e perguntei o motivo pelo qual Jodie Foster não recebia os devidos méritos pela atuação em O Silêncio dos Inocentes. O crítico prontamente respondeu:" Porque ela simplesmente divide as atenções com um dos maiores vilões do cinema". Ok, Anthony Hopkings está intenso e realmemte sentimos falta de Hannibal em cena, mas ao rever o clássico é preciso notar que Jodie também é igualmente importante para a narrativa como um todo. Na trama Clarice é uma agente do FBI que investiga o assassinato de várias mulheres. O assassino retira a pele das jovens. O roteiro instiga o espectador em núcleos distintos: a investigação policial para chegar ao suspeito e o auxilio de Hannibal proporcionando pistas para que a jovem entenda a mente do assassino. Existe uma atmosfera tensa entre os personagens que permeia toda a narrativa. Anthony e Jodie intensificam a tensão e aos poucos de forma meticulosa Hannibal apresenta ao espectador um pouco...

Um clássico imortal para o espectador (O Iluminado)

Stanley Kubrick foi um diretor visionário e extremamente versátil. Após realizar Barry Lyndon, Kubrick adaptou o terror de Stephen King, O Iluminado. Com o lançamento do filme na década de 80, o público foi surpreendido por um terror psicológico com foco na gradação da loucura de Jack Nicholson. Na trama, Jack Torrance é convidado para cuidar de um hotel enquanto fica isolado do mundo para escrever um livro. O protagonista passa meses sem contato externo e a atmosfera gélida logo começa a afetar o relacionamento com a família. Já no primeiro ato o espectador sabe que o pequeno Danny tem como companhia um amigo imaginário. Na realidade a criança possui um comportamento catatônico, o pequeno constantemente entra em transe quando é atormentado por visões sobre acontecimentos estranhos com antigos hóspedes do hotel. Ao longo dos atos o espectador acompanha a degradação emocional da família Torrance. Kubrick sempre foi conhecido por ser um diretor perfeccionista. Para que o terror ...

A riqueza dos detalhes (A Conversação)

A Conversação é um belo exemplo na sétima arte em que todos os elementos narrativos convergem para o estudo de personagem. Tudo no filme reflete o estado psicológico de Harry Caul. A edição de som, direção de arte, a direção de Francis Ford Coppola, trilha sonora, atuações, figurino e, claro, o espectador que fica envolto na angústia que percorre o protagonista entre os atos. Na trama, Gene Hackman é o melhor de sua área e um grande diretor, Robert Duvall , o contrata para vigiar um casal.  O perfeccionismo de Harry dá lugar aos diversos problemas de cunho pisocológico explorados no roteiro.  No primeiro ato o foco é o trabalho de Harry e o casal andando em círculos em uma praça como se fosse um fato corriqueiro. Com toda precisão o protagonista consegue o que necessita para concluir o trabalho: fotos comprometedoras e confissões dos amantes. O roteiro de Coppola explora o mínimo possível  para que o espectador acompanhe aos poucos alguns momentos importantes na t...

O equilíbrio perfeito entre entretenimento e conteúdo (O Rei Leão - 1994)

Hakuna Matata. É lindo dizer. Hakuna Matata. Sim, vai entender. Os seus problemas, você deve esquecer. Isso é viver. É aprender. Hakuna Matata. Quem escuta esse refrão logo se lembra de um marco na animação dos estúdios Disney e da cultura pop. O Rei Leão acompanhou gerações por vários anos quando estreou em 1994. Os estúdios deixaram de lado as princesas lucrativas e investiram em animais que cantavam em uma trama que mesclava inocência e dramaticidade. Simba é um pequeno leão que observa o comando de seu pai, Mufasa, na savana africana. O pano de fundo é o ciclo sem fim da natureza, onde tudo está conectado. A inspiração para a animação veio da dramaticidade de Hamlet, de Shakespeare, Bambi e histórias bíblicas de José e Moisés. Tanta inspiração cativou várias gerações ao longo dos anos.   A primeira cena da animação é voltada para ressaltar a liderança de Mufasa e a apresentação do pequeno e futuro rei Simba. A trilha que acompanha a apresentação do protagonist...

Um clássico eterno (12 Homens e uma Sentença)

Como instigar o interesse do público em um filme onde a trama se passa em um único cenário? A resposta para esta pergunta está nos elementos narrativos que funcionam em conjunto fazendo com que 12 Homens e uma Sentença seja um dos melhores filmes de tribunais já feitos. A trama gira em torno de um jovem porto-riquenho condenado por homicídio. Onze jurados são enfáticos e estabelecem a condenação, apenas o jurado número 8 opta pela inocência. Um voto contrário basta para estabelecer conflitos e subtramas que prendem a atenção do espectador até o desfecho do filme. Sidney Lumet foca nos atores com um olhar preciso que envolve o espectador e cria a tensão necessária no jogo em cena. Nos debates o espectador conhece um pouco mais sobre os jurados. Somente no final sabemos o nome de dois deles, o que ressalta a importância do roteiro em focar na trama central e em subtramas. A partir do momento que as provas são contestadas, o espectador conhece cada um dos jurados. As subtramas são e...

Vida longa ao psicopata mascarado (Halloween)

Um clássico do terror está de volta, com a clara intenção de conquistar novos fãs. Jason, Freddy e Michael. Três figuras emblemáticas e marcantes no imaginário do espectador. No filme de 78, o público não sabia a motivação do pequeno Michael em matar a facadas a irmã adolescente. A ausência desse aspecto no roteiro de John Carpenter não prejudicou a trama, pois o que realmente importava no clássico era a atmosfera que surgia em cada cena. Quarenta anos após o lançamento, o diretor David Gordon Green propõe ao público um retorno ao passado e busca referências importantes no clássico para dar continuidade a trama de Laurie e Michael. Halloween tenta revisitar a atmosfera de 78 e consegue com grande êxito.  A trama foca na personagem de Jamie Lee Curtis que ficou traumatizada e obcecada pela segurança da pequena Karen. Aos oito anos, a pequena garotinha no lugar das bonecas "brincava" de atirar e lutar. A justificativa de Laurie era a segurança da filha. A mãe perde a gu...

A alma do ser humano nas telas (Era uma vez em Tóquio)

Yasujirô Ozu. Conhecido pelos espectadores e especialistas da sétima arte como mestre Ozu. Três palavras apenas que transbordam sensibilidade na tela. O diretor japonês imprimi sua autoria marcante em toda filmografia. Extremamente significativa, as tramas de Ozu são o reflexo de intensos dilemas universais familiares. Após assistir a cópia remasterizada de Era Uma Vez Em Tóquio, alguns aspectos característicos do diretor ficam mais evidentes. A razão de aspecto 4x3, distante dos filmes atuais, nos proporciona uma sensação diferenciada ao explorar a mise en-scène presente no clássico. A sensação de cenários pequenos e a pouca movimentação envolvem ainda mais o espectador na trama. Falar de Ozu é se encantar pela cultura japonesa e a forma diferenciada de atuação presente no clássico. Grande parte das cenas são voltadas para o cotidiano das refeições familiares. Na trama, um casal de idosos decide visitar os filhos em Tóquio. Mas os filhos extremamente ocupados com a vida corrida...

Entre pistas e recompensas (O Bebê de Rosemary)

Revisitar um clássico. Algumas cenas causam impacto diferenciado. Atualmente, o espectador é imerso em todos os detalhes e a tensão criada na trama torna-se previsível. Após rever O Bebê de Rosemary, a sutileza ao explorar a atmosfera envolvente sem expor o roteiro repleto pistas e recompensas dentro do gênero, o faz ser um clássico relevante na sétima arte por várias décadas. A atmosfera cotidiana presente no primeiro ato conduz o espectador a permanecer inserido na trama. O trabalho competente de todo o elenco eleva a tensão gradativamente. Mia Farrow transparece o ar inocente, tanto no figurino, com destaque para cores claras e estampas florais, quanto no cabelo preso. John Cassavetes inspira no espectador a sensação de uma linha tênue entre melancolia e tensão reprimida. O destaque fica por conta do solícito casal de vizinhos interpretados por Ruth Gordon e Sidney Blackmer.  Ambos são a alma do clássico, os atores exploram a inconveniência dos personagens ao mesmo tem...

Uma experiência única dentro de uma obra prima atemporal (2001- Uma Odisséia no Espaço)

Existem filmes que merecem ser revistos de tempos em tempos e se possível nos cinemas para que a experiência seja completa. Minha relação com o Clássico, 2001- Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, não foi tão impactante. Estava com meus quinze anos e ao final do filme, eu tinha somente uma única impressão: de ter visto algo realmente inusitado. Comecei a ler muito sobre o filme e o alvoroço causado na época em que foi lançado. Kubrick não fazia filmes, como perfeccionista nato, ele conseguia realizar obras primas e com 2001 não foi diferente.  Com os serviços de streaming, eu teria a oportunidade de rever o Clássico em casa, mas quando soube que o filme passaria nos cinemas, não tive dúvidas: precisava vivenciar cada cena na tela grande. Foi no dia trinta de maio, às vinte horas, em uma sala maior do que o esperado. Quando o tema de abertura tocou e o filme começou, não pude conter a emoção em realizar o sonho de quase todo cinéfilo e os olhos ficaram marejados...

Um filme que tenta resgatar a nostalgia do clássico ( A Bela e a Fera - 2017)

A questão era delicada e exigia muito esmero. Como ser fiel ao clássico A Bela e a Fera dos estúdios Disney e realizar um remake live-action da animação? Após assistir Mogli - O Menino Lobo, que levou o Oscar de efeitos visuais este ano, não tive dúvidas que o estúdio teria o cuidado necessário para realizar a transformação sem prejudicar a aura da animação. Infelizmente, o que temos é um filme de altos e baixos que explora novos aspectos sem preservar a atmosfera do clássico. No primeiro ato do filme conhecemos um pouco mais de Bela, uma jovem diferente das demais que aprecia a leitura e é rotulada pelos moradores da pequena aldeia francesa como estranha, apenas por querer explorar outros mundos ao mergulhar seus pensamentos nos livros. Gastão deseja casar-se com a jovem, ele está longe de ser o pretendente que Bela almeja para ter uma família. Também somos apresentados ao pai protetor da jovem, Maurice. No momento em que deixa a aldeia para caçar, o personagem é atacado po...

Dietrich estava certa ao afirmar : "Ele era um homem extraordinário."

Após mais de uma década do marcante filme Cidadão Kane, o diretor Orson Welles, lançava A Marca da Maldade. Disponível na Netflix, o filme completará meio século em 2018, mas ainda trás consigo muitas características que são influências até hoje para o cinema americano tão carente de criatividade.  A história gira em torno da dupla de policiais Ramon Miguel Vargas e Hank Quinlan. Um carro explode e o personagem de Charlton Heston decide investigar o que mais adiante será uma trama repleta de reviravoltas, sempre com a presença do detetive interpretador por Orson Welles. Além da trama muito bem conduzida pelo visionário diretor, o espectador pode observar vários elementos pertencentes ao movimento Film Noir que começou em 1941, com o filme Relíquia Macabra. Todos os elementos característicos do movimento estão presentes em A Marca da Maldade. Um deles acompanha os personagens durante uma hora e meia de filme: a fotografia escura. Esse elemento acrescenta à trama o suspen...

No lugar da caneta, a pipoca!!!

Instigada pelo meu irmão, Paulo de Tarso, que me chamou literalmente de chata por escrever sobre filmes visando achar algo ruim neles, certa vez, ele indagou: " Todos os textos que leio, você sempre coloca um mas. Você é uma espectadora? Tudo bem, você é crítica, mas espectadora tem um bom tempo que você não é." Após refletir sobre o que foi mencionado, eu pensei que ele tem uma parcela de razão. Faz muito tempo que não assisto um filme sem escrever sobre ele. Meu olhar realmente é diferenciado, não só porque já fiz alguns cursos sobre história do cinema e críticas, mas também porque desde pequenina, já com meus oito anos de idade, eu sabia que não veria mais os filmes com o mesmo olhar. Como todo domingo faço minha crítica de um filme presente no acervo do Netflix, hoje resolvi voltar ao passado, mais exatamente no ano de 1990, que vivi a minha experiência tão marcante com o cinema e ser espectadora novamente. Eu tentei. Foi quase impossível. Confesso que cai em ...