Pular para o conteúdo principal

Postagens

Cópia ou Homenagem? (Um clássico filme de terror)

Realizar um filme que pretende homenagear alguns clássicos do terror e proporcionar ao espectador um plot twist, no mínimo, questionável. Essa é a premissa de Um Clássico Filme de Terror que explora ao máximo pontos que já foram revisitados do gênero. Um grupo de jovens perdidos em uma "floresta" à mercê de uma seita que "recruta" vítimas para sacrifícios mortais. Já na sinopse podemos identificar três referências: O clássico, O Homem de Palha (1973), Midsommar (2019), que claramente buscou inspiração no primeiro e O Massacre da Serra Elétrica (1974), ou seja, um ciclo sem fim de homenagens que nos guiará...ops, O Rei Leão. Ari Aster  intensificou pontos explorados no clássico, porém, a autoria move a narrativa como um todo. Já Roberto de Feo e Paolo Strippoli tentam proporcionar ao longa uma roupagem conhecida dos fãs do gênero, porém, com um pé, ou melhor, o corpo todo no deboche. O que nos faz refletir sobre a importância das homenagens e como explorá-las sem tra...

O clássico da sessão da tarde (Dirty Dancing)

Quando assiti ao filme Dirty Dancing pela primeira vez eu era pura empolgação única e exclusivamente pela trilha sonora. O longa possui um trilha certeira que embala o romance dos protagonistas. O elemento narrativo é focado em três vertentes: o núcleo de dança onde os funcionários do resort ficam depois de trabalharam durante o dia, outra para embalar o romance do casal de protagonista e uma trilha especialmente selecionada para os conflitos dos coadjuvantes com Baby. Músicas que marcaram a década de 1980 e que impulsionaram o público para conferir a narrativa. Músicas como Time of My Life, Be My Baby, Hungrey Eyes embalaram não somente Baby e Johnny, como também o espectador que poderia não dar a devida importância para as temáticas relevantes que o roteiro explorava. Meu primeiro contato com o longa foi exatamente com esse propósito: aproveitar a trilha. Porém, ao rever com maturidade é inevitável destacar que Dirty Dancing proporciona simplicidade e leveza ao mesmo tempo em que abo...

Refém da autoria (Duna)

Com A Chegada e Blade Runner 2049 , Denis Villeneuve surgia como forte candidato para dirigir Duna. Ao realizar filmes do gênero ficção científica, o diretor foi a escolha da Warner para adaptar o livro de Frank Herbert. Mas será que a escolha foi apropriada? Sim e Não. A Warner é conhecida por proporcionar liberdade para os diretores e em Duna a autoria de Villeneuve está em cada cena. O que é ótimo para quem é familiarizado com o peso da atmosfera criada pelo diretor. O lado positivo é termos um diretor autoral em um filme comercial. E o lado negativo é justamente a autoria que pode afastar boa parte do espectador podendo não sair do primeiro projeto. Infelizmente, cinema é um produto, se esse não gerar lucro, a sequência não ganha vida. Adaptar Duna é extremamente complexo pela quantidade de personagens e todo o universo criado por Herbert. Villeneuve também é roteirista, o que demonstra o cuidado que o diretor teve com o filme como um todo. Domínio não somente na direção como na es...

Subtramas que enfraquecem os personagens (Convidado de Honra)

Convidado de Honra foca em Jim, um inspetor de alimentos, que vive atormentado pela atitude drástica da filha Veronica, uma professora de música, presa por assédio sexual. Enquanto o roteiro explora a personalidade metódica de Jim em cada inspeção, em paralelo, com o auxílio de flashbacks, o espectador conhece o passado traumático de Veronica. O pai tenta provar a inocência da filha, ao mesmo tempo que ela afirma ser culpada. O roteiro fica extremamente confuso para o espectador, pois o recurso de flashback ao invés de oritentá-lo acaba prejudicando a narrativa. Veronica está em liberdade e precisa organizar o funeral do pai. Ao conversar com o padre Greg sobre os preparativos, o passado de pai e filha vem à tona. Entre um diálogo e outro o espectador observa como a mente de uma criança pode imaginar alguns fatos podendo transmitir a sensação de conveniência nas ações dos personagens. Toda a subtrama de Lenny é de fundamental importância, porém é explorada de forma apressada justamente...

Você consegue viver sozinho? (Sob as Escadas de Paris)

Você conseguiria viver sozinho? Christine aparentemente consegue, até que Suli, um garoto de oito anos, surge no local onde a protagonista mora. Ela mora embaixo das escadas de uma ponte em Paris. Durante o dia, vive da ajuda de estranhos e de programas assistenciais, de noite, tenta sobreviver ao frio tendo como companhia a leitura de uma revista que achou no lixo. Quando Suli surge causa inquietação porque a solidão era a zona de conforto de Christine. Agora são dois lutando pela sobrevivência. Aos poucos a relação materna é estabelecida com o objetivo principal: achar a verdadeira mãe do garoto. O roteiro foca nos protagonistas baseado exclusivamente no afeto até porque Suli não fala francês. O afeto em pequenos gestos como comprar um caleidoscópio e roupas novas. O instinto materno fala mais alto para Christine que vende um bem repleto de lembranças do passado para ajudar alguém que até pouco tempo era um estranho.  A relação de Suli e Christine pertence à ficção, porém, uma su...

Excesso que prejudica o todo (Jack: O Estripador - A História Não Contada)

Jack: O Estripador - A História Não Contada aborda a temática dos assassinatos de várias mulheres prostitutas em Whitechapel, Londres. O ano é 1888 e as investigações avançam de forma lenta à medida que as mortes surgem aterrorizando a população local. O inspetor Reid conta com a ajuda do médico legista Locque para solucionar os casos. As mortes são semelhantes, com cortes profundos, de quem realmente entende sobre anatomia humana. Elizabeth é a esposa de Locque e não compreende como o marido se entregou ao alcoolismo, apesar de seus esforços para mantê-lo por perto. O roteiro de Steve Lawson transita entre as investigações, corrupções, sensacionalismo jornalístico, traições de Locque e uma subtrama com o viés negativo. A introdução de alguns personagens em subtramas paralelas instiga, mas ao mesmo tempo não ganha força suficiente para manter-se e cativar o público. Um momento primordial para a compreensão dos conflitos internos de Locque cansa o espectador pelos flashbacks repetitivos...

O preço da verdade (348 Dias)

O longa 438 Dias aborda o drama dos jornalistas, Martin Schibbye e Johan Persson, que entraram ilegalmente na Etiópia, para constatar o que a população local sofria por conta da exploração petrolífera. Após serem capturados e julgados, ambos recebem a sentença de onze anos de prisão. Começa uma luta contra o tempo para que os protagonistas sejam absolvidos e retornem para a Suécia. O roteiro de Peter Birro destaca os conflitos internos dos jornalistas pelo princípio fundamental da profissão: a busca pela verdade. No decorrer do julgamento vídeos são adulterados, áudios inseridos e testemunhas mentem para que ambos sejam condenados. Uma subtrama é explorada com pouco afinco na tentativa de evidenciar ainda mais o drama dos personagens. A mulher de Martin e os pais de Johan entram na trama somente como vínculo afetivo e prolongam o ritmo da narrativa, apesar de Linnéa ser peça chave para reverter a situação, o roteiro não explora devidamente a personagem. A atmosfera de tensão é quebrada...