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O silêncio de uma alma inquieta (Um Estranho no Ninho)

Vencedor de cinco Oscars nas categorias principais Um Estranho no Ninho é um filme de atmosfera e atuações. Randle é um prisioneiro visando burlar os serviços prestados que finge ter problemas mentais e é internado em uma clínica psiquiátrica. Logo nas primeiras cenas Jack Nicholson toma o protagonista para si e envolve completamente o espectador no jogo de sanidade e loucura de Randle. O Estranho do título reverbera durante toda a narrativa na interpretação de Nicholson. É interessante perceber que a aparente tranquilidade local é quebrada pelo temperamento do protagonista. As ações dos personagens estão relacionadas diretamente com as atitudes de Randle ao proporcionar a quebra da rotina do hospital. Jack eleva o tom de voz e intensifica fisicamente o protagonista. Não é à toa que os pacientes ganham vida com a presença do ator. Jack instiga os demais personagens para não somente viver intensamente, como também a questionar as regras impostas pela enfermeira Mildred. Um dos aspe...

Entre a loucura e a sanidade (Charlie Says)

Sempre que serial killers são retratados na tela grande a polêmica sobre proporcionar holofotes aos assassinos vem à tona, porém em Charlie Says o olhar é diferenciado. A trama foca em três personagens femininas, as seguidoras de Charlie Manson, e como o olhar feminino de Marry Harron na direção transforma a temática. Claro que Manson possui evidência, o personagem é o exemplo perfeito de como um coadjuvante movimenta a trama, porém o filme é todo feminino e quem ganha com esse enfoque é o espectador. As mulheres moram no rancho e o idolatram com uma cegueira inexplicável. O filme não tenta justificar nenhum ato extremo do grupo, o trunfo de Charlie Says está em explorar a transformação das personagens e como a psicopatia de uma pessoa pode influenciar no comportamento de todos ao seu redor.  O roteiro toca em temáticas conhecidas do espectador para desenvolver o arco das personagens. Faz-se necessário ressaltar a loucura de Manson e como a cabeça de um psicopata funciona. ...

Seguindo a cartilha de Arnold (Aprendiz de Espiã)

Se durante os anos 80 Arnold Schwarzenegger  era o astro em ascensão dos filmes de ação, o ator também explorou outra vertente na comédia Um Tira no Jardim de Infância, que foi um clássico da sessão da tarde e mostrou ao público uma cartilha voltada para os atores fortões. Todo ator que se encaixava no estereótipo precisa ter um filme infantil para chamar de seu. Em Aprendiz de Espiã Dave segue a cartilha e faz um filme de ação com temática próxima ao de Arnold. Dave Bautista é um agente da CIA que recebe a missão de monitorar os passos da família de Shopie. O pai da garotinha tinha envolvimento com terroristas e após ele morrer quem fica no lugar é o tio. O tio persegue a família da protagonista e Dave precisa protegê-la. Durante os atos a proteção transforma-se em zelo e afeto. Dave segue a cartilha, porém o ator se destaca pela versatilidade. Na filmografia de Bautista predominam filmes voltados para o gênero, mas também existem personagens diversificados com diretores...

Cansaço e ruídos (Bloodshot)

É preciso cautela ao adaptar histórias em quadrinhos para o cinema. O que pode ser considerado um gênero cinematográfico ganha as telas com o novo projeto de Vin Diesel como protagonista. O ator já está inserido neste cenário com o universo compartilhado da Marvel, porém em Bloodshot o astro de ação tem uma provável franquia nas mãos. A fórmula Velozes e Furiosos parece um tanto quanto desgastada e um novo projeto pode ser o respiro na carreira do ator. Marvel fornece ao espectador uma zona de conforto e para Vin protagonizar e ter o nome vinculado a um novo projeto desperta o interesse do público que acompanha o gênero. O filme é a adaptação do quadrinho best-seller de 1992, escrito por Kevin VanHook, Don Perlin e Bob Layton. Se foi sucesso em uma mídia porque não tentar em outra? O problema fica realmente na adaptação, o choque entre as linguagens é sentido a todo o momento pelo espectador. Vin Diesel é um soldado que após ser morto é transformado em uma verdadeira máquina...

Sobre conveniências e a péssima dublagem (A Maldição do Espelho)

Parece que existe uma cota financeira dos estúdios para investir em filmes de terror adolescente. Na Rússia não seria diferente e eis que chega aos cinemas A Maldição do Espelho. No filme podemos destacar um conceito importante na crítica cinematográfica: a conveniência. O conceito surge em determinado momento na trama para simplesmente movimenta-la desconsiderando o cuidado e desenvolvimento dos personagens. Após esclarecer o que significa conveniência dentro do roteiro podemos seguir adiante com a crítica. O primeiro ato proporciona ao espectador um comecinho de trama ligeiro, e quando eu falo ligeiro é ligeiro mesmo. Com cinco minutos, ou menos, o público é situado no trauma dos irmãos. O luto os afasta e os protagonistas ficam em uma espécie de internato escolar. O roteiro foca na apresentação de estereótipos. O nerd, o rico, a sexy e a amiga gorda que só possui cenas comendo. Quando o irmão caçula de Olya é guiado pelo fantasma da mãe, todos o procuram e o grupo acaba acha...

O espectador possui a resposta (Uma vida oculta)

De tempos em tempos diretores autorais abordam temáticas voltadas para a Segunda Guerra Mundial. Foi assim com Spielberg, no tocante drama A Lista de Schindler. Já Tarantino incendiou um cinema com uma plateia repleta de nazistas, incluindo Adolf Hitler, em Bastárdos Inglórios. Recentemente, Waititi apresentou o pequeno protagonista Jojo com um humor peculiar. E, agora, Malick aborda o tema de uma forma terna e poética. Em Uma Vida Oculta, a harmonia é a protagonista, porém tudo ganha um viés diferenciado quando Franz é recrutado para se alistar nas tropas nazistas. Após a recusa, o protagonista é condenado por trair a pátria. O foco de Malick é o estudo de personagem de Franz. O diretor sabiamente explora ao máximo no primeiro ato a relação afetiva do casal para, posteriormente, gerar o conflito entre ambos. O roteiro instiga a reflexão do público ressaltando o cunho filosófico e religioso. Não é à toa que o diretor traça um paralelo entre o protagonista e o martírio de Jesu...

Certeiro na emoção do espectador (Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica)

Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica foca em uma temática universal : a tentativa de superar o luto. O jovem elfo Ian faz dezesseis anos e como presente de aniversário ganha uma espécie de cajado com poderes mágicos. O objeto pode trazer o pai de volta por um dia. Como o protagonista perdeu o pai bem pequenino, Ian quase não possui lembranças dele. A jornada do título é a trajetória dos irmãos para desvendarem algumas pistas e conseguirem rever o pai. Ian é tímido e sempre se sabota. Barley é o irmão mais velho que sabe tudo de magia, mas como a intenção do pai é a união dos irmãos, Ian precisa da ajuda de Barley para concluir a jornada de auto conhecimento. Existe uma química que funciona entre a dupla Tom Holland e Chris Pratt. A energia e empolgação no timbre de voz dos atores contribuem para que a animação não perca o ritmo. Se por um lado essa empolgação mantém a imersão do espectador, por outro lado o timbre de ambos é muito próximo. Em vários momentos o público não conseg...