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Sobre conveniências e a péssima dublagem (A Maldição do Espelho)


Parece que existe uma cota financeira dos estúdios para investir em filmes de terror adolescente. Na Rússia não seria diferente e eis que chega aos cinemas A Maldição do Espelho. No filme podemos destacar um conceito importante na crítica cinematográfica: a conveniência. O conceito surge em determinado momento na trama para simplesmente movimenta-la desconsiderando o cuidado e desenvolvimento dos personagens. Após esclarecer o que significa conveniência dentro do roteiro podemos seguir adiante com a crítica. O primeiro ato proporciona ao espectador um comecinho de trama ligeiro, e quando eu falo ligeiro é ligeiro mesmo. Com cinco minutos, ou menos, o público é situado no trauma dos irmãos. O luto os afasta e os protagonistas ficam em uma espécie de internato escolar.

O roteiro foca na apresentação de estereótipos. O nerd, o rico, a sexy e a amiga gorda que só possui cenas comendo. Quando o irmão caçula de Olya é guiado pelo fantasma da mãe, todos o procuram e o grupo acaba achando um local assustador. O nerd os alerta sobre a maldição de uma mulher presa no espelho, ela atende o desejo de cada um de forma peculiar e violenta. O arco dos personagens é pouco desenvolvido e as mortes logo surgem na trama. Existe somente a tentativa de criar uma atmosfera tensa para pender o espectador. A tentativa é quebrada para dar lugar ao susto previsível. As conveniências são sentidas em personagens que desaparecem e surgem somente para movimentar a trama. É o caso específico do professor que acorda no momento exato para ajudar os alunos. Fora os momentos em que a mãe é explorada para movimentar o arco do pequeno Aryton. É ainda tem a diretora que possui certo mistério que nunca é explorado devidamente. 


O diretor Aleksandr Domogarov tenta criar movimentos de câmera diferenciados para cada morte do grupo, mas a tentativa é frustrada ao explorar uma trilha sonora intensa ao mesmo tempo em que o diretor apressa as cenas de morte. Porém, nem tudo está perdido em A Maldição do Espelho. O destaque fica por conta da direção de arte que explora ao máximo os detalhes de cada cômodo da escola. Este elemento consegue criar de forma competente a atmosfera de tensão que o filme exige. Podemos destacar também a fotografia que diferencia os momentos em que os personagens entram no espelho. Agora, o que provoca o distanciamento constante do espectador é péssimo trabalho realizado pela dublagem americana. A falta de sincronia entre as falas e o movimento das bocas dos personagens é terrível. Não existe o mínimo de respeito com a interpretação dos atores, sem falar na correria entre um diálogo e outro. Não é à toa que a dublagem brasileira está entre as melhores do mundo. Entre conveniências e o péssimo trabalho da dublagem o espectador assiste a mais um filme de terror adolescente que preenche a cota dos estúdios. 

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