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Eu tive os trapalhões (O Amor dá Trabalho)

Quando era novinha, no auge dos meus sete anos, não consegui segurar minha emoção: fui pela primeira vez ao cinema e vi Os Trabalhões na Terra dos Monstros. Claro que a experiência foi inesquecível e me recordo até hoje da sensação de ver o quarteto que acompanhava na televisão ganhando as telas. Lembro que fiquei espantada em constatar que não conhecia somente Os Trabalhões, mas alguns artistas que eram coadjuvantes. Não precisava necessariamente ter registro profissional para participar do filme do quarteto que marcou gerações. O pré-requisito era ser famoso. Enfim, o tempo passou, mas a fórmula continuou firme e forte na persona de Leandro Hassum. Assim como no filme dos Trabalhões, o foco sempre foi a imagem cômica do quarteto, em O Amor dá Trabalho, o foco é Hassum. Na trama Anselmo sofre um acidente no trabalho e faz uma parada estratégica no pulgatório. Para não queimar no inferno, ele precisa realizar uma tarefa de quinhentos pontos e conseguir passar na avaliação de to...

A riqueza dos detalhes (A Conversação)

A Conversação é um belo exemplo na sétima arte em que todos os elementos narrativos convergem para o estudo de personagem. Tudo no filme reflete o estado psicológico de Harry Caul. A edição de som, direção de arte, a direção de Francis Ford Coppola, trilha sonora, atuações, figurino e, claro, o espectador que fica envolto na angústia que percorre o protagonista entre os atos. Na trama, Gene Hackman é o melhor de sua área e um grande diretor, Robert Duvall , o contrata para vigiar um casal.  O perfeccionismo de Harry dá lugar aos diversos problemas de cunho pisocológico explorados no roteiro.  No primeiro ato o foco é o trabalho de Harry e o casal andando em círculos em uma praça como se fosse um fato corriqueiro. Com toda precisão o protagonista consegue o que necessita para concluir o trabalho: fotos comprometedoras e confissões dos amantes. O roteiro de Coppola explora o mínimo possível  para que o espectador acompanhe aos poucos alguns momentos importantes na t...

Um filme que fascina o espectador (Era uma Vez em...Hollywood)

Era uma Vez em ... Hollywood é Tarantino em todos os detalhes. A assinatura percorre a narrativa a cada cena fazendo o espectador exclamar em vários momentos: " Estou vendo um filme do Tarantino." Tudo remete a autoria do diretor. A trilha sonora que impulsiona as cenas, os diálogos intermináveis que possuem desfechos constrangedores para os personagens envolvidos, o requinte da direção de arte, o domínio ao explorar a persona de cada personagem e a diversão quando se tem o domínio da direção. Tudo que fez de Tarantino ser Tarantino. O exagero na violência sempre esteve presente, mas em Era uma vez em...Hollywood, a violência exagerada tão característica dá espaço para demais exageros do diretor e é neste aspecto que o filme peca. A trama é ambientada na década de 60, por essa razão quase todas as cenas são voltadas para o trabalho impecável da direção de arte. Basicamente tudo que o espectador observa em cena enriquece a trama pelo poder do elemento narrativo. Desde ...

A voz marcante da música brasileira (Simonal)

O cinema possui momentos onde surfa crista da onda, ou seja, rendeu bilheteria, os estúdios investem na fórmula para fazer a roda girar. A crista da vez são as cinebiografias de bandas e cantores. A Globo Filmes investe em gêneros diversificados e para seguir a onda momentânea apostou em mais uma cinebiografia de um cantor nacional. A produtora aposta em filmes que posteriormente viram séries na tv aberta. O artista escolhido foi Wilson Simonal, um cantor com o timbre único e personalidade marcante. O filme foca na vida pessoal e profissional de Simonal e explora um olhar conturbado sobre os acontecimentos voltados na época da ditadura militar. Simonal era vocalista de uma banda que foi descoberto por um produtor musical interpretado por Leando Hassum, que não consegue explorar personagens sem possuir o viés caricato. A luz de Simonal é tamanha que outros empresários o observam e não demora muito para que o cantor chegue ao seu apogeu. O destaque do elenco é Fabrício Boliveira,...

Uma provável franquia (Histórias Assustadoras para Contar no Escuro)

Um grupo de amigos que reforça todos os estereótipos possíveis, a curiosidade que destaca os laços da amizade, uma lenda sobre uma casa assombrada e desaparecimentos constantes. Histórias Assustadoras para Contar no Escuro apresenta uma trama previsível repleta de referências à filmes  e séries lançadas recentemente como It: A Coisa e Stranger Things. É a velha cartilha de Hollywood: se deu bilheteria em um estúdio à tendência é repetir a dose. Apesar dos elementos e trama repetitivos, sempre vale a pena assistir novos atores surgindo e diretores principiantes com vontade de mostrar trabalho. É o que acontece neste filme produzido e roteirizado por Guilhermo Del Toro . Nada de muito inovador no gênero, o jumpscare reina, porém com o olhar criativo da direção e uma nova geração afiada, o filme ganha o envolvimento do espectador.  O roteiro gira em torno de um grupo de amigos excluídos que finalmente tomam coragem para enfrentarem os garotos mais valentes. Assustados, o ...

Visando fins lucrativos (Velozes e Furiosos: Hobbs e Shaw)

A dupla já trocava farpas em Velozes e Furiosos 7 e o estúdio decidiu lucrar separadamente com os astros em um spin-off. Eis que surge Velozes e Furiosos: Hobbs e Shaw que resgata a aura dos filmes de ação onde os protagonistas são completamente antagônicos. Luke Hobbs é todo largadão, mister simpatia, pai atencioso e que não tem aquele carrão do ano. Já Deckard Shaw é todo alinhado, pura sofisticação, quase não sorri e tem um senhor carro. Foi o que bastou para dar o start e lucrar mais com os personagens conhecidos do público. Personalidades distintas, muita ação, a mocinha em perigo, um toque familiar para trabalhar o arco dos personagens e um vilão com porte de vilão.  Temos mais um filme de ação com o simples propósito de entreter. No primeiro ato a dupla está em sintonia com o núcleo familiar. Hobbs é um pai zeloso que toma café da manhã com a filha. Ela precisa fazer uma árvore genealógica para a escola e não tem muitos nomes para preencher. Enquanto um protagonista ...

As diferentes prisões dos personagens (Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal)

Ted Bundy ficou conhecido em sete estados norte-americanos por matar trinta jovens, em sua maioria, universitárias. Autoridades afirmavam na época que o número de vítimas pode seria maior. Por longos anos o serial killer alegou inocência, mesmo após escutar o veredito pela sentença de morte. O filme de Joe Berlinger foca principalmente na persona de Ted e na repercussão do julgamento. O julgamento foi televisionado e ajudou a criar uma aura de glamorização em torno do assassino. Ted morreu eletrocutado em 89 e dizem as más línguas que partiu sorrindo.   A escolha do elenco de coadjuvantes faz a trama ficar interessante e envolvente. Uma ponta de James Hetfield como policial que captura Ted no primeiro ato, Haley Joel Osmet que cresce durante o filme como interesse amoroso de Liz, John Malkovich como juiz que proporciona os melhores momentos no terceiro ato equilibrando drama e comédia, Lily Collins divide o protagonismo de forma competente com Zac Efron entregue de for...