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A voz marcante da música brasileira (Simonal)

O cinema possui momentos onde surfa crista da onda, ou seja, rendeu bilheteria, os estúdios investem na fórmula para fazer a roda girar. A crista da vez são as cinebiografias de bandas e cantores. A Globo Filmes investe em gêneros diversificados e para seguir a onda momentânea apostou em mais uma cinebiografia de um cantor nacional. A produtora aposta em filmes que posteriormente viram séries na tv aberta. O artista escolhido foi Wilson Simonal, um cantor com o timbre único e personalidade marcante. O filme foca na vida pessoal e profissional de Simonal e explora um olhar conturbado sobre os acontecimentos voltados na época da ditadura militar. Simonal era vocalista de uma banda que foi descoberto por um produtor musical interpretado por Leando Hassum, que não consegue explorar personagens sem possuir o viés caricato. A luz de Simonal é tamanha que outros empresários o observam e não demora muito para que o cantor chegue ao seu apogeu. O destaque do elenco é Fabrício Boliveira,...

Uma provável franquia (Histórias Assustadoras para Contar no Escuro)

Um grupo de amigos que reforça todos os estereótipos possíveis, a curiosidade que destaca os laços da amizade, uma lenda sobre uma casa assombrada e desaparecimentos constantes. Histórias Assustadoras para Contar no Escuro apresenta uma trama previsível repleta de referências à filmes  e séries lançadas recentemente como It: A Coisa e Stranger Things. É a velha cartilha de Hollywood: se deu bilheteria em um estúdio à tendência é repetir a dose. Apesar dos elementos e trama repetitivos, sempre vale a pena assistir novos atores surgindo e diretores principiantes com vontade de mostrar trabalho. É o que acontece neste filme produzido e roteirizado por Guilhermo Del Toro . Nada de muito inovador no gênero, o jumpscare reina, porém com o olhar criativo da direção e uma nova geração afiada, o filme ganha o envolvimento do espectador.  O roteiro gira em torno de um grupo de amigos excluídos que finalmente tomam coragem para enfrentarem os garotos mais valentes. Assustados, o ...

Visando fins lucrativos (Velozes e Furiosos: Hobbs e Shaw)

A dupla já trocava farpas em Velozes e Furiosos 7 e o estúdio decidiu lucrar separadamente com os astros em um spin-off. Eis que surge Velozes e Furiosos: Hobbs e Shaw que resgata a aura dos filmes de ação onde os protagonistas são completamente antagônicos. Luke Hobbs é todo largadão, mister simpatia, pai atencioso e que não tem aquele carrão do ano. Já Deckard Shaw é todo alinhado, pura sofisticação, quase não sorri e tem um senhor carro. Foi o que bastou para dar o start e lucrar mais com os personagens conhecidos do público. Personalidades distintas, muita ação, a mocinha em perigo, um toque familiar para trabalhar o arco dos personagens e um vilão com porte de vilão.  Temos mais um filme de ação com o simples propósito de entreter. No primeiro ato a dupla está em sintonia com o núcleo familiar. Hobbs é um pai zeloso que toma café da manhã com a filha. Ela precisa fazer uma árvore genealógica para a escola e não tem muitos nomes para preencher. Enquanto um protagonista ...

As diferentes prisões dos personagens (Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal)

Ted Bundy ficou conhecido em sete estados norte-americanos por matar trinta jovens, em sua maioria, universitárias. Autoridades afirmavam na época que o número de vítimas pode seria maior. Por longos anos o serial killer alegou inocência, mesmo após escutar o veredito pela sentença de morte. O filme de Joe Berlinger foca principalmente na persona de Ted e na repercussão do julgamento. O julgamento foi televisionado e ajudou a criar uma aura de glamorização em torno do assassino. Ted morreu eletrocutado em 89 e dizem as más línguas que partiu sorrindo.   A escolha do elenco de coadjuvantes faz a trama ficar interessante e envolvente. Uma ponta de James Hetfield como policial que captura Ted no primeiro ato, Haley Joel Osmet que cresce durante o filme como interesse amoroso de Liz, John Malkovich como juiz que proporciona os melhores momentos no terceiro ato equilibrando drama e comédia, Lily Collins divide o protagonismo de forma competente com Zac Efron entregue de for...

Um misto de violência e a humanidade (O Bar Luva Dourada)

O Bar Luva Dourada é um filme que reflete a apatia e o caos de uma geração que vivencia os traumas do pós- guerra em Hamburgo, na Alemanha. A trama gira em torno de Fritz Honka, um serial killer que estupra e esquarteja ex- prostitutas frequentadoras do Bar Luva Dourada. À medida que a trama avança, o espectador se sente atraído não somente pela violência explícita na tela, mas também pelas figuras peculiares que passam boa parte do dia e noite bebendo na companhia do protagonista. O sentimento de estranhamento e repulsação são aliados do espectador. A todo o momento o diretor reforça esses sentimentos seja pelo ato violento do protagonista ou pela forma excêntrica que Fritz vivencia a sua rotina. A falta de perspectiva, a psicopatia e o alcoolismo são temáticas abordadas e que causam certa empatia no espectador pela busca da humanidade presente no protagonista.  A cena de abertura é repleta de perversidade e demonstra perfeitamente o domínimo de Fatih Akin na direção. Inte...

"Dai a césar o que é de césar" (O Rei Leão - 2019)

Uma das claras inspirações de O Rei Leão de 1994 é bíblica. Verdade seja dita, a animação tem um pouquinho de tudo: Kimba, anime de um leãozinho branco, Hamlet, de Shakespeare e Moisés e José, inspirações do livro sagrado. Vale resgatar então uma citação bíblica: "Dai a César, o que é de César". A citação é válida porque apesar dos grandiosos equívocos do "live- action", o filme de 2019 possui acertos e pode agradar o público infantil que não conhecia a animação de 94.  A essência é a mesma. Está tudo lá. A inveja e o rancor de Scar, a serenidade de Mufasa, o misticismo de Rafiki, a alegria de viver de Timão e Pumba, a preocupação das leoas e a trajetória de amadurecimento simbolizada pela jornada do herói de Simba. Literalmente, tudo no seu devido lugar, o diferencial fica por conta do CGI. Mas é preciso dar a César o que é de César na ausência de emoção e envolvimento com o público que guarda consigo a memória afetiva da animação. Se existe um fator que perme...

O equilíbrio perfeito entre entretenimento e conteúdo (O Rei Leão - 1994)

Hakuna Matata. É lindo dizer. Hakuna Matata. Sim, vai entender. Os seus problemas, você deve esquecer. Isso é viver. É aprender. Hakuna Matata. Quem escuta esse refrão logo se lembra de um marco na animação dos estúdios Disney e da cultura pop. O Rei Leão acompanhou gerações por vários anos quando estreou em 1994. Os estúdios deixaram de lado as princesas lucrativas e investiram em animais que cantavam em uma trama que mesclava inocência e dramaticidade. Simba é um pequeno leão que observa o comando de seu pai, Mufasa, na savana africana. O pano de fundo é o ciclo sem fim da natureza, onde tudo está conectado. A inspiração para a animação veio da dramaticidade de Hamlet, de Shakespeare, Bambi e histórias bíblicas de José e Moisés. Tanta inspiração cativou várias gerações ao longo dos anos.   A primeira cena da animação é voltada para ressaltar a liderança de Mufasa e a apresentação do pequeno e futuro rei Simba. A trilha que acompanha a apresentação do protagonist...