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Stephen King agradece (Cemitério Maldito)

Mais uma refilmagem. Existe um equilíbrio nas adaptações de Stephen King para o cinema. De um lado da balança temos os ótimos clássicos: Carrie- A Estranha e O Iluminado. Do outro, A Torre Negra e a releitura de Cemitério Maldito. O filme possui qualidades, mas fica aquém do original de 89. Na trama os Creed precisam mudar para uma pequena cidade no interior e como bônus, na floresta próxima da casa, a filha mais velha encontra um cemitério de animais. Deixando o fato inusitado de lado, a vida parece estar em harmonia até uma tragédia acontecer. Ellen morre atropelada por um caminhão. A partir da perda a família desmorona entre traumas passados e a tentativa de superar a ausência da filha.   O roteiro de Jeff Buhler mantém alguns elementos do original, mas arrisca em modificar personagens que elevavam a tensão na versão de 89. Quem retorna diferenciada é a filha do casal, no original era o filho mais novo. Manter a trama original seria mais interessante para gerar...

Tina é uma bússola moral (Border)

Border é um filme de fantasia com muitas vertentes reais. A trama foca em Tina, uma policial que utiliza uma espécie de intuição para detectar prováveis suspeitos. No momento em que sua intuição falha a protagonista começa a se questionar. Durante todo o tempo a trama envolve o espectador pela estranheza e desconforto ao abordar temáticas já exploradas em diversos filmes. A maneira como as subtramas são apresentadas é somente o fio condutor para um filme que tem como proposta levantar diversos questionamentos.  O roteiro escrito por Ali Abbasi e Isabella Eklof explora subtramas que são apresentadas de forma extremamente eficaz para envolver o espectador. No primeiro ato o foco é a rotina da protagonista e como ela utiliza da intuição para identificar suspeitos. Posteriormente, a trama enfatiza a descoberta dos sentimentos de Tina. Com um relacionamento extremamente frustrado, ela se permite viver uma intensa paixão e conheça a compreender suas origens com a ajuda de Vore. O...

Humanidade em meio ao caos (Sobibor)

Sobibor é um filme de elementos narrativos que em conjunto envolvem o espectador na temática dos campos de extermínio. Na trama Sasha decide com outros judeus planejar a fuga do campo Sobibor. O filme gira em torno das torturas que o povo judeu sofreu quando o nazismo era para muitos alemães uma religião. Os atos destacam momentos de sofrimento extremo baseado em eventos reais. No total 400 prisioneiros tentaram fugir e 150 sobreviveram para relatar o ocorrido.  Os elementos narrativos corroboram para que a mise-en-scène não seja somente o retrato histórico. O som ensurdecedor da sirene exalta prazer ao mesmo tempo em que gera pânico. A fumaça intercala momentos específicos da montagem que guia o espectador na transição das cenas. A trilha sonora ganha vertente protagonista e se faz essencial no filme como um todo. Esse elemento pode soar excessivo, mas é necessário para transmitir o sofrimento e tensão presente na trama. A fotografia com paleta de cores frias reforça o sen...

Um filme repleto de homenagens (Vingadores : Ultimato)

Chega ao fim um universo que reinventou os filmes voltados para a adaptação de quadrinhos. Tudo começou com uma pontinha do herói Homem de Ferro no filme do Hulk interpretado por Edward Norton. Robert Downey Jr. protagonizou o filme solo do herói em 2008. Mais de uma década após a surpresa de Downey no papel, o universo compartilhado representou um marco cinematográfico e estabeleceu de vez o gênero. Vingadores : Ultimato resgata os acontecimentos de Vingadores: Guerra Infinita. Thanos estalou os dedos e metade da população foi eliminada do planeta. Cabe aos heróis  encontrar uma maneira de superar os traumas e seguir a diante. O primeiro ato de Vingadores : Ultimato é apresentado ao público com uma paleta de cores fria e o roteiro é voltado para as consequências do gesto de Thanos. Não é à toa que os heróis que começaram o universo sobreviveram para tentar seguir com suas vidas. O reencontro dos heróis é uma tentativa de ao menos exterminar de vez o causador de tanto sofr...

Um filme com belos momentos (O Ano de 1985)

O diretor Yen Tan explora a sensibilidade em seus filmes. Com diálogos simples, ele reforça questionamentos que envolvem o espectador no arco dos personagens. Em O Ano de 1985 não seria diferente. O jovem Adrian almeja conquistar novos rumos em Nova York. Ele deixa a pequena e conservadora cidade no Texas e retorna somente para comemorações natalinas. O retorno é repleto de distanciamentos emocionais e reforça vínculos afetivos adormecidos. A tensão e repressão nos sentimentos são exploradas durante os atos. Adrian sente-se aprisionado pelo preconceito familiar e também pelo medo da morte.  O roteiro assinado pelo diretor toca em assuntos importantes e levanta questionamentos para intensificar o arco dos personagens. A fotografia reforça a frieza no núcleo familiar e o aprisionamento dos sentimentos de todos ao redor do protagonista. A temática central gira em torno da volta do protagonista ao ambiente familiar, mas dentro desse contexto várias subtramas são exploradas. O pr...

Qualidade com baixo orçamento (A Maldição da Chorona)

O terror ganhou espaço com uma nova vertente, porém, A Maldição da Chorona é o típico filme repleto de sustos previsíveis daqueles com características próximas dos antigos do gênero. A trama gira em torno da família de Anna Tate-Garcia que trabalha como assistente social e tenta ajudar Patrícia Alvarez e seus filhos. Após a morte dos meninos, Patrícia alerta Anna sobre a Chorona. Trata-se de uma lenda mexicana, onde uma mulher descobre a traição do marido e tomada pela loucura afoga seus filhos no rio. Desde então a Chorona persegue crianças e as afoga na tentativa de trazer de volta os filhos queridos.  James Wan é o produtor do longa e investe pesado no gênero com filmes de pequeno orçamento aproveitando para investir em cineastas novatos. É o caso de Michael Chaves. A Maldição da Chorona é o seu primeiro trabalho atrás das câmeras e para um principiante o diretor consegue envolver o espectador. Apesar de apresentar uma mise-em-scène um tanto quanto confusa em vários mom...

A única companhia é a solidão (Em Trânsito)

Em Trânsito explora o vazio dos protagonistas que tentam buscar um lugar para recomeçar. Além do vazio, outras subtramas são exploradas com igual intensidade. Georg foge da França por conta da ocupação nazista e assume a identidade de um famoso escritor. Ao chegar a Marseille, o protagonista começa uma peregrinação para permanecer no local. Mesmo com toda angústia em assumir a vida de outra pessoa Georg estabelece um primeiro vínculo com um garoto que o vê constantemente. Os planos do protagonista modificam drasticamente ao encontrar Marie. O olhar perdido de ambos os conecta durante todo o filme.   Georg não possui parada. O protagonista está em constante deslocamento. Durante os atos a mise-en-scène é ressaltada pelas andanças de Georg nas ruas em busca de afeto e contato. Marie também está em movimento procurando resgatar a figura do marido e seus documentos para enfim poder recomeçar. A dinâmica utilizada na mise-en-csène destaca o ritmo intenso da instabilidade dos...