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Merecíamos ir além do filme de ligação (Capitã Marvel)

Capitã Marvel finalmente ganha um filme solo dentro do universo cinematográfico da Marvel. Com alguns anos de atraso, pois a protagonista poderia ter um filme para chamar de seu junto com os primeiros vingadores. Se a personagem fosse explorada com mais detalhes e tempo a identificação com todos os públicos seria maior. Capitã Marvel é um filme refém do universo compartilhado criado pelo estúdio. É o típico filme de ligação para introduzir uma protagonista feminina de peso na equipe. Ser parte do universo não é um problema em si, pois temos o ótimo Pantera Negra para comprovar que um filme solo pode e deve ter a força necessária dentro do universo. Capitã possui força na representatividade para um nicho, assim como Pantera, mas em termos de qualidade ele fica aquém do que estúdio poderia entregar para os fãs da Capitã.  A trama se passa no início da década de 1990, onde Carol Danvers literalmente caí em uma vídeo locadora. Com flashbacks do passado e uma ameaça vinda da Gal...

Uma fruta podre (Crimes Obscuros)

Crimes Obscuros é um filme que possui todos os elementos narrativos em prol da trama e personagens. Jim Carrey vive o policial Tadek que tenta desvendar um caso arquivado. Os atos da trama envolvem o protagonista em um suspense crescente, mas que não instiga o espectador. Os elementos narrativos dialogam com a instabilidade emocional do protagonista. Jim Carrey reforça sua versatilidade como ator ao compor um policial introspectivo de olhar vazio e extremamente metódico. A trama tenta estabelecer uma conexão com o espectador reforçando a autoria de Alexandros Avranas, mas o distanciamento do público é inevitável. O filme tem como principal atrativo a autoria de Alexandros Avranas. O diretor ressalta a simetria nos planos dialogando com a frieza estabelecida entre os personagens. O primeiro plano também é destaque para intensificar a aura de suspense principalmente nas cenas de interrogatório. Avranas trabalha com o silêncio e ausência de diálogo no ambiente familiar como se a c...

O caos organizado da montagem (Vice)

Vice retrata um longo período da vida de Dick Cheney. No primeiro ato o espectador tem contato com a vida turbulenta do protagonista. Problemas com bebidas e temperamento agressivo são enfatizados. A partir do momento que Lynne o confronta sabendo perfeitamente que necessita de um marido determinado ao seu lado, Cheney começa a alcançar voos maiores na área política. O jogo de poder ressaltado na trama dialoga com as ambições do casal. A trama aborda desde o momento em que o protagonista se vê totalmente cru tentando lidar com situações mais amênas como mentir para a esposa que conheceu o presidente Nixon, como também ressalta situações sobre o questionamento ético e moral. O foco de Vice é um estudo interessante de personagem interpretado de forma competente por Christian Bale. O ator transcende o físico. Ele vai além e a transformação é interna e externa. Interna porque o ator compreende a profundidade do protagonista, suas nuances e camadas mais profundas. Do que adiantaria a ...

"All right, ok." (A Mula)

 Clint Eastwood ficou conhecido como ator após ter protagonizado a trilogia de Sergio Leone. O Homem sem Nome marcou alguns filmes do ator que conseguiu com o tempo realizar demais projetos e levar ao público filmes autorais como diretor. O tempo passou e o marcante papel foi deixado para trás e o Nome de Clint era reconhecido. Com oitenta e oito anos, Clint volta a dirigir e protagonizar A Mula. O ator vive Earl Stone que encontra uma oportunidade de transportar cocaína em sua picape velha para o cartel de drogas mexicano. É o disfarce perfeito e a oportunidade de olhar com mais intensidade para a família que abandonou a muito tempo.  Clint não utiliza de muitos ângulos e aprimoramento técnico para dirigir A Mula. O diretor aposta em uma linguagem mais simples para envolver o espectador. O filme é focado apenas no momento específico em que Earl começa a transportar drogas. O filme ganha um aspecto de road movie do segundo ato até o desfecho e o elemento narrativo prim...

Sobre estar presente ou impor a sua presença (Celeste e Jesse para sempre)

Uma atmosfera independente e romântica é a proposta de Celeste e Jesse para sempre. Várias indagações surgem ao longo do filme (devo confessar que minha antipatia pela protagonista foi imediata) e a conclusão que parecia óbvia demais transformou-se em reflexões sobre estar presente ou impor a presença. No filme, Celeste é uma jovem bem sucedida de 30 e poucos anos focada no trabalho. O espectador tem o primeiro contato com o casal já prestes a assinar os papeis do divórcio.  Estou bem até me sentir ameaçada por outra pessoa. Jesse é um adulto que ainda não amadureceu o suficiente, ou seja, ele se encontra na zona de conforto. Eis que Jesse recebe a notícia de que vai ser pai. Após o choque, a realidade o faz sair da zona de conforto, mesmo que ele ainda esteja sofrendo com o passado.   Celeste e Jesse estavam presentes de forma saudável na vida um do outro. O cotidiano de sempre ver a pessoa querida, de olhar pela janela e saber que ele(a) vai estar lá para você e...

Vida fora das telas (A Favorita)

Ana, Abigail e Sarah. Três mulheres fortes. Três atrizes inspiradas que movem a trama. A Rainha, a Duquesa e uma reles mortal. A trama de A Favorita gira em torno do triângulo amoroso das protagonistas e retrata especialmente o jogo de poder entre Rachel Weisz e Emma Stone para conquistar a confiança de Ana e serem finalmente escolhidas como a favorita. O filme chega com forças para o Oscar. Dez indicações merecidas, pois além das atuações, o filme é de um requinte técnico que instiga o espectador. O que mais chama atenção no primeiro ato é o design de produção. A riqueza em cada detalhe do castelo enche os olhos do espectador. Como grande parte da trama se passa neste cenário, o castelo é um coadjuvante extremamente importante para retratar a época. O mesmo acontece com o figurino e maquiagem que acrescentam na caracterização dos personagens. Sarah sempre aparece com vestidos preto e branco para ressaltar a firmeza da protagonista. A Rainha Ana transborda riqueza e um certo e...

No embalo da nostalgia (Creed 2)

Após o término da sessão de Creed um pensamento surgiu : uma continuação não seria necessária. Os arcos dos personagens possuem pontas que poderíam ser exploradas em uma continuação, mas a trajetória de Adonis caberia em um único filme. Creed teve a autoria de Ryan Coogler e surpreendeu público e crítica. A continuação veio em Creed 2 e a sensação que fica é de um filme que necessita da nostalgia para se manter de pé até o desfecho. Na sequência Adonis luta pelo cinturão e consegue chegar ao topo. A aura que paira em torno do protagonista é de um campeão, mas somente por fora. Por dentro Adonis não consegue sentir a pulsação de um campeão. O tempo passa e eis que Buddy Marcelle faz uma proposta para Rocky e Adonis: lutar com Viktor Drago. O filho de Ivan Drago. O ex- pugilista é a sombra na vida da dupla. Ele é a ponta que surge para resgatar a nostalgia e ter a continuação.  Creed 2 é um dos filmes com a atmosfera mais densa da saga de Rocky nos cinemas. Steven Caple Jr....