Pular para o conteúdo principal

Postagens

Um filme que tenta resgatar a nostalgia do clássico ( A Bela e a Fera - 2017)

A questão era delicada e exigia muito esmero. Como ser fiel ao clássico A Bela e a Fera dos estúdios Disney e realizar um remake live-action da animação? Após assistir Mogli - O Menino Lobo, que levou o Oscar de efeitos visuais este ano, não tive dúvidas que o estúdio teria o cuidado necessário para realizar a transformação sem prejudicar a aura da animação. Infelizmente, o que temos é um filme de altos e baixos que explora novos aspectos sem preservar a atmosfera do clássico. No primeiro ato do filme conhecemos um pouco mais de Bela, uma jovem diferente das demais que aprecia a leitura e é rotulada pelos moradores da pequena aldeia francesa como estranha, apenas por querer explorar outros mundos ao mergulhar seus pensamentos nos livros. Gastão deseja casar-se com a jovem, ele está longe de ser o pretendente que Bela almeja para ter uma família. Também somos apresentados ao pai protetor da jovem, Maurice. No momento em que deixa a aldeia para caçar, o personagem é atacado po...

Muito além das garras de adamantium (Logan)

Qual a ligação entre o espectador e Hugh Jackman ao longo dos anos? A dedicação de dezessete anos por um personagem. O espectador acompanhou as transformações de Wolverine / Logan. Já o ator conseguiu adaptar essas transformações em um belo estudo de personagem com sofrimento e deixa o lado humano do mutante transbordar na tela. Hugh Jackman compreende que a vulnerabilidade do protagonista não está somente no trabalho físico, mas também no aspecto psicológico. Conclusão : o espectador sente uma intensa identificação com a dor e conflitos de Wolverine. Logan apresenta para o espectador uma narrativa centrada no arco do trio de protagonistas. Patrick Stewart se despede de forma digna e intensa de professor Xavier. A pequena Laura quase não fala até o final do segundo ato, mas observamos a veracidade no olhar de uma mutante programada para matar. O trio possui um ponto em comum:  as fragilidades que a vida proporciona. Laura não tem uma figura forte em quem se espelhar. ...

Tramas paralelas e a ausência de um fio condutor (Lion)

Lion - Uma Jornada para a Casa nos apresenta uma trama focada no protagonista Saroo Bierley que vivia em uma vila pobre na Índia e ao insistir para sair com o irmão mais velho Guddu, o pequenino acaba dormindo na estação de trem e se perde. A jornada começa quando o personagem dorme em vários vagões e depois de muitos obstáculos permanece por um tempo determinado em um orfanato para crianças desaparecidas até ser adotado pelo casal australiano Sue e John.  O primeiro trabalho do diretor Garth Davis é conduzido por escolhas equivocadas. O primeiro ato é explorado em um tom dramático, mas é dosado pela presença forte do pequenino Sunny Pawar que possui poucas falas e uma aura intensa que segura boa parte da trama equilibrando o enredo com suavidade. Acompanhamos os momentos difíceis de superação do protagonista ao passar fome e não saber como voltar para a casa. O olhar expressivo do ator mirim nos cativa logo nas primeiras cenas. Quando Pawar deixa o filme, o sentimento de ...

Três palavras marcantes: Little, Chiron e Black (Moonlight)

Moonlight: Sob a Luz do Luar é uma narrativa forte que mostra três períodos da vida de Chiron. Ao final do filme, o espectador tem a certeza que conhece profundamente o personagem. Nos tornamos íntimos do protagonista por compreendermos todo o sofrimento vivido ao longo dos anos pela imensidão que ele transborda no olhar.  Na primeira cena o diretor Barry Jenkins ambienta o espectador e o mergulha para dentro da trama. O "pequeno" grande ator Alex R. Hibbert transmite todas as emoções e o começo de algumas inquietações que acompanham o protagonista durante o filme. O bullying que o personagem sofre na infância somente aumenta a introspecção do garoto. Ao chegar em casa, não encontra o amparo materno. Paula é viciada em crack e deixa o filho de lado no momento em que decide se entregar ao vício. A figura paterna encontrada no personagem de Juan será de fundamental importância para moldar a personalidade do pequeno menino quando adulto. Juan diz para o protagonista ...

As cercas que estão além do título (Um Limite Entre Nós)

Denzel Whashington conduz a direção de Um Limite Entre Nós e literalmente demonstra que está "cercado" de talento por todos os cantos da casa em que a narrativa se passa. Não escrevo somente pela atuação dos atores com que Denzel divide as cenas, mas também pela simplicidade dos   ângulos e uso da   câmera. Ligue a   câmera e os atores tomam conta de toda a narrativa. O ator prioriza o trabalho dos atores ao longo das quase duas horas e meia presentes em um roteiro intenso, verdadeiro e que ganha potência nas nuances de personagens fortes no decorrer da trama. Denzel opta por trabalhar uma câmera estática, com a ausência de ângulos diferenciados. A movimentação da mise -in scène é reflexo de um cenário teatral. É preciso cautela ao apresentar para o espectador cenas com falas extensas apoiadas na interpretação dos atores. O filme explora um ritmo lento e necessário para que os acontecimentos sejam o reflexo da vida real, assim, o públic...

Uma narrativa em busca de identidade (A Lei da Noite)

No decorrer dos atos de A Lei da Noite, o espectador pode se perguntar: qual filme estou assistindo? Essa é uma pergunta que não conseguimos obter resposta. A narrativa passa por vários gêneros e temáticas, mas sempre de forma superficial. De longe temos a autoria das mãos precisas de Ben Affleck na direção. O ator mostrou em filmes anteriores que pode exercer várias funções e se apropriar da obra por completo, porém, o novo trabalho de Affleck parece uma trama em constante busca por algo que sempre esbarra em elementos narrativos que não acrescentam no todo. É preciso cautela quando o roteiro explora a narração como recurso dentro da trama. O equívoco é apresentar o contexto e alguns personagens com esse recurso e abandoná-lo no restante dos atos. A sensação que fica ao final do primeiro ato é que ele possui um tratamento totalmente diferenciado dos demais. A primeira meia hora poderia ser facilmente incluída na trama com a narração ao longo do filme. A montagem tamb...

O Mito. A lenda. O Bicho-Papão. (John Wick : Um Novo Dia Para Matar)

Keanu Reeves foi um ator que carregava consigo o status de galã nos anos 80. Superado o estigma de ser mais um rosto bonito em Hollywood, o que não se pode negar é a versatilidade do astro ao escolher os personagens ao longo de décadas. Após a franquia Matrix, Keanu conquistou segurança ao poder escolher melhor os personagens que gostaria de interpretar. John Wick é o novo protagonista de uma franquia que tem tudo para dar certo. Um ator carismático que compreendeu a essência do homem solitário que tinha com companhia somente um cachorro e um carro. Após os eventos do primeiro filme, De Volta ao Jogo, Keanu retorna com John Wick repetindo todos os aspectos narrativos presentes no filme de 2014, mas com um exagero que faz a sequência ser tão interessante quanto o anterior. O protagonista volta aos trabalhos depois de ter a casa queimada. Sim, se as motivações para toda a ação presente no primeiro filme eram o cachorro e um carro, agora, o estopim é uma casa. Logo na primeir...