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Uma narrativa sem foco como um barco à deriva (Pequeno Segredo)

Pequeno Segredo, o representante brasileiro escolhido para concorrer a uma vaga de filme estrangeiro no Oscar em 2017, apresenta vários elementos que se encaixam como uma luva para a categoria: uma trama baseada em fatos reais, temática forte e um enredo que explora três histórias paralelas que em determinado momento se cruzam. Mesmo com os fatores descritos para potencializar a narrativa, o filme não consegue o básico: envolver o espectador. O roteiro explora três histórias que possuem pontos em comum: a vida da jovem Kat Schurmann e amor materno. O foco de uma delas é o interesse amoroso de Robert por Jeanne. Os arcos dos personagens são importantes e ganham força na interpretação de Maria Flor. É nítido o esforço da atriz ao tentar crescer em cena, mas o trabalho encontra percalços no caminho, principalmente por Errol Shand não ter familiaridade  com o idioma brasileiro. A dificuldade do ator é tamanha que as inúmeras pausas nos diálogos prendem o ritmo do filme resulta...

Uma bela homenagem ao cinema clássico Hollywoodiano (A Luz Entre Oceanos)

O período é o pós Primeira Guerra Mundial e Tom Sherbourne vive as marcas de ser um veterano de guerra. Tentando apagar os horrores que viveu é contratado para permanecer e trabalhar em um farol, localizado na divisão entre os oceanos Pacífico e Índico. Tendo como companhia as lembranças de vários homens que matou e a solidão, Tom não almeja muitas mudanças. Após meses relata o que presenciou e leva informações para o responsável que o contratou. Em um dos deslocamentos conhece a família da Isabel Graysmark e o casamento torna-se inevitável. A jovem nutre sentimentos reprimidos pela perda dos irmãos e um novo amor é uma maneira de começar novamente a viver e Tom encontra na jovialidade de Isabel a alegria que havia perdido por ter vivenciado os conflitos e combates da Guerra. O tom da narrativa logo no primeiro ato já deixa pistas para o espectador que ele irá assistir um filme que faz uma bela homenagem ao cinema clássico de Hollywood. A paleta de cores quentes, com destaque...

O previsível que realça a sensibilidade (Amnésia)

Martha vive em uma casa distante da cidade, no litoral de Ibiza, sem eletricidade e como companhia um toca fitas onde escuta músicas clássicas e ocasionalmente degusta vinhos levados por um velho conhecido. Jo é um jovem que sonha em ser DJ na famosa boate Amnésia. Ele muda-se para a casa próxima de Martha e ao sofrer um acidente montando o equipamento de trabalho busca ajuda na casa ao lado. A partir desse encontro casual, os protagonistas começam a se relacionar. Entre um almoço e voltas corriqueiras pelo local surge o inevitável sentimento de uma forte amizade.  Amnésia explora os conflitos e diferenças dos personagens, mas também ressalta como o pensamento e a vivência podem modificar a vida de ambos. Cabe ao diretor proporcionar ao espectador a experiência de desfrutar, assim como Jo, das belezas presentes no litoral. Na cena em que os protagonistas estão a bordo de um barquinho, Barbet Schoroeder enfatiza a inserção do público com movimentos de câmera similares aos m...

A garota no trem desgovernado (A Garota no Trem)

Pense em um trem, o maquinista e os passageiros. Substitua esses elementos pela trama, diretor e elenco. É o que acontece em A Garota no Trem. Temos personagens  totalmente sem rumo tentando permanecer nos acentos e  Tate Taylor na direção inconstante do filme. O enredo gira em torno de Rachel Watson que está divorciada e encontra-se instável emocionalmente em decorrência de problemas com álcool. Dependente da bebida, a protagonista alterna momentos de sobriedade e  embriaguez com lapsos de memória . No momento em que se desloca de Ashbury para Londres, uma jovem lhe chama atenção. Rachel vislumbra um sentido para a vida depressiva ao observar o cotidiano e a felicidade de Megan mas enxerga algo que coloca em xeque o que parecia intenso e verdadeiro na harmonia que testemunhava. A trama tem uma condução interessante no primeiro ato, o trem parece estar em perfeita sintonia com os personagens. Aos poucos, nos deparamos com os conflitos de Rachel, Anna e Megan. O ...

Muito além da comédia (O Shaolin do Sertão)

Troque a princesa dos contos de fadas e coloque no lugar um cearense que sonha em ser lutador de artes marciais. Acrescente ao contexto o amor pela mocinha que está comprometida com um homem supostamente valente. Temos assim, o enredo de O Shaolin do Sertão, com um leve toque de história infantil e críticas sociais pertinentes voltadas para o público adulto.  Logo na apresentação dos créditos iniciais a estética do filme é apresentada e ambientada nos anos 80. Aluisio Li luta bravamente contra vários inimigos enquanto recebe conselhos e ensinamentos de seu mestre. Toda a cena de abertura é feita em uma referência visual onde a imagem remete claramente aos filmes voltados para o formato VHS. Para deixar de perder lutas no primeiro soco que leva e provar que pode vencer um famoso lutador de vale - tudo, Li aceita a proposta de Rossivaldo. O prefeito vislumbra motivações políticas e financia o treinamento do protagonista. O pouco que sabe, Aluisio aprendeu em um livro que gua...

Um filme com potencial que esbarra em clichês (O Contador)

Aos poucos e com muita persistência   Ben Affleck  retomou sua carreira em Hollywood como premiado diretor. A volta para os holofotes lhe rendeu também papeis na atuação. É o caso de   O Contador, onde o ator vive um personagem com Síndrome de Asperger, uma doença de sintomas mais brandos relacionados ao Autismo. A medida que Christian se afasta do convívio social, ele se aproxima dos números. O protagonista mantém meramente por fachada um escritório de contabilidade, mas sua atenção está voltada para trabalhos mais perigosos envolvendo organizações criminosas. Logo no início somos apresentados a família do protagonista. Os pais procuram ajuda para tentar compreender o comportamento do filho. O pai reluta em começar o tratamento, pois o trabalho o faz permanecer pouco tempo na cidade, a família muda constantemente, o que dificulta ainda mais os laços sociais do menino. No decorrer do filme, com o recurso de flashbacks, o espectador tem contato com a infância contur...

Um bela e intensa história de amor (O Último Tango)

Para um documentário despertar o interesse no espectador, a temática precisa ser explorada devidamente para o público se envolver cada vez mais pelo que é retratado na tela. E se os entrevistados forem cativantes o suficiente, o filme ganha uma perspectiva ainda maior. Em O Último Tango, esses aspectos são apresentados de forma interessante e diferenciada. O diretor German Kral percorre cinco décadas da dupla   María Nieves e Juan Carlos Copes . Parceiros no tango e na vida, Kral mostra o casal para o público de uma forma distinta: convida atores jovens para encenar e pesquisar mais sobre a vida dos protagonistas em forma de entrevistas. María conta o começo da vida sofrida com a mãe e quando o despertar pela dança se fez presente em uma brincadeira inocente com uma vassoura. Ela desejava ir aos bailes e em um desses momentos trocou olhares com o jovem rapaz que seria futuramente seu parceiro por várias décadas.   A protagonista ignorou prontamente o fato de Jua...