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Sabe o filme do meio? Então... (O Mundo Perdido : Jurassic Park)


Com todo o alvoroço tecnológico causado pelo primeiro filme e o impacto gerado no espectador, a sequência seria inevitável. Eis que quatro anos após o lançamento de Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros, Spielberg retorna ao comando de mais uma aventura na companhia de criaturas pré-históricas. O mais interessante e que logo salta aos olhos na continuação são os efeitos visuais. A tecnologia utilizada para aprimorar as criaturas busca ainda mais o envolvimento do espectador. Nesta nova aventura, as criaturas ganham mais mobilidade e agilidade. O que proporciona um ritmo intenso e diferenciado se comparado ao primeiro longa. 

O roteiro de O Mundo Perdido: Jurassic Park resgata alguns personagens, em especial, Dr Malcolm, que reluta o convite de John Hammod para pesquisar espécies que permaneceram isoladas no "Sítio B", local onde eram realizados experimentos anteriores ao surgimento do Parque dos Dinossauros. Mesmo contrariado, ele precisa ir ao local pois sua namorada, Dra Sarah, já viajou para coletar informações e tentar realizar o desejo de Hammod: abrir um novo Parque. Um fator importante que permeia a maioria das tramas de Spielberg volta em O Mundo Perdido na figura da pré-adolescente Kelly. A jovem é filha de Malcolm e se infiltra na viagem. Quando a nova equipe percebe um sinal de fumaça, a preocupação imediata é apagar o fogo para não atrair os dinossauros. Na realidade, a fumaça é o sinal de uma tentativa frustrada da personagem ao cozinhar. Sabendo que a filha viajou escondida, Malcolm precisa protegê -lá. Qual o elemento que permeia os filmes do diretor? A família. O roteiro de David Koepp acerta pois vai direto ao ponto e logo insere o espectador no Sítio B. Aqui, o foco são as criaturas e a aventura. 

Com um prólogo que aborda somente o essencial, Spielberg ambienta o espectador novamente na atmosfera gerada no primeiro longa. No começo do segundo ato a equipe explora o local e logo os efeitos sonoros resgatam o referencial emotivo do público. O som vem de longe e o perigo pode chegar. A tensão é gerada com a sensação mútua de Dr. Malcolm e o espectador. Sempre que os dinossauros se aproximam, Spielberg ressalta as expressões dos atores com o zoom in. Jeff Goldblum possui um ritmo acelerado nas cenas com Julianne Moore. O primeiro contato causa ruídos na sequência com diálogos sobrepostos. De difícil compreensão, o espectador se perde nos diálogos travados pelo casal. O que poderia gerar um tom cômico ,causa o efeito contrário. Com a chegada de outro grupo no local, o foco ganha outra dimensão: a ganância. De um lado o objetivo é explorar as espécies com o viés científico, e  do outro, o aspecto financeiro. Após algumas cenas, a dinâmica do casal torna-se compreensível. O ambiente explorado por Spielberg cresce nas cenas de ação. Vale recordar a cena da árvore no primeiro filme. Na sequência, o diretor presenteia o espectador com uma cena semelhante, mas com o dobro da tensão. 


Problemático em franquias são os tidos "filmes do meio". O Mundo Perdido: Jurassic Park é aquele filme que está ali só para fazer ponte e deixar o espectador interessado pela temática até o encerramento da trilogia. O filme é problemático, principalmente no quesito elenco. Não pela interpretação em si, mas pelo contato com o CGI. Esse aspecto, apesar do ritmo pulsante que Spielberg cria durante todo o filme, não evita o distanciamento constante do espectador. Steven consegue trazer o público para a trama alternando momentos de atmosfera tensa com os conflitos internos dos grupos presos no sítio b.

O Mundo Perdido: Jurassic Park resgata o apego do espectador ao criar a tensão nas cenas de ação. Spielberg entrega cenas em que a tensão cresce gradativamente e funciona como elo de ligação entre o espectador e a trama. Será que o filme consegue superar a sina de ser o filme do meio? Infelizmente,  não. Fica nítido ao longo da trama a falta de entrosamento do elenco e alguns percalços dentro do roteiro somente priorizano a ação. Spielberg ainda imprime sua autoria. As criaturas ganham mais força na tela. Porém, a sensação que fica é de que O Mundo Perdido : Jurassic Park acaba seguindo os passos para ser somente o filme do meio de uma trilogia.

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