Pular para o conteúdo principal

Entretenimento de qualidade (Homem-Aranha no Aranhaverso)


Miles Morales é aquele adolescente típico que ao grafitar com o tio em um local abandonado é picado por uma aranha diferenciada. Após a picada, a vida do protagonista modifica completamente. O garoto precisa lidar com os novos poderes e outros que surgem no decorrer da animação. Tudo estava correndo tranquilamente na vida de Miles, somente a falta de diálogo com o pai o incomoda, muito pelo fato do pai querer que ele estude no melhor colégio e tudo que o protagonista deseja é estar imerso no bairro do Brookling.

Um dos grandes destaques da animação e que cativa o espectador imediatamente é a cultura em que o personagem está inserido. A trilha sonora o acompanha constantemente, além de auxiliar no ritmo da animação. O primeiro ato é voltado para a introdução do protagonista no cotidiano escolar. Tudo no devido tempo e momentos certos para que o público sinta envolvimento com o novo Homem-Aranha. Além de Morales, outros heróis surgem para o ajudar a combater vilões que dificultam sua vida. Miles encontra Peter Parker, Spider Gwen, Spider-Ham, Spider-Man Noir e Peni Parker. Todos possuem conflitos ligados a famosa frase que embala a trajetória do personagem: "Grandes poderes trazem grandes responsabilidades.". Dessa maneira os heróis tentam auxiliar o novato no mundo das grandes responsabilidades. 

Com muitos personagens em tela a animação poderia facilmente ser um caos completo após a introdução do arco de Miles Morales, mas o espectador tem uma grata surpresa durante todo o filme. Cada personagem possui o momento certo para surgir e interagir com o protagonista. Os heróis e vilões intensificam o arco de Morales e a animação ganha um ritmo constante e intenso. A interação dos personagens soma a trama e os atos embalam a aproximação do espectador com a animação. As cores também auxiliam na identificação principalmente do público infantil. Cores vibrantes causam o impacto necessário para atrair os mais novos. Mas a identificação é também voltada para o público adolescente e adulto. Peter Parker é claramente a identificação mais próxima com os adultos. Referências aos filmes de Sam Raimi permeiam toda a animação. A famosa cena do trem e o protagonista tentando pular de um prédio para o outro reforçam a aura nostálgica da animação. O equilíbrio entre o moderno e a volta ao passado intensificam a identificação com os diversos públicos.


Outro aspecto que conquista o espectador é a diversidade dos vilões. No segundo ato a animação ganha uma atmosfera mais densa com a presença feminina de Doc Ork e a imponência de O Rei do Crime. Ambos dificultam a vida dos heróis e proporcionam a animação conflitos interessantes que ligam os dois núcleos. O Rei do Crime deseja tele transportar a família para ficar próximo deles, mesmo que eles não o reconheçam. Para isso coloca toda a cidade de Nova York em risco. A grande responsabilidade do herói é impedir que a cidade seja destruída e que os demais heróis voltem para suas respectivas realidades. Homem-Aranha no Aranhaverso é uma animação diferenciada com ritmo constante que prende o espectador pelos efeitos visuais.

Homem- Aranha no Aranhaverso é a animação que chega para estabelecer uma nova roupagem ao gênero. A Sony compreende que possui um personagem rico que pode gerar lucro para o estúdio. Além do protagonista ser extremamente rico culturalmente, a animação possui uma linguagem interessante que mescla quadrinhos e efeitos visuais estabelecendo uma conexão direta com os diversos públicos. Um porco para as crianças, Peter Parker visando os adultos e o protagonista voltado os jovens. Homem- Aranha no Aranhaverso estabelece um nível diferenciado entre as animações e intensifica o patamar proporcionando entretenimento de qualidade para o espectador.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

E o atendente da locadora?

Tenho notado algo diferenciado na forma como consumimos algum tipo de arte. Somos reflexo do nosso tempo? Acredito que sim. As mudanças não surgem justamente da inquietação em questionar algo que nos provoca? A resposta? Tenho minhas dúvidas. Nunca imaginei que poderia assistir e consumir algum produto em uma velocidade que não fosse a concebida pelo autor. A famosa relíquia dos tempos primórdios, a fita VHS, também nos aproximava de um futuro distópico, pelo menos eu tinha a sensação de uma certa distopia. Você alugava um filme e depois de assistir por completo, a opção de retornar para a cena que mais gostava era viável. E a frustração de ter voltado demais? E de não achar o ponto exato? E o receio de estragar a fita e ter que pagar outra para o dono da locadora? Achar a cena certinha era uma conquista e tanto. E o tempo...bom, o tempo passou e chegamos ao DVD. Melhoras significativas: som, imagem e, pasmem, eu poderia escolher a cena que mais gostava, ou adiantar as que não apreciav...

Entretenimento focado em referências (Um Espião e Meio)

Logo no início de Um Espião e Meio as referências são evidentes ao retratar a adolescência dos protagonistas. Muito próxima da linguagem narrativa utilizada em Anjos da Lei com Jonah Hill e Channing Tatum, o universo escolar é abordado pelo contraste de características dos personagens. Dwayne Johnson vive o agente da CIA, Bob Stone que no passado sofria bullying por estar cima do peso, as cenas do protagonista na adolescência são próximas as da filha de Bela na Saga Crepúsculo. A montagem com o rosto do ator em um corpo diferente é , no mínimo, questionável. Kevin Hart vive Calvin Joyner, sempre conhecido como Foguete Dourado, o  mais popular na juventude . Após 20 anos, ambos se reencontram e fica evidente que um ajudará o outro a desvendar uma trama repleta de clichês.   O filme aposta na química da dupla, mesmo que esta não funcione a maior parte do tempo. Individualmente os atores possuem carisma suficiente para segurar os protagonistas, mas quando estão juntos a...

Um sopro inovador em Hollywood (Buscando...)

Buscando... é uma trama que presa pelos detalhes, eles estão todos na tela e aos poucos tudo se encaixa como peças de um quebra-cabeça. O envolvimento do espectador é imediato. Com um ritmo constante o público conhece e se conecta com os dilemas da jovem Margot. Com a morte da mãe, a adolescente sempre mantém contato com o pai por mensagens no celular e ligações. David começa a ficar preocupado quando a filha não retorna para casa e logo o pai pede ajuda da polícia para tentar encontrar a filha.  O roteiro do diretor Aneesh Chaganty e de Sev Ohanian ressalta detalhes e  provoca o envolvimento do espectador. Todos são suspeitos do desaparecimento de Margot. Os roteiristas exploram um equilíbrio interessante entre comédia e tensão. David faz uma investigação paralela entrando no computador da filha. A conexão com a vida real do espectador é imediata. David busca amigos e vídeos em diversas redes sociais da filha. A medida que David consegue ligar os pontos e conhecer um...