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A falta de foco na jornada dos heróis não convence o espectador (X-Men :Apocalipse)



Pelos trailers veiculados ultimamente, a continuação dos mutantes, X- Men : Apocalipse, teria um fio condutor interessante de ser explorado: fechar alguns ciclos para dar início a outros. Essa era a proposta do filme, focar nos mutantes já desenvolvidos e introduzir outros mais jovens que estão tentando compreender e controlar seus poderes. O que teria tudo para dar certo, nas mão de um conhecedor profundo dos quadrinhos, o diretor Bryan Singer, nos apresenta um espetáculo visual sem propósito e um roteiro que não consegue dar foco a trama. 

O começo da história é centrada em Em Sbah Nur (Apocalipse / Oscar Isaac) , um mutante com planos de estabelecer sua supremacia na terra e potencializar os poderes de seus "filhos".  A primeira a encontrá-lo é Tempestade (Alexandra Shipp) que o auxilia na busca pelos demais mutantes: Anjo (Ben Hardy), Psylocke (Olivia Munn) e Magneto (Michael Fassbender). E assim, os quatro cavaleiros do Apocalipse unem seus poderes para alcançar os objetivos do vilão. 

Após alguns anos dos acontecimentos de X- Men: Dias de um Futuro Esquecido, professor Xavier (James Macvoy) consegue estabelecer e fortalecer sua escola, onde a principal meta  é a convivência pacífica entre humanos e mutantes. Atores mais jovens são introduzidos nesta sequência, dentre eles destacam-se: Jean Grey (Sophie Turner), Ciclope (Tye Sheridan) e Noturno (Kodi Smit-Mcphee). Mística (Jennifer Lawrence), agora é vista como modelo para os novos mutantes. Ela retorna à escola e com a ajuda de professor Xavier tentar evitar a fúria de Magneto depois de um trauma vivenciado por ele. 


X- Men: Apocalipse possui vários equívocos, mas o principal deles é a falta de foco em finalizar a jornada dos heróis e começar as dos demais mutantes. Bryan Singer perde a mão em vários momentos, sem saber ao certo qual história deve priorizar. O início da trama aborda o surgimento do "vilão" Apocalipse, porém, o que o espectador presencia é uma história arrastada cheia de efeitos especiais desnecessários, com uma tendência forte para o tom piegas. Qual será o verdadeiro vilão da continuação? O espectador fica confuso e por diversos momentos reflete sobre a relevância de Apocalipse na trama. Infelizmente, Oscar Isaac erra ao construir de forma caricata o seu personagem, cheio de imponência que não acrescenta muito no roteiro. Quem merece ser desenvolvido devidamente? Magneto ou Apocalipse? A nova equipe que surge ou a anterior? O que temos são retalhos pouco explorados de cada personagem que no contexto geral não são devidamente apresentados e finalizados. A equipe que foi trabalhada desde X-Men: Primeira Classe não recebe o devido desfecho e a nova geração de mutantes somente tem a apresentação de seus poderes. 

O destaque principal definitivamente fica por conta de Mercúrio (Evan Peters) que aparece no momento certo e contribui significativamente com suas habilidades dando um tom de humor para a trama. Apesar de não haver inovação na forma como as cenas são desenvolvidas, o público tem a sensação de deja-vú, pois a cena em que o herói salva os estudantes na escola é bem próxima do resgate de X- Men: Dias de um Futuro Esquecido. Este aspecto em nada prejudica o desenvolvimento do personagem que ganha o devido destaque a cada filme dos mutantes. A trilha sonora presente na cena só acrescenta para torná-la mais atrativa para o espectador. 

Outro ponto primordial é fazer com que Magneto explore seu lado humano ao construir um núcleo familiar. A sensação que fica para o público é que o personagem não precisaria ser um cavaleiro, ele já possui força dramática suficiente para seguir seu caminho sem a ajuda do vilão coadjuvante Apocalipse. Enfatizo que Oscar Isaac é o verdadeiro coadjuvante, o roteiro não ajuda em potencializá-lo como vilão e Magneto ganha forças na interpretação sempre competente de Fassbender. 


Jennifer Lawrence é o caso específico da atriz que carrega o status de estrela e é inevitável que ela fique maior do que a personagem. Tê-la como modelo para seguir, uma verdadeira líder dos X-Men fica extremamente forçado e diminui a importância dos demais personagens. Ela já teve o devido destaque nos filmes anteriores, neste caso, mais uma vez Bryan erra é não consegue desenvolver os jovens mutantes. Várias cenas são como conchas de retalhos sem uma conexão, soltas na trama. Ao final, o espectador não consegue distinguir ao certo a importância de cada personagem e o que temos é mais um blockbuster recheado de efeitos especiais e personagens sem rumo. Como diria Jean Grey após sair da sessão de O Retorno de Jedi : " O terceiro filme é sempre o pior da franquia." Neste caso, a citação coube como uma luva para X - Men : Apocalipse. 





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