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Sempre os detalhes... (Creed III)

Vivemos em uma época em que os fãs movem céus e terras por personagens queridos. Na intensidade das emoções, ainda temos a sensação de que o próprio ator não sabe onde começa e termina o personagem. Estou falando de Rocky ou de Stallone? Nem a pessoa que escreve sabe ao certo. E está tudo bem, aliás, tudo ótimo, porque Stallone ou Rocky são de uma sensibilidade e carisma sem tamanho. No imaginário dos fãs, Rocky estaria em Creed III, porém, após assistir o filme, não caberia uma pequena participação para Rocky, afinal, em Creed II , o protagonista finalmente libera a última fera que ainda está presa no porão: o afeto com o filho. Não seria justo com um personagem tão emblemático apenas participar com um pequeno arco.  Creed III marca a estreia de Michael B. Jordan na direção. Na trama, Adonis precisa lidar com traumas do passado e retornar aos ringues. Como sempre, o esporte é o pano de fundo para o que sempre impulsionou a franquia desde o primeiro filme em que o protagonista foi ...

A caixa de pandora de Aronofsky (A Baleia)

Na mitologia grega, a caixa de pandora foi criada para conter os males mundanos, principalmente os do corpo e da alma. Em A Baleia,  Darren Aronofsky  abre a caixa de pandora de Charlie, um professor de literatura meigo, que enfrenta tudo o que o objeto lhe proporciona, inclusive, a esperança nos outros. Vale destacar que o protagonista está extremamente enfermo por sofrer de obesidade mórbida. Ele pesa mais de 270 kilos e a única esperança é passar alguns momentos com a filha adolescente. Aronofsky faz questão de abrir sempre a caixa de pandora de suas criaturas, porém Charlie recebeu uma caixa repleta de superficialidade em um roteiro raso. A Baleia é a adaptação da peça de teatro de Samuel D. Hunter, por essa razão existe o conflito no estudo de personagem na narrativa, os males do corpo e da alma estão lá, porém explorados de maneira equivocada. A ausência na assinatura do diretor faz o espectador se afastar por completo de Charlie. Sentimos pena, muita pena do SER HUMANO....

Frieza e distanciamento (Tár)

No filme de Todd Field a ausência de  Cate Blanchett  é evidente e quem surge é Lydia Tár. A atriz literalmente deixa a protagonista tomar conta da narrativa. Poucas conseguem o que Cate realiza no longa. A composição da protagonista é similar a de uma partitura. A atriz apresenta nuances de forma linear, como a frieza e arrogância da protagonista, para, posteriormente, o espectador entrar na partitura por completo, quando Lydia perde o controle por conta da avalanche de comentários e manifestações que retratam a cultura do cancelamento. A firmeza e entrega de Cate é intensa e contida por conta da frieza e forma como Tár trata todos ao seu redor. À medida que Cate perde o controle, a frieza ainda persiste ou seria arrogância? Talvez pelo fato de ter que enfrentar o preconceito em um meio dominado por homens e também por ser lésbica. O estudo é tamanho que pequenos detalhes, como dois toques no nariz, evidenciam o  TOC que a protagonista tenta controlar entre um comprimido...

Baz e sua roda gigante (Elvis)

Baz Luhrmann transforma a cinebiografia de Elvis em uma verdadeira roda gigante. Em determinada cena, o brinquedo fica parado, com o Coronel e Elvis no topo, planejando o sucesso da dupla, sempre em dupla. E, assim, entramos no brinquedo com os altos e baixos dos elementos narrativos. Na parte de baixo do brinquedo temos o trabalho de  Austin Butler  que não alcança o espectador. A sensação que o ator transmite é de estar posando para a câmera "imitando" o ícone do rock. Em poucas cenas conseguimos ver emoções e nuances, porém tudo fica na superfície, por conta da autoria que toma conta da tela. Butler é extremamente talentoso e sabe do peso de separar a persona do lado humano de Elvis. Podemos ver um vislumbre do último, já perto do desfecho, quando o diretor puxa o freio da roda e trabalho do ator finalmente surge. Mas fica um gostinho de que poderia ser maior. Outro elemento que contribuí ao máximo para que Butler não envolva o espectador na trajetória do "protagonist...

Sammy, uma tesoura e a trégua (Os Banshees de Inisherin)

O que fazer quando o seu melhor amigo quer simplesmente acabar com a amizade e usa a justificativa que você é chato e que ele não quer perder tempo com conversas frívolas. Colm necessita mais do que nunca deixar uma marca neste mundo, uma música impactante. Sem compreender e questionando o fato de realmente ser considerado chato, Pádraic passa boa parte do filme tentando reatar os laços com o amigo. Cada tentativa é um dedo a menos para Colm, uma tentativa frustrada e ausente de esperanças para o tão sonhado legado musical. Os Banshees de Inisherin toca em temáticas atuais  e  tem como pano de fundo a Guerra Civil Irlandesa. O quarteto principal vive em um pequeno vilarejo, Inisherin, absorvendo a atmosfera tensa da década de 1920. Enquanto Irlandeses travam Guerra entre si, o mesmo acontece com os amigos. A batalha entre eles é explorada em um crescente: diálogos intensos e engraçados, para, posteriormente, observarmos atitudes irracionais. o roteirista  Martin Mcdonald ...

Ah, os elementos narrativos... (Close)

Close disputa o Oscar de filme internacional, em 2023, com Nada de Novo no Fronte, provavelmente, perderá, porém não chamou a atenção dos votantes à toa. A trama gira em torno de Léo e Rémi, amigos de treze anos, que após um acidente muda à vida de todos e faz o espectador refletir sobre diversas temáticas. A previsibilidade do roteiro não impede o público de sentir todas as emoções que o longa proporciona. O diretor Lukas Dhont retoma alguns questionamentos apresentados em Girl, como a pressão do adolescente em pertencer e ser abraçado sem preconceitos. O abraço inclusive é explorado com intensas e divergentes conotações. Pode representar uma fuga, perdão e aconchego.  Como nada na composição de uma cena é por acaso, os elementos narrativos apresentados dialogam em um crescente ao construir a relação entre os amigos, para desconstruí-los aos poucos. Lukas, em repetidos takes, nos mostra os adolescentes andando de bicicleta. Rémi sempre à frente, nos fazendo refletir sobre a natura...

Sammy e o conselho de Tio Boris (Os Fabelmans)

Liam Neeson comentou em uma entrevista, na época que divulgava A Lista de Schindler, que trabalhar com Spielberg era como ser uma marionete. Assistir Os Fabelmans me fez compreender a afirmação que o ator fez décadas atrás. No decorrer da semibiografia do diretor, todos os personagens são dirigidos, não de forma fluída, assim, uma protagonista tomou o lugar de Sammy durante todo o filme: a mão de Steven. Porém, um detalhe fez toda a diferença enquanto eu assistia: a experiência do elenco adulto em cada cena. Existe um determinado momento, que a família precisa adaptar-se com as mudanças constantes que o trabalho de Burt Fabelman provoca em todos. Com os deslocamentos, que ganha aspectos de Road Movie, o marido entra em casa, com a mulher nos braços. A forma como Spielberg  dirige essa cena soa um tanto quanto cinematográfica ao extremo, se não fosse por um pequeno detalhe: o foco na expressão desoladora de Mitzi Fabelman. E essa sensação da mão de Steven, me acompanhou porém, o min...