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Van Damme manda lembranças (Punhos da Vingança)

  Jean Claude Van Damme foi o astro dos filmes de ação na década de 90 e que ainda participa de algumas produções. Os filmes que o ator protogonizou abordavam uma temática extremamente simples, que seguia uma tríade: a atriz como par romântico, o protagonista na busca por vingança e os conflitos internos. Punhos da Vingança suga ao máximo essa tríade, porém, está muito distante dos filmes protagonizados por Van Damme. A narrativa abraça várias subtramas com uma pressa sem fim. Aqui a desorganização na montagem é tamanha que não existe tempo para que o espectador acompanhe todas as ações do protagonista. A trama central gira em torno da investigação do policial infiltrado em um campeonato de artes marciais visando prender um poderoso traficante de drogas. Se a trama focasse somente nesse aspecto seria o ideal e não cansaria o espectador que com dez minutos de filme. Não que os filmes do Van Damme fossem distintos, porém, a grande diferença é que o espectador se envolvia com a narrat...

Intensidade nos detalhes (Los Lobos)

Los Lobos foca em temáticas universais que tocam em cheio o coração e instantaneamente provocam uma identificação no espectador. A trama gira em torno dos pequenos Max e Leo, irmãos que migram para os Estados Unidos com a mãe para buscar uma vida melhor. O roteiro explora as dificuldades de adaptação e a luta de Lucia para sustentar os filhos. Os três vivem em um cômodo e dormem no chão. Os empregos de Lucia são voltados para os imigrantes: trabalhos repetitivos em fábricas. Não é à toa que os pequenos desenhos lobos em papéis com ofertas de emprego. É a nova vida da família: os meninos passam à tarde literalmente presos em casa enquanto a mãe dorme poucas horas por dia. O refúgio é um gravador de fitas que Lucia utiliza para ensinar algumas regras aos filhos e escuta de forma saudosista a voz do pai. Se Lucia sente saudades do pai, os meninos também nutrem esse sentimento, mas como a mãe evita tocar no nome dele, o espectador compreende que o pai simplesmente foi embora. Como a mãe te...

Vários filmes em um (O Inimaginável)

O Inimaginável resgata sentimentos adormecidos de Alex em meio ao caos de ataques terroristas na Suécia. Enquanto a trama gira em torno dos conflitos internos e externos do protagonista, o espectador observa a direção tentando lidar com tudo que o roteiro quer abraçar. A narrativa se estende ao intensificar momentos resgatados em flashbacks desnecessários. Alex precisa enfrentar o passado turbulento do pai e adormecer sentimentos por Ana. E ainda temos espaço, ou não, para uma subtrama voltada para o caos dos coadjuvantes tentando lidar com os ataques repentinos na luta pela sobrevivência. O grande problema que percorre toda a narrativa é o roteiro não saber explorar nos momentos certos cada conflito e os desdobramentos dos mesmos em cada personagem. O momento proposto para fechar os arcos de cada um está imerso no caos da luta das cenas de ação. Conclusão: o espectador fica com a sensação de ter tudo pela metade com breves cenas repletas de informações importantes.  A falta de dir...

Ação ou Comédia? (Aceleração Máxima)

O filho da protagonista é mantido como refém enquanto ela precisa cumprir uma missão: matar várias pessoas no período de uma noite. A cada parada Rhona recebe ameaças de Dolph Lundgren  para que inimigos sejam eliminados. Essa é a premissa de Aceleração Máxima, que o espectador já sabe como começa e termina. Como tudo é extremamente previsível, vale focar no que a narrativa pode apresentar para atrair o espectador que busca entretenimento. Ação e frases rasas. A ação realmente não dá trégua e pode gerar envolvimento. Já as frases ganham um teor cômico que provocam risos constantes no público. Sabe quando um personagem faz uma pergunta e o outro não satisfeito repete ? E a resposta? É a pior possível. Com cada personagem que Rhona encontra os diálogos seguem o mesmo padrão. É engraçado? É engraçado. Era para ser? Acredito que não.  Podemos também destacar o excesso presente na fotografia com o neon como protagonista. Sempre que Rhona mata um personagem, o neon está presente. Re...

O desfecho silencioso que evidencia o jogo político (Jogo de Poder)

O cinema de Costa-Gravas sempre foi contestador e político, com Jogo de Poder, essa autoria é elevada ao extremo. Quem ganha é o espectador que acompanha as estratégias do protagonista, com pitadas de narração em off, evidenciando ainda mais a dinâmica de ritmo dentro da narrativa. O público acompanha um verdadeiro jogo de xadrez, onde o cheque-mate pode acontecer a qualquer instante. Christos Loulis vive o Ministro de finanças com o objetivo de salvar a Grécia. Yannis precisa lidar com várias situações políticas para fazer com que a Grécia consiga crédito perante vários chefes de estado para reerguer o país economicamente. O ritmo do longa poderia ser afetado consideravelmente pelo roteiro focar basicamente em reuniões e discussões de cunho expositivo. Porém, a câmera de Costa-Gravas transita de forma dinâmica entre uma reunião e outra. São movimentos similares que proporcionam intensidade e auxiliam na tensão na tomada de decisões de Yannis. Além do ritmo constante presente na narrat...

O momentâneo que marcou uma geração (Trainspotting- Sem Limites)

Trainspotting foi um filme que marcou uma geração de espectadores na estreia. Lembro da sensação que tive quando saí do cinema. Estava entorpecida pelo impacto das imagens e principalmente pela trilha sonora. Na época fiquei impressionada com o ritmo que a narrativa tomava no decorrer dos atos, mas também me recordo que a sensação logo passou, pois minha geração estava mergulhada na era dos vídeo clipes, a MTV era o comentário entre meus amigos e, neste momento, o impacto logo foi tomado pela zona de conforto. Trainspotting pegava carona nessa geração que estava imersa em um mundo paralelo repleto de sons. Rever Trainspotting é observar a importância que o filme teve para uma geração que ligava a TV e escolhia uma banda por telefone (sim, por telefone), para ficar no topo dentre tantas no dia.  O roteiro, em narração em off, destaca as angústias e conflitos internos de cada personagem. Os coadjuvantes são desenvolvidos de forma intensa com o devido destaque. Existe um humor no rote...

Permanece no imaginário (Laranja Mecânica)

Sempre que tenho a oportunidade de rever o clássico Laranja Mecânica é uma nova experiência cinematográfica. Tudo é tão familiar, mas ao mesmo tempo diferenciado, o que instiga um olhar mais apurado para o banido filme de Kubrick. A adaptação da distopia de Anthony Burgges ganha vida pelo olhar particular de Stanley Kubrick . Na trama o jovem Alex é líder de uma gangue que em uma única noite é capaz de vários atos violentos. Quando a polícia consegue prendê-lo, já com dois anos na cadeia, Alex decide participar de um programa do governo para a readaptação de jovens visando o convívio social. O roteiro escrito por Kubrick ressalta a narração em off, o que aproxima ainda mais o espectador da narrativa. A psicopatia de Alex fica evidente quando o recurso é utilizado, pois justamente nos momentos mais dramáticos que o protagonista sofre por conta da "ultraviolência" do tratamento, a narração em off é utilizada em um tom sarcástico. Sabiamente o recurso surge em momentos pontuais ...