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Ação ou Comédia? (Aceleração Máxima)

O filho da protagonista é mantido como refém enquanto ela precisa cumprir uma missão: matar várias pessoas no período de uma noite. A cada parada Rhona recebe ameaças de Dolph Lundgren  para que inimigos sejam eliminados. Essa é a premissa de Aceleração Máxima, que o espectador já sabe como começa e termina. Como tudo é extremamente previsível, vale focar no que a narrativa pode apresentar para atrair o espectador que busca entretenimento. Ação e frases rasas. A ação realmente não dá trégua e pode gerar envolvimento. Já as frases ganham um teor cômico que provocam risos constantes no público. Sabe quando um personagem faz uma pergunta e o outro não satisfeito repete ? E a resposta? É a pior possível. Com cada personagem que Rhona encontra os diálogos seguem o mesmo padrão. É engraçado? É engraçado. Era para ser? Acredito que não.  Podemos também destacar o excesso presente na fotografia com o neon como protagonista. Sempre que Rhona mata um personagem, o neon está presente. Re...

O desfecho silencioso que evidencia o jogo político (Jogo de Poder)

O cinema de Costa-Gravas sempre foi contestador e político, com Jogo de Poder, essa autoria é elevada ao extremo. Quem ganha é o espectador que acompanha as estratégias do protagonista, com pitadas de narração em off, evidenciando ainda mais a dinâmica de ritmo dentro da narrativa. O público acompanha um verdadeiro jogo de xadrez, onde o cheque-mate pode acontecer a qualquer instante. Christos Loulis vive o Ministro de finanças com o objetivo de salvar a Grécia. Yannis precisa lidar com várias situações políticas para fazer com que a Grécia consiga crédito perante vários chefes de estado para reerguer o país economicamente. O ritmo do longa poderia ser afetado consideravelmente pelo roteiro focar basicamente em reuniões e discussões de cunho expositivo. Porém, a câmera de Costa-Gravas transita de forma dinâmica entre uma reunião e outra. São movimentos similares que proporcionam intensidade e auxiliam na tensão na tomada de decisões de Yannis. Além do ritmo constante presente na narrat...

O momentâneo que marcou uma geração (Trainspotting- Sem Limites)

Trainspotting foi um filme que marcou uma geração de espectadores na estreia. Lembro da sensação que tive quando saí do cinema. Estava entorpecida pelo impacto das imagens e principalmente pela trilha sonora. Na época fiquei impressionada com o ritmo que a narrativa tomava no decorrer dos atos, mas também me recordo que a sensação logo passou, pois minha geração estava mergulhada na era dos vídeo clipes, a MTV era o comentário entre meus amigos e, neste momento, o impacto logo foi tomado pela zona de conforto. Trainspotting pegava carona nessa geração que estava imersa em um mundo paralelo repleto de sons. Rever Trainspotting é observar a importância que o filme teve para uma geração que ligava a TV e escolhia uma banda por telefone (sim, por telefone), para ficar no topo dentre tantas no dia.  O roteiro, em narração em off, destaca as angústias e conflitos internos de cada personagem. Os coadjuvantes são desenvolvidos de forma intensa com o devido destaque. Existe um humor no rote...

Permanece no imaginário (Laranja Mecânica)

Sempre que tenho a oportunidade de rever o clássico Laranja Mecânica é uma nova experiência cinematográfica. Tudo é tão familiar, mas ao mesmo tempo diferenciado, o que instiga um olhar mais apurado para o banido filme de Kubrick. A adaptação da distopia de Anthony Burgges ganha vida pelo olhar particular de Stanley Kubrick . Na trama o jovem Alex é líder de uma gangue que em uma única noite é capaz de vários atos violentos. Quando a polícia consegue prendê-lo, já com dois anos na cadeia, Alex decide participar de um programa do governo para a readaptação de jovens visando o convívio social. O roteiro escrito por Kubrick ressalta a narração em off, o que aproxima ainda mais o espectador da narrativa. A psicopatia de Alex fica evidente quando o recurso é utilizado, pois justamente nos momentos mais dramáticos que o protagonista sofre por conta da "ultraviolência" do tratamento, a narração em off é utilizada em um tom sarcástico. Sabiamente o recurso surge em momentos pontuais ...

De certeiro só o caos do título (Mundo em Caos)

  Cada vez mais adaptações literárias que ganham às telas levam consigo o dono da obra. Os autores também são os roteiristas e a probabilidade do resultado não ser satisfatório é grande. Foi assim em  Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald , que não teve uma boa recepção por conta da confusão entre as subtramas provocada por J. K. Rowling. O mesmo acontece com Mundo em Caos, que também poderia ser uma franquia, porém, o roteiro prejudica o filme de seguir à diante.  A trama foca em um planeta onde as mulheres são extintas e os homens possuem uma espécie de ruído. Esse ruído pode ser escutado por todos os homens. Tudo muda quando uma nave caí no planeta de Todd com Viola totalmente perdida. A jovem nunca teve contato com as coisas simples da vida, como sentir à chuva ou brincar com um cachorro. Todd logo decide ajuda-la, pois Mayor quer alguns benefícios ao captura-la. O roteirista Patrick Ness, responsável pela ótima adaptação de Sete Minutos Depois da Meia-No...

Phoebe poderia ajudar (Espiral- O Legado de Jogos Mortais)

A série Fleabag, de Phoebe Waller-Briged , nos deixou uma grande lição: o momento exato de acabar. Com duas temporadas e com enorme sucesso de público e crítica, Phoebe foi taxativa em afirmar que não faria sentido extender a trajetória da protagonista. Ok, mas a crítica aqui é do filme Espiral - O Legado de Jogos Mortais (aqui vou abrir um parênteses e pedir permissão para não escrever o subtítulo), uma continuação da franquia. No desfecho confesso que fiquei confusa se tivemos um reboot ou uma continuação. Fico com a continuação. Não há como negar que James Wan sabe jogar o jogo de Hollywood. O primeiro Jogos Mortais surgiu de um curta que chamou atenção do estúdio Lions Gate e Wan fez dele um longa de muito sucesso. Sucesso quase sempre vira sinônimo de franquia. O tempo passou e ao todo, com este novo filme, já estamos no nono capítulo. E a pergunta é :precisava realmente de outro filme?  Na trama Chris Rock é um policial que não é bem quisto no ambiente de trabalho. No p...

A união entre realidade e ficção (O Sequestro de Daniel Rey)

Em 2013, um grupo terrorista ligado ao Estado Islâmico, sequestra um jovem fotógrafo que trabalhava registrando o cotidiano dos refugiados na Síria. Daniel Rey ficou treze meses em cativeiro até que a família pudesse financiar o resgate. A trama alterna entre o núcleo de Daniel ressaltando o sofrimento do protagonista com sucessivas torturas físicas e psicológicas e no outro núcleo está a família desesperada para conseguir dinheiro com grandes empresas na tentativa de salvar o filho.  O destaque do elenco fica para o ator Esben Smed que envolve o espectador ao explorar as camadas intensas do protagonista. As cenas de tortura são angustiantes graças ao empenho do ator. É nítida a entrega de Smed para o papel. Quando um deles é liberado, o ator expressa intensidade ao demonstrar a falta de esperança em esperar pela morte ou notícia de que a família finalmente conseguiu acabar com o sofrimento do cativeiro. O filme ganha uma atmosfera mais leve com a atuação de Toby Kebbell  que ...