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A união entre realidade e ficção (O Sequestro de Daniel Rey)


Em 2013, um grupo terrorista ligado ao Estado Islâmico, sequestra um jovem fotógrafo que trabalhava registrando o cotidiano dos refugiados na Síria. Daniel Rey ficou treze meses em cativeiro até que a família pudesse financiar o resgate. A trama alterna entre o núcleo de Daniel ressaltando o sofrimento do protagonista com sucessivas torturas físicas e psicológicas e no outro núcleo está a família desesperada para conseguir dinheiro com grandes empresas na tentativa de salvar o filho. 

O destaque do elenco fica para o ator Esben Smed que envolve o espectador ao explorar as camadas intensas do protagonista. As cenas de tortura são angustiantes graças ao empenho do ator. É nítida a entrega de Smed para o papel. Quando um deles é liberado, o ator expressa intensidade ao demonstrar a falta de esperança em esperar pela morte ou notícia de que a família finalmente conseguiu acabar com o sofrimento do cativeiro. O filme ganha uma atmosfera mais leve com a atuação de Toby Kebbell que empresta carisma ao personagem proporcionando momentos de alívio para o espectador. Nas cenas de tortura, Kebbell possui o domínio do personagem com um sofrimento mais contido. Nos demais núcleos o destaque fica para Anders W. Berthelsen que ressalta em Arthur toda frieza necessária para servir de ponte entre a organização terrorista e o governo dinamarquês. Quando as negociações não seguem como o planejado, o ator esboça uma leve falta de equilíbrio que logo é restabelecida. Já os coadjuvantes familiares são fundamentais, pois precisam estar firmes para negociar a vida do filho. Somente a irmã caçula que está deslocada na trama, os demais conseguem manter a tensão necessária no decorrer dos atos.
 

Anders também é responsável pela direção e consegue manter a tensão na transição dos núcleos familiares e terrorista. A câmera tremida é explorada a todo o momento quando o protagonista tenta escapar do cativeiro, além da câmera na mão assim que o protagonista começa a registrar o cotidiano dos refugiados. O close nos olhares dos atores também é um recurso utilizado pelo diretor para ressaltar a dramaticidade presente em diversas cenas. Outro elemento narrativo que auxilia na tensão é a fotografia. A paleta de cores quentes destaca o sofrimento familiar a cada tentativa frustrada de negociação. Já a paleta fica mais fria quando Daniel sofre torturas físicas e psicológicas, além, é claro, da fotografia ressaltar o desing de produção do ambiente voltado para o cativeiro. 

A direção tenta de forma competente criar toda a atmosfera de tensão entre os núcleos prendendo o espectador no vai e vem das negociações familiares e torturas sofridas por Daniel. O Resgate de Daniel Rey é mais uma tentativa de transportar para a tela a realidade. Aqui a ficção ganha contornos reais, ou pelo menos envolve o espectador no que poderia ter sido os treze meses de angústias e sofrimento dos personagens. O filme nos faz refletir sobre mais uma dentre tantas funções da sétima arte: a de nos transportar para o momento em que realidade e ficção tornan-se uma só.

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