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O embate entre o moderno X o tradicional (#UberXTáxis)

O mais recente longa metragem do diretor Maurício Alves da Costa, #UberXTáxis amplia o detabe sobre os conflitos entre motoristas de táxis e do aplicativo Uber. Será que a nova ferramenta virtual é realmente mais eficiente? Quais as vantagens e desvantagens do aplicativo? É seguro trabalhar para esse novo segmento do mercado? Muitas questões são ressaltadas no documentário que tem como pano de fundo a Capital Federal. Nos primeiros minutos de #UberXTáxis, o diretor relembra o espectador da manifestação e indignação de vários taxistas em frente ao Congresso Nacional. Ao dar voz para alguns personagens, Maurício inicia o documentário com um ritmo mais pulsante. A revolta de trabalhadores que dedicaram quase duas décadas de serviços e contribuições para o Estado e que do dia para noite tiveram o seu sustento ameaçado pelo novo aplicativo eleva a dramaticidade do filme.  Além da empresa Uber, também são entrevistados personagens ligados aos aplicativos Cabify e 99. Seri...

Um telefone, palavras cruzadas e maços de cigarro (Lucky)

A sétima arte retrata as diversas fases do ser humano em filmes que alternam gêneros. Em Olha Quem Está Falando, o espectador acompanha os primeiros meses de Mickey repletos de comédia. Já em Meu Primeiro Amor, Vada reflete sobre os encantamentos do professor de um curso de verão enquanto incentiva o melhor amigo a dar o primeiro beijo. Um drama leve e inocente. Como enfrentar a fase adulta? Um passo para a liberdade é retratado no tocante Columbus. A velhice permeia a comédia e o drama no sensível Lucky. Acompanhamos a rotina do protagonista nesta trama filosófica e existencial. No filme, o espectador observa os dias de Lucky, um senhor de idade avançada que tem como passatempo fazer exercícios de yoga pela manhã e palavras cruzadas em jornais. O diretor John Carroll Lynch explora ao máximo a persona do protagonista. A direção transforma takes repetitivos em um cativante envolvimento do público com Lucky. A palavra chave da trama é a contemplação gradual dos olhos de quem presen...

Uma tocante homenagem ao diretor autoral italiano (Em Busca de Fellini)

Lucy é uma jovem de vinte anos que praticamente vive em uma redoma. Sua vida se resume em escutar a mãe lendo histórias infantis e vendo clássicos do cinema americano. Ver e rever Romeu e Julieta e A Felicidade Não se Compra faz a protagonista acreditar em contos de fadas e finais felizes. O mundo real é bem distante dos filmes mencionados e quando a mãe de Lucy fica gravemente enferma, a jovem precisa procurar um emprego. Mas como sair da redoma que sempre viveu e encarar pela primeira vez o mundo real? O anúncio que encontra nos jornais parece interessante pois é o que Lucy sempre almejou fazer: trabalhar com a sétima arte. Envolto por um tom cômico, o trabalho não era o esperado e assustada a protagonista que vai parar em um festival dedicado ao diretor italiano Federico Fellini. A trama é ambientada nos anos 90 e a protagonista encantada com o universo de Noites de Cabíria aluga várias fitas VHS e mergulha cada vez mais na filmografia do diretor. Clarice e Kerri estão apavo...

Entre o clássico e o moderno (Assassinato no Expresso do Oriente)

O poder do texto de Agatha Christie já insere o espectador na trama de Assassinato no Expresso do Oriente, mas o grande desafio era fazer uma adaptação que não deixasse o público refém pelo fato de conhecer o desfecho. Kenneth Branagh conseguiu alcançar o feito e proporcionou ao espectador um suspense com reviravoltas precisas. Para quem não teve o contato com a obra literária, o filme poderá proporcionar um impacto maior. Hercule Poirot, o melhor detetive do mundo, digno de um bigode que diz muito sobre sua personalidade e que deixaria Henry Cavill com inveja, além de ser o protagonista tem como intérprete Kenneth Branagh. E ter a trama centrada em Branagh faz toda a diferença. O ator que sempre se mostrou competente em diversos trabalhos, aqui domina cada cena e sabe da responsabilidade e peso do protagonista. A trama gira em torno dos passos de Poirot e como aos poucos ele desvenda pistas junto com o espectador. O público acompanha as várias camadas do arco do personagem pro...

Um olhar criativo e cativante (A Estrela de Belém)

Contar uma trama que seja conhecida do grande público é preciso antes de mais nada criatividade. A Estrela de Belém aborda o período de nove meses anterior ao nascimento de Jesus. Como abordar a temática e envolver crianças ? Tendo um protagonista extremamente carismático, Tudo é projetado na tela de forma leve e com muito humor. Assim é a trajetória do inocente e esperto Bo. Um burrinho que tem como objetivo principal deixar de "andar em círculos". Ao escapar do estábulo, ele encontra Maria e percebe que precisa ajudá-la de alguma forma.  A animação é simples e especialmente voltada para os pequeninos. Os personagens são cativantes e a empatia é imediata. Bo conquista o espectador e no meio de sua jornada somos apresentados aos demais animais que o ajudam a descobrir o valor da amizade, lealdade e companheirismo. O roteiro de Simon Moore inverte o prisma de um contexto já explorado e nos transporta para a visão dos animais. Bo e Davi são grandes amigos e passam por ...

O poder dos elementos narrativos (Vazante)

Vazante, o mais recente filme da diretora Daniela Thomas (Linha de Passe e Terra Estrangeira) preza pelo poder das imagens e som. O roteiro escrito por Daniela e Beto Amaral prioriza o poder da fotografia de Inti Briones. A contemplação das imagens dizem muito sobre a trama em si. O som das correntes arrastando, os escravos dividindo espaço com os animais, a inocência de uma jovem que ganha do marido bem mais velho uma boneca de presente e a descoberta previsível do primeiro amor. Tudo é envolto por um roteiro simples para que o espectador fique imerso na atmosfera de uma fazenda decadente do início do século dezenove.  A família de Antônio (Adriano Carvalho) se entrega ao luto pela perda da esposa e criança, ambas morreram no parto. Após um período de olhares voltados para o vazio da dor, o dono da fazenda se encanta pela pequena brincadeira que a sobrinha Beatriz (Luana Nastas) faz com seu par de sapatos. Não demora e o casamento é realizado. O pavor da jovem ao ter que ...

Liberdade e autoria para a DC (Liga da Justiça)

Com Mulher-Maravilha a DC ganhou uma nova perspectiva para recomeçar e ajustar o tom dos filmes futuros na Warner. Até o momento e pelas cenas pós-créditos de Liga da Justiça (fique até o finalzinho dos créditos), o que podemos ter são filmes independentes que podem interligar pontos  proporcionando mais liberdade e autoria para os diretores. Ter os heróis juntos é mais um deleite para os fãs que aguardaram o surgimento da Liga nos cinemas. Gal Gadot ganhou destaque após o filme-solo e Batman de Ben Affleck foi um dos acertos de Batman Vs Superman. Começar o filme com o foco nos dois heróis demonstra a liderança alternada de ambos no comando da Liga. Mas precisava? Seria melhor ganhar tempo na trama com personagens novos. O filme nitidamente alterna os tons e o espectador consegue perceber até a metade do segundo ato a autoria de Zack Snyder. O foco na temática central é explorar ao máximo a dor da morte de Superman. O luto de Martha e Loise, Batman visualmente mais angusti...