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Um autêntico contador de histórias (A Comunidade)

Thomas Vinterberg é um dos poucos diretores que consegue ter o domínio da câmera e do filme. Ele utiliza vários ângulos diferenciados para ambientar o espectador na trama. É o que acontece em A Comunidade, o filme se passa na década de 70, onde um casal decide entrevistar pessoas para morar e dividir despesas em uma grande casa.  No começo, a ausência de diálogos é fundamental porque o espectador precisa estar familiarizado com o ambiente que será posteriormente explorado ao máximo em diversos takes por Thomas. À medida que pertencemos a casa, o diretor nos deixa mais abertos para mergulharmos nos dilemas de cada um dos personagens. O conflito primordial é o desgaste inevitável de um relacionamento longo. Erik reluta em aceitar a ideia de Anna, mas após algumas entrevistas a comunidade está formada.  Um filme com vários personagens poderia soar vazio para o espectador, mas nas mãos do diretor, todos possuem arcos completos e com uma simplicidade peculiar, somos fam...

Saudosismo e Entretenimento (O Bebê de Bridgest Jones)

Ela voltou, mas algumas questões que anteriormente eram preocupações constantes, agora estão bem resolvidas. A prioridade é o filho. Sim, a protagonista retorna para exercer uma papel significativo : ser mãe. Velhos aspectos da personalidade excêntrica de Bridget caem novamente na graça do espectador. O interessante dos filmes anteriores é que já no primeiro longa, O Diário de Bridget Jones, a empatia foi estabelecida, especialmente com o público feminino. Qual mulher não teve um diário como confidente e ficou dividida entre dois amores? Mas o que realmente nos aproxima da protagonista é a sua autenticidade. Quinze anos após conhecermos Bridget, ela está mais confiante, assuntos conflitantes ganham outra dimensão: carreira profissional bem sucedida e a batalha contra o peso vencida - provavelmente porque Renée Zellweger se recusou a ganhar os quilos a mais tão característicos da protagonista - agora, a prioridade vem de forma inesperada, a protagonista será mãe em O Bebê de Bridge...

Só a atmosfera não sustenta a trama (O Homem nas Trevas)

Don´t Breathe é o título original do segundo filme dirigido por Fede Alvarez. Mas qual seria a justificativa para a tradução brasileira ao intitular o filme como O Homem nas Trevas? Nenhuma. O melhor é aceitar o péssimo nome que o filme ganhou por aqui que dói menos. Afinal de contas, o mérito do filme está todo nas mãos da direção de arte e condução do diretor uruguaio, mas vale ressaltar que a tradução brasileira está cada vez pior. O mais interessante (com muita ênfase na ironia) é o fato do poster conter o nome original, não respire, e a tradução brasileira. Deixando de lado as questões secundárias que devem ser apontadas, o filme possui alguns méritos importantes mencionados acima. A direção de arte reflete de forma competente a atmosfera claustrofóbica que o filme necessita para gerar o suspense no espectador. Cada cômodo da casa é explorado pelo protagonista como se fosse uma fortaleza em que somente ele tem o controle. A trama ganha ritmo a medida que o trio de adolesc...

A temática que causa empatia no espectador (O Roubo da Taça)

O Roubo da Taça possui temas que podem agradar em cheio os espectadores brasileiros: a paixão pelo futebol e a rivalidade entre Brasil e Argentina. A trama gira em torno do protagonista Peralta, um corretor de seguros endividado. Com a ajuda de Borracha, ele decide roubar a taça Jules Rimet guardada no cofre da CBF e com o dinheiro da venda pretende quitar as dívidas acumuladas em várias noites de jogos.  A história tem como principal atrativo a direção de arte. Carros, figurinos e cenários enriquecem a mise in scène . Todo o cuidado para ambientar o espectador de volta os anos 80. Outro aspecto marcante é a paleta de cores escura, sempre evidente quando Peralta joga cartas ou está em sua casa. A paleta modifica nos cenários da delegacia e trabalho do protagonista. Para causar a sensação de perigo e tensão, as cores escuras também estão presentes nas cenas do roubo da taça. Toda a movimentação é filmada em tons quentes, com predomínio do vermelho.  O elenco de O R...

A simplicidade e grandeza de uma bela história (Aquarius)

Poderia ser mais um filme sobre conflitos familiares e cotidiano. Poderia? Sim, Aquarius ressalta esses questionamentos, mas a proposta é a reflexão em ir além do que é projetado na tela. Aquarius não é somente o nome do edifício onde a protagonista mora, mas também é um espaço físico repleto de memórias. Uma construtora tem interesse em realizar um novo projeto no local e precisa que Clara autorize a venda do apartamento. A protagonista recusa todas as ofertas propostas e consequentemente começa a receber diversas ameaças.  O roteiro é costurado ao longo da trama e enfatiza alguns elementos fundamentais para a trajetória e desenvolvimento da narrativa. Alguns enquadramentos de câmera específicos em determinados objetos ressaltam a importância e especificidade para enriquecer o enredo. Diversas chaves, um cômodo, LPS e um som antigo. A ênfase e o close desses objetos nos remetem aos filmes do diretor Denis Villeneuve, onde um simples apito vermelho carrega a intensidade ne...

O individualismo que enfraquece a trama (Star Trek - Sem Fronteiras)

No mais recente filme da franquia Star Trek, J.J. Abrams deixa o comando nas mãos de Justin Lin. Enquanto Abrams fazia no primeiro longa, em 2009, toda campanha pelo retorno da tripulação da U.S.S. Enterprise e apelava para o lado sentimental dos fãs mais afoitos, no terceiro longa, não temos mais a ansiedade gerada no espectador. Ponto positivo para a nova direção que colhe os frutos deixados pelo trabalho árduo de Abrams: entregar dois longas e reativar no imaginário do público mais exigente, fãs de longa data da série, filmes que enfatizassem a aura da série e despertar o interesse do público mais jovem.  O reflexo no acúmulo das bilheterias, mais de 480 milhões, somente nos Estados Unidos, dos dois primeiros longas, nos demonstra que o espectador estava satisfeito com o resultado. Com esta etapa ganha, Justin Lin assume a direção e entrega um trabalho mediano para a nova missão no comando de Capitão Kirk.  Star Trek: Sem Fronteiras tenta repetir algumas questões j...

Uma temática atual com desenvolvimento precário (Nerve)

Quando a introspectiva jovem Vee aceita o primeiro desafio no jogo virtual Nerve, ela precisa beijar um desconhecido em alguns segundos, por mero "acaso", o escolhido é Ian e sua vida ganha outro sentido que foge do tédio juvenil. A partir deste casual encontro, os observadores do jogo instigam o casal propondo novos desafios. Com esta narrativa simplória e atual, a trama de Nerve - Um Jogo sem Regras é apresentada ao espectador .  O que poderia ser mais um filme inserido no universo adolescente explora outra perspectiva nas mãos da dupla Ariel Schulman e Henry Joost. Ambos conseguem transmitir a energia para prender a atenção do público logo no começo da trama utilizando recursos visuais interessantes e cores vibrantes. O mundo virtual é transportado para a tela de forma criativa, interativa e inteligente. A identificação com comentários instantâneos aos desafios superados é visualizado a todo o momento e nos apresenta uma proposta que será incorporada cada vez mais...