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Entretenimento focado em referências (Um Espião e Meio)

Logo no início de Um Espião e Meio as referências são evidentes ao retratar a adolescência dos protagonistas. Muito próxima da linguagem narrativa utilizada em Anjos da Lei com Jonah Hill e Channing Tatum, o universo escolar é abordado pelo contraste de características dos personagens. Dwayne Johnson vive o agente da CIA, Bob Stone que no passado sofria bullying por estar cima do peso, as cenas do protagonista na adolescência são próximas as da filha de Bela na Saga Crepúsculo. A montagem com o rosto do ator em um corpo diferente é , no mínimo, questionável. Kevin Hart vive Calvin Joyner, sempre conhecido como Foguete Dourado, o  mais popular na juventude . Após 20 anos, ambos se reencontram e fica evidente que um ajudará o outro a desvendar uma trama repleta de clichês.   O filme aposta na química da dupla, mesmo que esta não funcione a maior parte do tempo. Individualmente os atores possuem carisma suficiente para segurar os protagonistas, mas quando estão juntos a...

O trash está de volta e veio do mar (Águas Rasas)

Nancy é uma jovem médica que viaja para conhecer o paraíso do qual sua mãe mencionava sempre quando ela ainda estava grávida da jovem. Carlos, um nativo, lhe auxilia com uma carona, mas adverte dos perigos que ela poderá encontrar. No primeiro ato de Águas Rasas, o espectador pode até pensar que está vendo mais um programa de surf destinado para TV paga e o filme realmente apresenta este tom, várias tomadas áreas com o objetivo de explorar a praia paradisíaca da qual não sabemos o nome. Diversos takes de Blake Lively tentando surfar, a atriz passa boa parte do primeiro ato deitada na prancha, com duas cenas dela realmente surfando. Após nadar literalmente "remando" ao encontro das ondas, a jovem sofre o ataque "inesperado" de um tubarão. O restante do filme é a busca e tentativa da protagonista pela sobrevivência ao lutar contra as adversidades e a ameaça maior que vem do mar. No segundo ato, o filme deixa de lado as cenas focadas no ambiente e ...

Muito barulho por nada (Esquadrão Suicida)

Esquadrão Suicida além de inúmeros problemas existentes no filme ainda peca por ser fruto das mudanças e pressões de Hollywood. Guardiões da Galáxia agradou e tinha um quesito que chamava atenção: eram heróis pouco conhecidos do grande público. O tom adotado por Batman Vs Superman foi mais realista e sombrio. Deadpool provou que os filmes do "gênero" - escrevo gênero porque acredito que já está mais do que consolidada a questão, não há como negar que após X-men, em 2000, os filmes de super-heróis só crescem a cada ano, renda fácil para os estúdios, e portanto, um gênero novo está surgindo  - poderiam explorar ao máximo a comicidade dos personagens, mas o mercenário tagarela era totalmente voltado para este tom. Juntar um grupo de heróis desconhecidos e elevar o tom de comédia seria um acerto para a Warner / DC. O problema foi mexer na proposta inicial e modificar tudo o que já estava estabelecido. É o que acontece em Esquadrão Suicida, a trama já estava em andamento e c...

A obra final ou um grande ensaio? (Mãe Só Há Uma)

O mais recente filme da diretora premiada Anna Muylaert transmite a impressão de ser um grande ensaio. Mãe Só Há Uma possui uma estética libertária, uma câmera na mão e atores soltos em cena, realista ao extremo. O problema é que esse realismo soa forçado e muitas vezes mecânico, principalmente nas atuações. Temos uma temática extremamente forte, mas que não é desenvolvida. O roteiro do filme gira em torno do protagonista Pierre que vive o turbilhão de incertezas da adolescência, enquanto toca em uma banda de fundo de garagem. Tudo corria bem até a descoberta que sua mãe Arcay o roubou na maternidade. O conflito gerado pela situação poderia ser explorado com mais intensidade, porém, fica raso nas falas monossilábicas e pausadas do protagonista. Confuso, ele vai para a casa dos novos pais tentar se adaptar a realidade. A simplicidade do roteiro, em um primeiro momento, pode atrair o espectador, mas se perde no decorrer do filme transmitindo a impressão de vazio e falta de dese...

O primo pobre de Match Point (Homem Irracional)

Sabe aquela sensação de ter visto a mesma temática em alguns filme de Wood Allen ? Religiosidade, moralidade, protagonista envolto em um dilema que persiste até o desfecho impactante e banal da trama. Tudo está presente em Homem Irracional. Apesar de fazer filmes com intervalos cada vez mais próximos de qualidade questionável , vale conferir o que Allen tem para oferecer ao espectador. A trama gira em torno de Joaquin Phoenix , um professor universitário desiludido e depressivo que não encontra motivações para a vida. Entre um caso amoroso e outro, ele se aproxima de Emma Stone. Ao escutar uma conversa alheia no café, tudo começa a fazer sentido para o protagonista. Até o momento de epifania, Abel utilizava da racionalidade para explicar seus devaneios e afastar cada vez mais o interesse amoroso de Jill por ele. Após determinado acontecimento, o que poderia ser interessante e envolvente para o espectador fica extremamente entediante. Wood não consegue distinguir o gênero que H...

A inocência que encanta o espectador (A Incrível Jornada de Jacqueline)

A Incrível Jornada de Jacqueline nos convida a embarcar na viagem de Fatah rumo à Paris para realizar um sonho: participar de uma grandiosa feira de Agricultura. No pequeno vilarejo onde mora, na Argélia, o protagonista almeja realizar tamanha façanha e acredita na possibilidade de concretizá-la ao receber uma carta o convidando para finalmente expor Jacqueline, sua vaca de estimação. Sem dinheiro para chegar até Paris, todos os habitantes do local decidem financiar a viagem do protagonista com o animal. Fatah chega até Marselha de barco e o restante da viagem será à pé com sua inseparável companheira. Claro, no trajeto ele encontra inúmeras dificuldades e pessoas interessantes dispostas a ajudá-lo.  No começo da trama somos apresentados ao protagonista com seus costumes e tradições sem nunca deixar de lado o apego e carinho que tem por Jacqueline. Sendo motivo de chacota pelos homens do vilarejo, Fatah não desiste de tentar realizar o sonho de ir à Paris. A trama torna-s...

Entre a liberdade e a fuga do cotidiano. (Educação)

O ano era 1961 e as mulheres obviamente não tinham muitas opções: ou se dedicavam ao máximo para conseguir uma vaga em universidades renomadas ou o casamento com um homem interessante e de poses para fugir do cotidiano da vida suburbana. A jovem Jenny Carey conhece David e sua vida muda. Ele a apresenta ao mundo repleto de descobertas e sofisticação. O deslumbramento cresce a cada dia com o novo romance. Os estudos ficam em segundo plano para que a adolescente viva e presencie o que somente fazia trancada no quarto. Se há pouco tempo a jovem escutava jazz batendo os pés em uma atitude inocente, agora,  Jenny não somente participa de bailes como também está mais inserida e encantada com diversas possibilidades que a vida lhe reserva. Um dos destaques do filme é a direção de arte. O espectador é transportado para os anos 60 em diversos e peculiares detalhes. O papel de parede na casa de Jenny, os vestidos e penteados, toldos de lojas e caros típicos da época. A paleta de co...