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Entre a liberdade e a fuga do cotidiano. (Educação)


O ano era 1961 e as mulheres obviamente não tinham muitas opções: ou se dedicavam ao máximo para conseguir uma vaga em universidades renomadas ou o casamento com um homem interessante e de poses para fugir do cotidiano da vida suburbana. A jovem Jenny Carey conhece David e sua vida muda. Ele a apresenta ao mundo repleto de descobertas e sofisticação. O deslumbramento cresce a cada dia com o novo romance. Os estudos ficam em segundo plano para que a adolescente viva e presencie o que somente fazia trancada no quarto. Se há pouco tempo a jovem escutava jazz batendo os pés em uma atitude inocente, agora,  Jenny não somente participa de bailes como também está mais inserida e encantada com diversas possibilidades que a vida lhe reserva.

Um dos destaques do filme é a direção de arte. O espectador é transportado para os anos 60 em diversos e peculiares detalhes. O papel de parede na casa de Jenny, os vestidos e penteados, toldos de lojas e caros típicos da época. A paleta de cores modifica a medida que a protagonista descobre um novo mundo repleto de sofisticação. A casa de Jenny possui uma fotografia escura. Quando a jovem participa de um leilão ou viaja para Paris, a fotografia modifica e as cores são mais quentes. Reflexo das sensações vividas pela protagonista.

Carey Muligan recebeu merecidamente uma indicação ao Oscar pelo papel. A atriz consegue transmitir com a mesma intensidade o tédio vivido pela adolescente e o deslumbramento com a nova vida que está conquistando. Outro destaque do elenco feminino é Rosamund Pike, que já havia trabalhado com Muligan em Orgulho e Preconceito. A atriz transmite um ar de comicidade e futilidade para Helen. Suas falas retratam perfeitamente a condição da mulher submissa que vive somente em função das aparências e pelo casamento. Peter Sarsgaard também ressalta o tom de inocência para David. Ele se vê encantado com a possibilidade de ter um novo amor com uma pessoa mais jovem e desfrutar os momentos intensos de redescobertas. Um alimenta o desejo presente no outro.


Lone Scherfing não tem pressa em contar a história e os desdobramentos da trama. O clímax pode parecer em um primeiro momento banal, mas reforça ainda mais a situação em que os personagens estão inseridos, uma vida pacata onde pouco acontece. Interessante ressaltar como a diretora explora em várias cenas o reflexo dos protagonistas, seja no vidro embaçado do carro ou nos espelhos. Acompanhamos as descobertas da jovem com planos abertos e a volta para a casa com planos fechados intensificando as frustrações de Jenny.

Educação é um filme de escolhas equivocadas e libertadoras. A trama explora o universo dos protagonistas na busca por algo que complete suas vidas. Ela ganha a liberdade, ele volta ao aprisionamento do cotidiano.


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