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O excesso que prejudica a imersão do espectador (Cherry - Inocência Perdida)

  Cherry - Inocência Perdida é um filme de "novos rumos" para os envolvidos.  Tom Holland  estava com a carreira focada no super-herói da Marvel e os irmãos Russo no topo da notoriedade com o encerramento do universo compartilhado em  Vingadores Ultimato . O próximo passo seria arriscar e sair da zona de conforto. O filme é a oportunidade que o trio precisava para mostrar ao espectador que o passo foi dado. Bom, o passo foi dado, já o resultado... Na trama o espectador acompanha a vida de Nico Walker, um jovem que decide entrar para o exército e ao retornar para a casa precisa lidar com o estresse pós-traumático. Após alguns tratamentos, vale ressaltar o descaso nítido do país ao amparar ex-soldados, o protagonista busca refúgio nas drogas.  Apostar em um elenco jovem é um dos acertos presente na narrativa. Tom Holland está muito bem ao explorar as camadas do protagonista. Existe uma transição entre o Nico introvertido e o Nico dependente químico. A transformaçã...

Renúncias e Recomeços (O Som do Silêncio)

Ruben é baterista em uma banda de rock e vive um drama intenso e decisivo: está perdendo a audição. Aos poucos, o espectador acompanha todas as camadas do protagonista ao tentar retomar a rotina de shows com a companheira Lou. O filme gira em torno do estudo de personagem vivido por  Riz Ahmed , que recebeu uma indicação ao Oscar de melhor ator principal. Como a perda é significativa e gradual, o espectador acompanha o drama do ator de forma intimista vivendo em uma comunidade para a adaptação da nova realidade.  O diretor Darius Marder explora ao máximo a entrega de Riz como protagonista ressaltando o close e a câmera tremida. Os enquadramentos voltados para o close evidenciam a angústia de Ruben e quando o personagem perde por completo a audição os planos são abertos para ressaltar o silêncio. Ao mesmo tempo que acompanhamos o sofrimento de Ruben, outro protagonista, que está presente logo na primeira cena ganha destaque: o desing de som. O plano detalhe em objetos e o ...

O poder do real pela lente ficcional (Nomadland)

 Nomadland é o grande favorito nas principais categorias do Oscar, ao todo foram seis indicações. Mas o que faz o filme de Chloé Zhao ser reconhecido pela Academia? Acredito que seja um conjunto de elementos que envolve o espectador ao acompanhar a jornada de  Francis McDormand  pela estrada em busca de emprego e, principalmente, tentar superar traumas do passado. Na trama Fern perde o emprego em decorrência da crise financeira que afetou os Estados Unidos em 2008. Toda cidade de Empire, em Nevada, entra em colapso quando uma fábrica de materiais de construção vai à falência. Desempregada e sem vínculos afetivos, Fern decide viver de cidade em cidade estabelecendo laços passageiros em cada parada. O conjunto de elementos narrativos que torna Nomadland tão sensível aos olhos do espectador começa pela atuação de Francis McDormand que entrega uma das melhores atuações de sua carreira. Francis ressalta um olhar melancólico e terno para Fern. Os pequenos detalhes transformam a...

Muito barulho por poucas cenas (Malcolm and Marie)

Roteiros com diálogos que estabelem ritmo ao filme podem ser uma faca de dois gumes: ou prendem o espectador por completo ou o afastam de vez. Infelizmente, Malcolm e Marie se encaixa na segunda opção. A DR do casal protagonista cansa um bucado por explorar temáticas repetitivas em diálogos que adotam ciclos que nunca possuem desfecho. Na trama, Malcolm é um diretor que acaba de chegar da festa de lançamento de um recente filme. Nos agradecimentos ele esquece de mencionar Marie. É o que basta para o começo das discussões entre o casal.  O roteiro foca somente nos protagonistas e para que a trama tenha o envolvimento necessário do espectador os atores precisam estar em sintonia. Outro conflito que prejudica e muito o ritmo do filme: os atores. A sensação que cada cena transmite é que um ator está sempre aguardando a deixa do outro para a cena fluir. Uma pena que não existe conexão e química entre Zendaya e John David Whashignton. Não há sintonia entre os atores, somente uma pequena...

Tenho um longo caminho pela frente (Saint Maud)

Não me recordo exatamente o ano que assisti O Exorcista, mas lembro de cada cena e o medo que crescia à medida que a garotinha era possuída pelo demônio. O tempo passou e o trauma continuou. Sei que filmes do gênero terror provocam incômodo como parte fundamental da experiência, porém, sempre foi prejudicada justamente pelo Medo. O medo me tirava completamente da imersão. Eu cerrava os olhos e não conseguia ver mais nada. Filmes de terror com viés religioso sempre foram o meu calcanhar de Aquiles. O Exorcista marcou minha relação com o gênero e até hoje fico com receio em assistir filmes com essa temática. Tenho tentado me envolver na experiência e de uns tempos para cá o terror psicológico é uma verdadeira tentação, no bom sentido, dentro do gênero. Trocadilhos à parte, Saint Maud é um filme com o viés religioso que vai além e provoca o espectador de diversas formas intensificando o terror psicológico vivido por Maud. Após sofrer um trauma cuidando de um paciente, a jovem enfermeira M...

O ícone merece mais, muito mais... (Mulher-Maravilha 1984)

Diz o ditado que em time que está ganhando não se mexe, então voltam todas as peças que fizeram Mulher - Maravilha dar certo para o segundo filme solo da heroína. Patty Jenkings, na direção e Gal Gadot, como protagonista. O que poderia dar errado? Sempre afirmo que se a base, o roteiro, não for bom tudo desanda de tal forma que os demais elementos gritam por atenção. É o caso de Mulher-Maravilha 1984, que tem como maior vilão justamente a base. Na trama a heroína enfrenta dois vilões e reencontra o amor verdadeiro ao fazer um desejo para uma pedra diferenciada. Diana deseja a volta de Steve; Barbara quer ser como Diana e Maxell almeja poder. Com os desejos devidamente concedidos tudo foge do controle. O roteiro também escrito por Patty explora várias subtramas e não consegue manter o foco ao desenvolvê-las. Barbara deseja ser atraente como Diana e após algumas cenas ganha a notável habilidade de andar com salto alto. Essa é a maior habilidade de Diana? Vários diálogos são estabelecido...

Poucos como Vinterberg... (Druk)

Quando o diretor entra em sintonia com o ator, a parceria é estabelecida e se os demais elementos narrativos estiverem em harmonia, o trabalho rende bons frutos. É o caso de Thomas Vinterberg e  Mads Mikkelsen . O ator cresce consideravelmente nas mãos do diretor. Podemos constatar mais uma vez como a sintonia funcionou perfeitamente em Druk. Na trama quatro professores decidem participar de um estudo. Todos devem ingerir 0.5% de álcool por dia evitando somente finais de semana. O estudo é registrado pelo psicólogo Nicolaj. No começo a euforia é nítida, os professores ficam mais soltos e agradáveis com os alunos, as aulas tornam-se divertidas e relações de afeto são estabelecidas. Mas à medida que a quantidade de álcool aumenta, as consequências ficam irreversíveis. Casamentos são desfeitos, o grau de constrangimento intensifica, a negação do alcoolismo surge e mesmo após o fim o estudo o pior acontece marcando a amizade do quarteto.  O roteiro de  Thomas Vinterberg ...