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Muito barulho por poucas cenas (Malcolm and Marie)



Roteiros com diálogos que estabelem ritmo ao filme podem ser uma faca de dois gumes: ou prendem o espectador por completo ou o afastam de vez. Infelizmente, Malcolm e Marie se encaixa na segunda opção. A DR do casal protagonista cansa um bucado por explorar temáticas repetitivas em diálogos que adotam ciclos que nunca possuem desfecho. Na trama, Malcolm é um diretor que acaba de chegar da festa de lançamento de um recente filme. Nos agradecimentos ele esquece de mencionar Marie. É o que basta para o começo das discussões entre o casal. 

O roteiro foca somente nos protagonistas e para que a trama tenha o envolvimento necessário do espectador os atores precisam estar em sintonia. Outro conflito que prejudica e muito o ritmo do filme: os atores. A sensação que cada cena transmite é que um ator está sempre aguardando a deixa do outro para a cena fluir. Uma pena que não existe conexão e química entre Zendaya e John David Whashignton. Não há sintonia entre os atores, somente uma pequena pausa para uma nova briga. As falas estam decoradas, tudo ensaiado, mas não existe veracidade. Somente os atores expondo "sentimentos" nas entrelinhas. A construção do casal é baseada em opostos. Marie é melancólica; já Malcolm é pura explosão. Imagino como deve ter sido desgastante fazer a cena em que Malcolm reage à primeira crítica do filme. John acaba a cena exausto e ofegante. Já Zendaya consegue equilibrar melhor as emoções da personagem e deixa o espectador sempre aguardando os monólogos de Marie. Existe pausa nos momentos de explosão da atriz. 




A direção acompanha o casal pelos cômodos da casa e os movimentos de câmera exploram ao máximo os atores. São closes que reforçam ainda mais a falta de entrosamento dos personagens. Outro elemento narrativo que exalta ainda mais os opostos do casal é a fotografia. O preto e branco ressalta a atmosfera intimista presente na narrativa, mas a todo instante evidência ainda mais o esforço dos atores na defesa dos personagens, o que prejudica novamente o ritmo da narrativa.

Fica evidente que o trio, diretor e a dupla de protagonistas, possuem uma intensidade ao realizarem o projeto e tal sentimente tenha prejudicado e muito a narrativa como um todo. A intensidade reflete na direção em não proporcionar pausas para o espectador sentir o sofrimento do casal. Sam liga a câmera e deixa fluir eternas discussões tendo como base um roteiro que somente joga questionamentos sem o devido aprofundamento. A intensidade também prejudica o trabalho de John que por diversos momentos tenta fazer malabarismos com a quantidade de monólogos de Malcolm. E Zendaya é o destaque do trio que consegue equilibrar intensidade com as emoções de Marie. Malcolm e Marie é uma narrativa que explora o barulho enquanto o espectador aprecia poucas cenas de respiro e conexão do trio.

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