Pular para o conteúdo principal

Postagens

Tudo é uma grande homenagem (O que fazemos nas sombras)

Viago, Vladislav, Deacon e Petyr. Quatro vampiros de idades distintas vivendo no mundo dos meros mortais. A proposta de O Que Fazemos Nas Sombras é apresentar ao espectador um pouco da vida dos vampiros com um documentário. Dois câmeras registram o cotidiano dos vampiros de forma realista. O ideal é transmitir com "naturalidade" para o espectador um pouco de como os quatro amigos, antes de serem vampiros, são basicamente no período noturno. Jemaine Clement e Taika Waititi são os donos do longa. A dupla está envolvida em basicamente todas as funções possíveis no filme. Os gêneros predominantes, o terror e a comédia, nos envolvem de tal maneira que o documentário passa rapidamente.  A dupla presta uma homenagem aos monstros da sétima arte. O foco são os vampiros, mas entre os atos outros monstros surgem no documentário. O roteiro propõe ao espectador saber mais sobre os quatro amigos. Os arcos dos personagens são bem desenvolvidos e todos possuem a devida importância na...

A ausência de conexão (Bohemian Rhapsody)

A abertura com o nome do estúdio embalada por acordes específicos de uma música marcante para o Rock Mundial. Assim começa mais um filme da Fox. O espectador entra imediatamente no universo da banda que influenciou gerações. A trama conta um período específico da vida de Freddie Mercury. O início, quando o vocalista entra para a banda desconhecida substituindo o vocalista, até o ápice, no momento em que o vocalista descobre ser portador do vírus HIV.  Bohemian Rhapsody é um filme que o espectador aos poucos vai se acostumando com o que é proposto por Bryan Singer. O visual de Rami Malek causa impacto no primeiro momento, especialmente pela dentadura. A direção no auge do brega de Singer ressaltando ao máximo a persona do cantor. A fotografia que enfatiza ainda mais o brega do diretor com atores imersos por uma paleta de cores quentes. Sem deixar de mencionar o mais envolvente que irá atrair grande público para os cinemas: a música de Queen. Todos esses elementos causam est...

Um grande passo na imersão do espectador (O Primeiro Homem)

Na primeira cena de O Primeiro Homem os elementos narrativos saltam aos olhos do espectador e provocam uma imersão imediata com a narrativa. Tudo para que o público sinta as emoções e frustrações de Neil Armstrong. A montagem de Tom Cross torna-se protagonista durante todo o filme e, na primeira cena, ela dita o ritmo constante da produção. Damien Chazelle também reforça o ritmo com uma autoria madura. A trama foca no protagonista Neil Armstrong e o fato histórico da chegada do homem à lua. Além de ressaltar as tentativas frustradas dentro da Apollo 11, o roteiro de Josh Singer reforça a humanidade do protagonista na personagem representada pela atriz Claire Foy. Janet é o elo que situa Neil na terra enquanto seu foco sempre está na lua. A alternância entre os arcos dos personagens também é reforçada novamente pela montagem. Por enfatizar ao menos três tentativas frustradas, conflitos familiares, aspectos econômicos e sociais, o roteiro torna o filme longo, mas em momento alg...

Uma tocante inversão de papeis (Meu Anjo)

Marion  Cotillard é uma atriz extremamente versátil e firme em papeis dramáticos. O nome da atriz chama atenção em Meu Anjo, mas quem realmente rouba o filme é a pequena Ayline Aksoy- Etaix como Eli. Logo na primeira cena o espectador percebe a inversão de papeis entre mãe e filha. Marlène é a mãe, porém em todo o filme se porta como filha. É Eli que fica preocupada com a ausência da mãe que não retorna para casa, ela que canta para a mãe adormecer, ela que a acaricia e é ela que busca a todo momento a demonstração de carinho que a mãe não proporciona. Com a inversão total de papeis Marion propositalmente torna-se coadjuvante para que a pequena Ayline seja a protagonista da trama.  Ao propor no primeiro ato a inversão de papeis para envolver o espectador na trama, a diretora Vanessa Filho utiliza planos que reforçam o olhar distante e repleto de mágoa de Eli. Sempre buscando a presença física da atriz, a diretora ressalta o estudo de personagem da garotinha de oito ano...

Vida longa ao psicopata mascarado (Halloween)

Um clássico do terror está de volta, com a clara intenção de conquistar novos fãs. Jason, Freddy e Michael. Três figuras emblemáticas e marcantes no imaginário do espectador. No filme de 78, o público não sabia a motivação do pequeno Michael em matar a facadas a irmã adolescente. A ausência desse aspecto no roteiro de John Carpenter não prejudicou a trama, pois o que realmente importava no clássico era a atmosfera que surgia em cada cena. Quarenta anos após o lançamento, o diretor David Gordon Green propõe ao público um retorno ao passado e busca referências importantes no clássico para dar continuidade a trama de Laurie e Michael. Halloween tenta revisitar a atmosfera de 78 e consegue com grande êxito.  A trama foca na personagem de Jamie Lee Curtis que ficou traumatizada e obcecada pela segurança da pequena Karen. Aos oito anos, a pequena garotinha no lugar das bonecas "brincava" de atirar e lutar. A justificativa de Laurie era a segurança da filha. A mãe perde a gu...

O envolvimento do espectador (Nasce uma Estrela)

Nasce Uma Estrela não é sobre a ascensão de uma jovem artista e a decadência de um cantor talentoso. Na realidade o filme é sobre a ascensão de Bradley Cooper que desmontra para o espectador o quanto pode ser excelente em outras áreas da sétima arte. Cooper é protagonista, produtor, diretor e roteirista. Logo na primeira cena o diretor enfatiza a personalidade de Jackson em uma câmera instável que tenta focar no protagonista. A câmera procura Jackson a todo instante quando o protagonista está sozinho no palco. Sozinho ele perde o chão em consequência do alcoolismo. Jackson encontra Ally em um bar. A voz da jovem o encanta de tal forma que o inevitável acontece: o encontro nos palcos e fora dele.   O roteiro de Coopler sabiamente explora a intimidade de Ally e Jackson de forma tão sensível que o espectador se vê inserido na trama. Após o primeiro ato o público está totalmente envolvido pelo casal de "protagonistas". Protagonistas entre aspas, muitas aspas, pois o ...

Uma tentativa frustrante (Venom)

Tom Hardy é um ator do método. Aquele ator que fica no personagem por um bom tempo durante as filmagens de um longa. Acredito que por essa razão ele se encaixou como uma luva no protagonista Eddie Brock. O jeito de andar meio desajeitado e o humor são marcas registradas do personagem. Eddie é um repórter raro nos dias atuais, ele é um jornalista investigativo. Ao abrir um email da namorada com dados sigilosos sobre os experimentos realizados na empresa de Dr. Carlton, Brock o pressiona, conclusão: perde o emprego e a namorada no mesmo dia.  Para surfar na crista da onda, vários atores renomados de Hollywood buscam entrar no universo das adaptações de histórias em quadrinhos. Tom Hardy já havia feito um vilão na trilogia de Christopher Nolan. Bane era um coadjuvante dentro do roteiro com uma gama vasta de personagens. Aqui, o ator toma o filme para si e é de longe um dos poucos acertos da trama. A composição de Tom Hardy para Eddie é um equilíbrio entre o caricato e a busca ...