Pular para o conteúdo principal

A sombra (O Assassino)


O novo filme de David Fincher O Assassino, adaptação de uma série de Hqs francesa, criada por Alexis Nolent, apresenta o protagonista explorando a sutileza dos elementos narrativos. Temos a narração em off que causa certa empatia. O timbre na voz de Michael Fassbender transmite a frieza do personagem, o recurso está ali para "justificar o didatismo dos métodos". Quando algo inesperado acontece, a narração mantém o timbre com poucas nuances, ressaltando o fato do matador eliminar alvos e, nas horas vagas, carboidratos.

Não se engane com blusas estampadas, um disfarce perfeito, sempre que o protagonista elimina um alvo, o preto toma conta aos poucos do assassino, como se cada peça nos mostrasse o matador por completo, sua essência: coberto pela sombra da morte. O encontro com o último alvo reforça a transparência do protagonista. O foco é trabalhar com as emoções da vítima, não ter empatia. E o figurino de Fassbender na cena? Todo preto.


A direção de David Fincher cria uma atmosfera tensa  intensificando o estudo de personagem. O diretor praticamente entrega o filme nas mãos de Michael Fassbender. O olhar vazio, o andar robótico. Toda ênfase no trabalho do ator ganha força no close, como se Fincher entrasse na intimidade do protagonista. 

O Assassino é um estudo de personagem que nos envolve pelo conjunto, o todo. Não sabemos se quer o nome do protagonista, porém fica a pergunta: Precisa? O preto ganha a tela aos poucos mostrando a essência do matador. Uma blusa azul? O protagonista está mais leve ao lado de Shofie Charlotte? Mesmo que a personagem esteja solta no roteiro, a piscadinha pode ser uma pista, na ausência da recompensa.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

E o atendente da locadora?

Tenho notado algo diferenciado na forma como consumimos algum tipo de arte. Somos reflexo do nosso tempo? Acredito que sim. As mudanças não surgem justamente da inquietação em questionar algo que nos provoca? A resposta? Tenho minhas dúvidas. Nunca imaginei que poderia assistir e consumir algum produto em uma velocidade que não fosse a concebida pelo autor. A famosa relíquia dos tempos primórdios, a fita VHS, também nos aproximava de um futuro distópico, pelo menos eu tinha a sensação de uma certa distopia. Você alugava um filme e depois de assistir por completo, a opção de retornar para a cena que mais gostava era viável. E a frustração de ter voltado demais? E de não achar o ponto exato? E o receio de estragar a fita e ter que pagar outra para o dono da locadora? Achar a cena certinha era uma conquista e tanto. E o tempo...bom, o tempo passou e chegamos ao DVD. Melhoras significativas: som, imagem e, pasmem, eu poderia escolher a cena que mais gostava, ou adiantar as que não apreciav...

Entretenimento focado em referências (Um Espião e Meio)

Logo no início de Um Espião e Meio as referências são evidentes ao retratar a adolescência dos protagonistas. Muito próxima da linguagem narrativa utilizada em Anjos da Lei com Jonah Hill e Channing Tatum, o universo escolar é abordado pelo contraste de características dos personagens. Dwayne Johnson vive o agente da CIA, Bob Stone que no passado sofria bullying por estar cima do peso, as cenas do protagonista na adolescência são próximas as da filha de Bela na Saga Crepúsculo. A montagem com o rosto do ator em um corpo diferente é , no mínimo, questionável. Kevin Hart vive Calvin Joyner, sempre conhecido como Foguete Dourado, o  mais popular na juventude . Após 20 anos, ambos se reencontram e fica evidente que um ajudará o outro a desvendar uma trama repleta de clichês.   O filme aposta na química da dupla, mesmo que esta não funcione a maior parte do tempo. Individualmente os atores possuem carisma suficiente para segurar os protagonistas, mas quando estão juntos a...

Spielberg faz a magia do cinema acontecer nas telas (West Side Story)

Se existe um diretor que sabe dançar conforme o mercado é Steven Spielberg. No começo da carreira o diretor compreendeu o que Holywood queria e lançou Tubarão. Claro que na época, Spielberg não imaginava que a sugestão do terror causaria tamanha expectativa no público. Conclusão: Tubarão foi um dos maiores sucessos de bilheteria americanos e consolidou o termo blockbuster nos cinemas. O mesmo diretor de sucessos comerciais também nos apresentou filmes emblemáticos como A Cor Púrpura e A Lista de Schindler, quando ganhou o primeiro Oscar na direção e melhor filme. Mas imaginar que o diretor fosse dirigir um musical seria um tanto quanto improvável. E não é que Spielberg  prova mais um vez que não é um dos maiores diretores da atualidade à toa, ele simplesmente proporcionou ao remake do clássico West Side Story, de 1961, a modernidade necessária e acima de tudo imprime assinatura. Spielberg está de volta com grandes chances de levar o Oscar.  O remake segue a mesma cartilha do o...