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É previsível demais, né meu filho? (O Resgate)


O Resgate segue a fórmula dos filmes de ação: conflitos internos perturbam a vida do protagonista enquanto ele é contratado para resgatar alguém de preferência um adolescente. Na década de 80, o resgate era de uma mulher indefesa que virava o interesse amoroso do protagonista. O problema desse novo filme da Netflix é que os envolvidos são competentes em suas áreas, Joe Russo é excelente na direção; e Sam Hargrave como dublê; porém ao assumirem respectivamente roteiro e direção, o espectador sente a previsibilidade e o cuidado somente com as cenas de ação.

Seguir a fórmula não é o problema, em Herança de Sangue, Mel Gibson é um clichê ambulante ao tentar salvar a filha e o filme funciona de forma eficiente. O Resgate aproveita a crista da onda de Chris Hemswortth como protagonista dos filmes da Marvel e explora ao máximo a figura do ator. O filme só ganha com a presença do astro que apresenta ao espectador um Tyle de forma contida. Sempre entorpecido pela bebida, ele vê no jovem Ovi um motivo para continuar. A química entre os atores é o que move boa parte da narrativa. Se o filme ganha com a interação dos atores, o roteiro é o calcanhar de Aquiles ao abusar da previsibilidade toda vez que um coadjuvante é explorado. Nik e Gaspar são os piores personagens da trama. Nik não é a mulher indefesa, o que é um ótimo sinal, porém, a personagem só aparece em closes para tirar e colocar os óculos escuros, enquanto Gaspar surge no meio do segundo ato e logo sabemos o desfecho do personagem.



Joe Russo assume o roteiro e apresenta uma trama que destaca a ação. A narrativa avança para várias localidades, o que pode ser visto nos filmes de Capitão América. Já Sam Hargrave intensifica as cenas de ação fazendo com que o espectador fique imerso no ritmo do filme. Ah, claro, o plano-sequência. Sim, a cena realmente chama atenção e desvia o olhar do público dos equívocos presentes no filme como um todo. Mas O Resgate possui um único objetivo: foco nas cenas de ação. Sempre destaco a franquia Bourne como exemplo de filmes do gênero que ressaltam a qualidade do roteiro mantendo o ritmo. Ápos o término, vale parafrasear Dráuzio Varella:" É previsível demais, né meu filho?".

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