Pular para o conteúdo principal

Dulcina vive intensamente em cada artista (Dulcina)


A diretora Glória Teixeira conta a trajetória de Artista Dulcina de Moraes em um documentário que alterna ficção e realidade. A diretora mescla depoimentos de companheiros dos palcos, alunos e atrizes interpretando a protagonista. As atrizes que interpretam Dulcina também são entrevistadas para relatar momentos memoráveis da atriz. Dentre as características que permeiam todos os depoimentos estão o bom humor e a rigidez da artista com os alunos. Quando o documentário foca em alunos da faculdade em Brasília, alguns relatavam que Dulcina chegava a dar tapas na cara dos alunos quanto eles não faziam o que ela queria. 

Sou atriz e minha primeira peça de teatro foi no Teatro Dulcina, no Conic. Sabia da dimensão da Artista que leva o nome do teatro, porém com o documentário a importância de Dulcina para as artes cênicas brasileira me fez repensar o quanto significou ter pisado em um palco tão significativo. A Artista vendeu tudo que tinha no Rio para fincar raízes em Brasília. O teatro ganhou o cerrado com a construção da Capital Federal. Dulcina falava que precisava levar o teatro para a população que chegava ao centro do país. A protagonista sempre teve a arte nas veias e o apoio do companheiro em todos os projetos. Com o falecimento do marido, Dulcina ficou um pouco reclusa e após alguns anos Brasília a fez respirar arte novamente. Em vários depoimentos companheiros de palco ressaltaram a alegria da Artista em dar aulas e ensinar o ofício.

Foi Dulcina que oficializou a profissão e estabeleceu as segundas como descanso para os profissionais. Nicette Bruno e Suely Franco reforçam a oportunidade que a atriz as proporcionou no início da carreira. Além das atrizes, em quase todos os depoimentos as falas dos entrevistados ressaltam o vigor e dedicação da atriz que passou a vida toda nos palcos. Fernanda Montenegro  era amiga íntima de Dulcina e relembrou que as atrizes eram tidas como prostitutas e que graças a Dulcina a categoria teve o devidoreconhecimento e valor. Infelizmente, somente alguns artistas foram ao velório de Dulcina em Brasília e destacaram em entrevistas a importância e dimensão do nome Dulcina para o teatro Brasileiro. 


De tempos em tempos a faculdade Dulcina de Moraes em Brasília passa por dificuldades e ameaça fechar as portas por falta de verbas. Uma tristeza toma conta dos artistas que em seus depoimentos ressaltam a importância da figura de Dulcina. A ficção no documentário ganha tons em forma de homenagens pelas atrizes que interpretam a Artista. O documentário mescla esses momentos com interpretações inspiradas que proporcionam uma pausa poética nos depoimentos. Por mais que tentem camuflar a figura de Dulcina, Ela vive intensamente no coração de cada artista brasileiro. 

Filme visto no 52º Festival de Brasília / Mostra Brb 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Entretenimento focado em referências (Um Espião e Meio)

Logo no início de Um Espião e Meio as referências são evidentes ao retratar a adolescência dos protagonistas. Muito próxima da linguagem narrativa utilizada em Anjos da Lei com Jonah Hill e Channing Tatum, o universo escolar é abordado pelo contraste de características dos personagens. Dwayne Johnson vive o agente da CIA, Bob Stone que no passado sofria bullying por estar cima do peso, as cenas do protagonista na adolescência são próximas as da filha de Bela na Saga Crepúsculo. A montagem com o rosto do ator em um corpo diferente é , no mínimo, questionável. Kevin Hart vive Calvin Joyner, sempre conhecido como Foguete Dourado, o  mais popular na juventude . Após 20 anos, ambos se reencontram e fica evidente que um ajudará o outro a desvendar uma trama repleta de clichês.   O filme aposta na química da dupla, mesmo que esta não funcione a maior parte do tempo. Individualmente os atores possuem carisma suficiente para segurar os protagonistas, mas quando estão juntos a...

Spielberg faz a magia do cinema acontecer nas telas (West Side Story)

Se existe um diretor que sabe dançar conforme o mercado é Steven Spielberg. No começo da carreira o diretor compreendeu o que Holywood queria e lançou Tubarão. Claro que na época, Spielberg não imaginava que a sugestão do terror causaria tamanha expectativa no público. Conclusão: Tubarão foi um dos maiores sucessos de bilheteria americanos e consolidou o termo blockbuster nos cinemas. O mesmo diretor de sucessos comerciais também nos apresentou filmes emblemáticos como A Cor Púrpura e A Lista de Schindler, quando ganhou o primeiro Oscar na direção e melhor filme. Mas imaginar que o diretor fosse dirigir um musical seria um tanto quanto improvável. E não é que Spielberg  prova mais um vez que não é um dos maiores diretores da atualidade à toa, ele simplesmente proporcionou ao remake do clássico West Side Story, de 1961, a modernidade necessária e acima de tudo imprime assinatura. Spielberg está de volta com grandes chances de levar o Oscar.  O remake segue a mesma cartilha do o...

Muita Elisabeth para pouco roteiro (O Homem Invisível)

O Homem Invisível é um filme com temática voltada para o público feminino. A contextualização em que a trama é ambientada envolve o espectador por explorar o relacionamento abusivo que a protagonista sofre. Cecilia Kass é uma arquiteta que se vê ameaçada a largar tudo o que conquistou e a própria liberdade para viver com Adrian Griffin. Não sabemos muito sobre a vida do casal, pois a narrativa desde os primeiros momentos é voltada exclusivamente para o arco de Elisabeth Moss . No primeiro ato a tentativa quase frustrada da protagonista em abandonar o marido reflete a constante presença de Adrian mesmo que ele não esteja presente fisicamente, ele está vivo no tormento da protagonista. Aos poucos Cecilia consegue retomar a rotina de simplesmente pegar a correspondência fora de casa. A personagem vive temporariamente com James e Sydney até estar segura para o convívio social.  O roteiro modifica várias vertentes presentes no clássico de 1933, o que pode ser analisado pelo vié...