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A luta pelo amor paterno (10 Segundos para Vencer)


Duelo na vida. Duelo nos ringues. A trama de 10 Segundos Para Vencer gira em torno dos duelos pessoal e profissional de Éder Jofre. A cinebiografia do ex-pugilista ganha às telas com muito melodrama. Mas qual vida não é repleta de uma boa dose de drama? A família humilde de São Paulo passa por dificuldades quando um dos irmãos de Éder é diagnosticado com câncer no estômago. O protagonista deseja cursar faculdade, mas o boxe fala mais alto. O boxe está no sangue dos Jofre. Na trama, os elementos narrativos são positivos, mas o melodrama em determinados momentos torna-se um grande obstáculo para o espectador.   

Passar por toda vida de Éder é resgatar o desejo de um garoto que queria um carrinho de presente até o pai de família que sempre esteve dividido entre o esporte e a ausência dentro de casa. O ritmo do longa é mais intenso nos primeiros minutos, porém, logo dá lugar ao ritmo mais cadenciado para que o espectador acompanhe os diversos momentos marcantes de Éder. O ritmo pode cansar o público entre os atos, mas a câmera de José Alvarenga reforça o primeiro plano e sempre resgata o espectador para dentro dos ringues, ou melhor, para dentro da trama. As coreografias das lutas são muito próximas do real. Como o protagonista ressalta em um dos primeiros encontros com a futura esposa: "Boxe é dança.". As cenas de luta possuem agilidade e diversos ângulos para proporcionar movimentos de dança verossímeis. Alternar cenas de arquivo também auxilia na credibilidade do trabalho do elenco.

Outro elemento narrativo que destaca a dramaticidade no longa é a fotografia. Quando o roteiro foca no esportista, a paleta de cores é quente e dialoga com a aproximação do espectador na trama. A câmera toma distanciamento quando Éder trabalha fingindo lutar em um circo ou quando o irmão do protagonista está no hospital. O azul toma conta da tela proporcionando frieza e melancolia. Um dos principais destaques de 10 Segundos Para Vencer é o cuidado da direção de arte. A academia de Kid é precária e o espectador observa cada detalhe. As rachaduras nas paredes e o desgaste da pintura. Na casa humildade da família, os cômodos apertados reforçam a sensação de sufocamento. Após ser campeão mundial, a casa de Éder ganha um ar sofisticado, mas com cores sóbrias e sem vida. Quando o protagonista volta a lutar o corte de cabelo e figurino casam perfeitamente com a época proposta. 


O duelo do espectador com o melodrama é constante no longa. Durante todo o filme, o primeiro plano, câmera lenta e o foco no rosto dos atores são fundamentais, mas acaba proporcionando ao todo um exagero desnecessário. Não chega a prejudicar o restante dos demais elementos narrativos, mas sempre evidenciar um close com a trilha sonora de fundo cansa demais o espectador. O melodrama é necessário em cinebiografias, mas o exagero não é bem-vindo. O que faz o exagero ser interessante em alguns momentos é o desempenho dos atores. Daniel de Oliveira e Osmar Prato seguram o principal duelo do filme. O duelo pessoal. Os atores estão firmes e entregues para a relação conflituosa entre pai e filho.

10 Segundos Para Vencer peca no exagero do melodrama em diversos momentos. O melodrama é praticamente inevitável em cine biografias, mas quando explorado em benefício da trama, o filme torna-se grandioso. Aqui, a grandiosidade está na direção de arte e nas atuações. Daniel de Oliveira e Osmar Prado travam o verdadeiro duelo que cativa o espectador: o duelo pessoal. O Galinho de Ouro está no Hall dos melhores boxeadores do mundo, porém, a luta mais difícil de todas, ele venceu nos últimos segundos, a luta pelo reconhecimento e o amor paternal. 

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