Pular para o conteúdo principal

Sorrisos embargados de emoção (O Palhaço)


"O gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço!" Esta frase pronunciada pelo protagonista Benjamin, no filme o Palhaço, resume a trajetória do personagem de Selton Mello, porém a palavra palhaço poderia ser facilmente substituída por talentoso. Seria redundante reafirmar o talento de Selton como ator, mas sua empreitada na direção cresce a cada filme realizado.

O diretor mostra firmeza ao conduzir a trama e explorar a riqueza de cada personagem. São vários, o que em determinado momento pode tornar o filme extremamente confuso, mas Selton consegue extrair de cada ator o essencial, e assim, nos apresentar pessoas simples e ao mesmo tempo complexas. Cada personagem possui seu momento para explorar características e trejeitos particulares em cenas que encantam o espectador. Em vários momentos nos envolvemos com cada arco paralelo e participações especiais de atores consagrados ou esquecidos do público.


A riqueza de detalhes do roteiro e o comprometimento do elenco são à base de O Palhaço. As gargalhadas do espectador intercalam com momentos de extrema emoção vivenciados pelo protagonista. Selton consegue transmitir a simplicidade e ternura do personagem, mas também a angústia de se anular para viver em função dos demais ao seu redor. Em uma cena cativante Benjamin diz: ”Eu faço os outros rirem, mas quem vai me fazer rir?”. Este momento de reflexão faz o espectador participar ainda mais da trama retratada.

Conflitos internos do protagonista ganham intensidade e dramaticidade na metade da trama, onde Selton consegue explorar perfeitamente um lado mais introspectivo do personagem. O ambiente circense é somente o pano de fundo para a jornada do protagonista, com um toque a La Almodóvar, digno de cores vibrantes e intensas. O filme enche os olhos do espectador de encantamento e emoção.

Comentários

Paulo de Tarso disse…
Filme é bom, mas o Moacir Franco tá demais. O melhor do filme...

Postagens mais visitadas deste blog

E o atendente da locadora?

Tenho notado algo diferenciado na forma como consumimos algum tipo de arte. Somos reflexo do nosso tempo? Acredito que sim. As mudanças não surgem justamente da inquietação em questionar algo que nos provoca? A resposta? Tenho minhas dúvidas. Nunca imaginei que poderia assistir e consumir algum produto em uma velocidade que não fosse a concebida pelo autor. A famosa relíquia dos tempos primórdios, a fita VHS, também nos aproximava de um futuro distópico, pelo menos eu tinha a sensação de uma certa distopia. Você alugava um filme e depois de assistir por completo, a opção de retornar para a cena que mais gostava era viável. E a frustração de ter voltado demais? E de não achar o ponto exato? E o receio de estragar a fita e ter que pagar outra para o dono da locadora? Achar a cena certinha era uma conquista e tanto. E o tempo...bom, o tempo passou e chegamos ao DVD. Melhoras significativas: som, imagem e, pasmem, eu poderia escolher a cena que mais gostava, ou adiantar as que não apreciav...

Entretenimento focado em referências (Um Espião e Meio)

Logo no início de Um Espião e Meio as referências são evidentes ao retratar a adolescência dos protagonistas. Muito próxima da linguagem narrativa utilizada em Anjos da Lei com Jonah Hill e Channing Tatum, o universo escolar é abordado pelo contraste de características dos personagens. Dwayne Johnson vive o agente da CIA, Bob Stone que no passado sofria bullying por estar cima do peso, as cenas do protagonista na adolescência são próximas as da filha de Bela na Saga Crepúsculo. A montagem com o rosto do ator em um corpo diferente é , no mínimo, questionável. Kevin Hart vive Calvin Joyner, sempre conhecido como Foguete Dourado, o  mais popular na juventude . Após 20 anos, ambos se reencontram e fica evidente que um ajudará o outro a desvendar uma trama repleta de clichês.   O filme aposta na química da dupla, mesmo que esta não funcione a maior parte do tempo. Individualmente os atores possuem carisma suficiente para segurar os protagonistas, mas quando estão juntos a...

Um sopro inovador em Hollywood (Buscando...)

Buscando... é uma trama que presa pelos detalhes, eles estão todos na tela e aos poucos tudo se encaixa como peças de um quebra-cabeça. O envolvimento do espectador é imediato. Com um ritmo constante o público conhece e se conecta com os dilemas da jovem Margot. Com a morte da mãe, a adolescente sempre mantém contato com o pai por mensagens no celular e ligações. David começa a ficar preocupado quando a filha não retorna para casa e logo o pai pede ajuda da polícia para tentar encontrar a filha.  O roteiro do diretor Aneesh Chaganty e de Sev Ohanian ressalta detalhes e  provoca o envolvimento do espectador. Todos são suspeitos do desaparecimento de Margot. Os roteiristas exploram um equilíbrio interessante entre comédia e tensão. David faz uma investigação paralela entrando no computador da filha. A conexão com a vida real do espectador é imediata. David busca amigos e vídeos em diversas redes sociais da filha. A medida que David consegue ligar os pontos e conhecer um...