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A ausência de sentimentos (Sem Amor)

Frieza interna e externa. Árvores secas. Ausência de folhas. Somente galhos sem vida. É o perfeito reflexo da relação entre Zhenya e Boris. A vida da protagonista é virtual e o marido mergulha no cotidiano e tédio do trabalho. Como se não bastasse a distância física, Boris precisa manter o casamento para permanecer no emprego. O chefe não aceita funcionários divorciados, o que torna a relação insustentável. Alyosha, o filho adolescente do casal, não retorna para a casa e uma "fria" preocupação abate ambos. Sem Amor incomoda o espectador ao longo de toda a narrativa. É constante a sensação de indignação pelo posicionamento dos pais com relação ao filho. O roteiro é direto e bruto. Os personagens não poupam palavras para destilar todo o ódio que sentem um pelo outro. Alyosha está imerso no turbilhão de ofensas. Não é por acaso que o jovem desaparece no final de primeiro ato. Ele é o único personagem que esboça sentimentos e sua ausência se faz necessária para ressaltar...

Um alerta urgente e real (Pequena Grande Vida)

Paul e Audrey não almejam o novo estilo de vida que alguns amigos adotaram, porém, a questão financeira fala mais alto e ambos decidem aderir ao experimento que transforma seres humanos em miniaturas. Ter uma relação mais próxima com a esposa impulsiona o protagonista para o novo estilo de vida. Tudo muda quando Audrey desiste no último momento e somente Paul passa pela transformação. O experimento é irreversível e o protagonista não imagina o novo estilo de vida sem a esposa. Somente segue em frente o cotidiano sem motivações. A trama não avança pelo aspecto didático. É preciso que o público compreenda as motivações do experimento e os primeiros passos realizados. Infelizmente, a trama demora ao introduzir os demais personagens. O primeiro ato é longo e não provoca a imersão do espectador. O ritmo é constante e lento, mas aos poucos o público absorve o que o filme tem para oferecer: um roteiro repleto de indagações pertinentes. O roteiro aborda temáticas interessantes e...

Um marco para a sociedade (Pantera Negra)

São várias temáticas relevantes que fazem de Pantera Negra um dos melhores filmes de super-herói da Marvel. São temáticas que reverberam dentro e fora das telas. Imaginar que no ano passado muitas mulheres foram representadas no melhor filme da DC até o momento(do já finado universo compartilhado da DC), a Marvel tem um herói que possui tamanha força para igualar e superar o feito da heroína. Imaginar que em vários cinemas mulheres foram vestidas de Mulher-Maravilha na pré-estreia do filme solo de Gal Gadot foi um marco importante para a representatividade feminina. Nesta semana, os cinemas estão lotados de sessões voltadas para o primeiro herói negro com peso dentro do universo cinematográfico da Marvel. Muitos pequeninos observam um super-herói que os representa. Esse aspecto derruba barreiras como ressalta T'Challa em um dos momentos mais marcantes do filme. Logo após Guerra Civil , T'Challa retorna e encontra obstáculos para finalmente ser rei: ele precisa vencer ...

Entre o amor e a dependência (Trama Fantasma)

Paul Thomas Anderson, um dos diretores mais versáteis do cinema atual, nunca deixa o espectador indiferente diante da tela. É sempre um misto de inquietude e provocação. É um incômodo prazeroso de não ter a mínima ideia do que está por vir a cada novo filme. Em Trama Fantasma não seria diferente. A forma como o diretor conduz a história de "amor" nos distância e envolve ao mesmo tempo com igual intensidade. É um distanciamento necessário que exalta o temperamento do protagonista e a intensidade é sentida em todos os elementos narrativos.  O diretor explora a casa onde o protagonista trabalha e a forma quase que ditatorial com que Reynolds e Cyril fazem do ofício algo rígido e prazeroso. Existe uma compatibilidade entre a persona dos irmãos. A compreensão e comunicação está presente na frieza e no olhar. Poucos gestos e o mínimo de perturbação. Reynolds busca inspiração na rotina e no silêncio. Tudo muda quando Alma entra e transforma a vida do protagonista. Um mome...

Agora quem manda é você, Mrs. Grey! (50 Tons de Liberdade)

O que fazer quando o fio condutor da trama se esgota e o estúdio precisa finalizar a trilogia? Visando obviamente os lucros e tentando levar aos cinemas os leitores dos livros de E. L. James (II), a trama em si é o que menos importa, afinal de contas, os filmes anteriores já deixaram claro para o espectador mais exigente a mensagem: se deixe levar pela trilha sonora e as cenas mais quentes do casal. O projeto seguiu em frente e 50 Tons de Liberdade finalmente encerra a trilogia. O que realmente motiva o espectador para ver o final da trama do casal é uma aura inesperada, ou esperada, de comédia. O tom cômico é o que move as cenas, já que a trama é inexistente. É preciso ter em mente que a trilogia poderia ser facilmente resumida em um único filme. O projeto continuou e com ele a comédia também atingiu os envolvidos. Os atores estão mais soltos nos personagens e compreendem que o objetivo do filme é não ter objetivos. E assim, o elenco conduz os personagens de forma leve e dive...

Intensos seres humanos (Três Anúncios para um Crime)

Dentro de nós existe o bem e o mal duelando constantemente. Quando um episódio trágico acontece, as forças duelam ainda mais e inevitavelmente temos que optar: ou o ódio nos motiva, ou tentamos seguir em frente. Tentamos. Simplesmente tentamos viver com o peso de nossos atos e consequências de nossas escolhas. Mildred Hayes decide alugar três outdoors para denunciar o assassinato e estupro de sua filha adolescente. Com o ato surgem várias consequências que envolvem todos em torno da mãe que carrega uma imensa dor dentro de si.  No começo de Três Anúncios para um Crime a trilha sonora de Carter Burwell acompanha as ações de todos os personagens. Quando a protagonista decide colocar os anúncios, a trilha pulsante surge de forma motivadora. O mesmo acontece com a trilha suave nos momentos dramáticos dos três protagonistas. Como a dualidade persiste em todos os personagens, a fotografia oscila entre uma paleta de cores quente e fria. O policial Jason Dixon aparece com uma fort...

A grandeza estabelecida na empatia com o espectador (Lady Bird-A Hora de Voar)

Lady Bird - A Hora de Voar é um dos representantes do cinema independente no Oscar. Mesmo com todos os holofotes voltados para A Forma da Água , o pequenino filme de Greta Gerwig envolve por abordar temáticas universais. A trama pequenina torna-se grandiosa pelo poder e carisma dos personagens. A relação cheia de ternura e conflitos entre mãe e filha, a sensação de não se encaixar no cotidiano, de trocar confidências com a melhor amiga, de perder o fôlego quando encontra o professor de matemática.... a lista se estende, pois Greta consegue com pequenas pinceladas abordar no roteiro temáticas marcantes. A edição reflete constantemente o elo da protagonista com a figura materna e os demais arcos dos coadjuvantes. A tentativa de diálogo e aproximação que sempre acaba de forma abrupta permeia a trama. Entre os atos, várias cenas importantes para os personagens são editadas de forma repentina. Uma descoberta inesperada, a naturalidade ao falar de sexo com a melhor amiga, a rapidez ...