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Meu top five e a jornada pelo universo da sétima arte.

Assunto de um post anterior, quando abordei minha relação com o clássico filme de Steven Spielberg, a tal figura alienígena, que conseguia a proeza de fazer o coração mais duro chorar com a amizade de Eliot e E.T. Na ocasião, escrevi sobre minha iniciação precoce em torno do mundo cinematográfico. Pois bem, minha jornada pela sétima arte só aumentou depois desse primeiro contato e  muitos outros filmes foram vistos e revistos, sempre me proporcionando uma inquietação passageira ou mais intensa, ambas com seu devido propósito.     Além de E.T, outros filmes marcaram de alguma forma e auxiliaram nesta minha busca para sentir algo próximo da experiência que eu tive quando os vi pela primeira vez, apesar de saber que nunca será. Depois do meu contato um tanto quanto traumático e mágico com o clássico, me aventurei no cinema independente, sem me dar conta disso. O filme em questão era Kids, de Larry Park. Na época, com meus quatorze anos, não tive dúvidas, o que verd...

A quebra de estereótipos e um agreste em transformação (Boi Neon)

Uma mulher caminhoneira, um vaqueiro que sonha em ser estilista, uma mulher vendedora cosméticos e que trabalha como vigia noturno em uma fábrica. O novo filme do diretor Gabriel Mascaro, Boi Neon , nos mostra uma nova visão do agreste em desenvolvimento e a quebra de estereótipos.  Durante toda a trama, Iremar (Juliano Cazarré), não questiona o fato de trabalhar nas vaquejadas, não há tempo nem espaço para lamentações. Ele observa oportunidades: algumas partes de manequins jogados na lama, pedaços de tecido que encontra nos locais dos eventos por onde trabalha e uma revista voltada para o púbico masculino que serve de molde para seus desenhos. Já Galega (Maeve Jinkings), não deixa de explorar sua feminilidade somente por exercer uma profissão tipicamente masculina. Os conflitos vividos são os mesmos de várias mulheres brasileiras: ser mãe solteira e tentar com muito custo educar sua filha.  Outro destaque de Boi Neon é o contato direto com a natureza. A história...

E a violência que causa aquele sorriso desconcertante? (Os Oito Odiados)

John Ruth (Kurt Russell) leva consigo a prisioneira Daisy Domergue ( Jennifer Jason Leigh ) com o intuito de receber uma recompensa pela cabeça da mulher em questão . Mais adiante, a dupla encontra pelo caminho o caçador de recompensas Marquis Warren ( Samuel L. Jackson ) e o xerife Chris Mannix (Walton Goggins) e lhes proporciona um carona, até que o tempo muda drasticamente e eles procuram abrigo no Armazém da Minnie. Somente os quatro personagens, cada qual com seu sotaque específico já daria um enredo interessante afinal, a história em questão é dirigida por Quentin Tarantino que sabe muito bem desenvolver como poucos um interessante roteiro. No decorrer da trama os personagens mencionados encontram -se com os demais no Armazém, e assim, temos Os Oito Odiados do título do oitavo filme do diretor.  O começo do filme já possui uma tomada lenta e a famosa trilha sonora marcante de Tarantino. O diretor para envolver logo o espectador nas primeiras cenas apresenta os perso...

Os melhores filmes de 2015

O último dia do ano merece uma lista com o que passou de melhor nas telonas, ou o que foi direto para dvd.  Os melhores filmes de 2015  1- Mad Max : A Estrada da Fúria - É puro entretenimento, daqueles filmes que você precisa ver no cinema para captar tudo que ele representa para a sétima arte!!! 2- Phoenix - Um belo filme com atuações interessantes . A temática não era muito favorável, não aprecio filmes de guerra , mas esse toca fundo em outras dimensões da protagonista , com um final de deixar qualquer espectador encantado e surpreso. 3 - O Julgamento de Viviane Amsalem - "É fácil julgar quem grita.Quem sussurra veneno é inocente". Essa é só uma das pérolas de um intenso roteiro. Atuações sutis que se complementam apenas no olhar. 4 - Star Wars Episódio VII : O Despertar da Força - Em um ano repleto de remakes , não tem como segurar a emoção de rever personagens tão marcantes para o universo pop e cinematográfico. O filme possui seus equívocos, mas só de ...

A tentativa de estabelecer o equilíbrio da força (Star Wars - VIl)

Difícil manter a racionalidade e não ser tomada pela emoção ao escrever sobre o tão aguardado filme Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força. Logo nos primeiros momentos somos tomados pela sensação de estarmos imersos no universo da trilogia clássica. Esse aspecto não é de forma alguma algo que prejudique a trama, pois agrada aos fãs que já conheciam a saga e também ressalta características primordiais para a nova geração que começa a acompanhar toda a magia presente na força. Neste novo episódio, o piloto da resistência Poe é capturado pela Primeira Ordem liderada por Supremo Snoke, Kylo Ren e General Hux. Quem consegue escapar é BB-8 que carrega consigo uma valiosa informação, uma parte do mapa da localização de Luke Skywalker. O andróide encontra a jovem catadora de lixo Key e o stormtrooper Finn. Juntos, eles unem forças para combater a Primeira Ordem.        Temos vários acertos na escolha do elenco. Daisy Ridley e John Boyega estão excelen...

Um mediano remake que segue o padrão americano (Olhos da Justiça-2015)

Olhos da Justiça é um remake do vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, O Segredo dos Seus Olhos. A película argentina serviu como base para adaptação americana, mas não consegue captar o clima presente no filme anterior, apesar de ser um suspense mediano nos moldes e padrões de Hollywood.  Na trama, Ray (Chiwetel Ejiofor) e Jess ( Júlia Roberts ) são agentes do FBI e ao chegarem na cena de um crime, o policial encontra o corpo da filha de Jess em um latão de lixo. Após a descoberta, Ray e sua parceira começam uma busca incansável que dura treze longos anos para encontrar o assassino. A história tenta absorver o clima do filme Argentino, em alguns momentos consegue, quando Júlia e Chiwetel estão em cena , a química de ambos é intensa e o espectador só ganha com a atuação de atores competentes defendendo seus personagem. O ator apresenta Ray de forma impactante logo na primeira cena e ao longo do filme sua performance só cresce. Prematuro compará-lo ao veterano...

Sobre gerações, confidências e feijão. (O Sabor da Vida)

Não é de hoje que a sétima arte utiliza a culinária como pano de fundo para contar histórias dramáticas ou simplesmente nos fazer rir, em O Sabor da Vida, de Naomi Kawase, a temática é retratada da melhor maneira possível, com extrema leveza.  A trama gira em torno de dois personagens opostos: Sentaro, um homem envolto em silêncio e Tokue, uma senhora que reflete carisma e um toque delicado de ingenuidade. Ele trabalha em uma padaria, ela se oferece para ajudá-lo no preparo de um doce, mais conhecido como dorayakis. O segredo está no preparo do feijão vermelho que é feito como se fosse um verdadeiro ritual pela senhora. No decorrer da trama percebemos que a comida é somente o fio condutor de segredos que serão revelados aos poucos.  O grande trunfo da diretora é explorar ao máximo a relação de ambos, mas tudo em seu devido tempo. Não há pressa em contar uma história com temas profundos que facilmente poderia ser carregado na dramaticidade nas mãos de outro...