Pular para o conteúdo principal

Alcançar voos maiores (Guaxuma)


A diretora Nara Normande imprimi uma autoria marcante no Curta-Metragem de animação Guaxuma. A leveza do curta embala momentos reais e ficção pela belíssima animação e fotografias que exploram rituais de passagem presentes na amizade de Tayra e Nara. O curta é narrado por Nara com extrema leveza e sensibilidade. O espectador se envolve pela qualidade da animação e principalmente pelo laço forte de amizade entre a diretora e Tayra. 

O roteiro permeia todas as fases marcantes da infância e adolescência das amigas. Matar aula para ficar na praia, superar medos, angústias, trocar confidências, rituais de passagens, modificação do corpo feminino, descoberta da sexualidade, traumas marcantes, fumar um baseado ao entardecer e a distância pela mudança de cidade sem deixar de resgatar lembranças dos momentos praianos. O roteiro aborda com equilíbrio passagens dramáticas com pitadas leves de humor. Tudo embalado por uma trilha sonora tocante e suave. Nos momentos mais dramáticos, a trilha ganha acordes melancólicos. 

A qualidade da animação salta aos olhos do espectador em diversos momentos. As fotografias reforçam a real presente na animação. Guaxuma tem como pano de fundo o cotidiano da vida praiana em Pernambuco. Um dos momentos mais belos da animação é a homenagem que a diretora faz para a amiga com vários origamis voando no céu. A cena é um belo desfecho seguido de um nó na garganta do espectador. Ganhador de três candangos, Guaxuma pode alcançar voos maiores pelo mundo.



*Curta exibido na Mostra Competitiva do 51°Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
* Prêmios: Direção, Direção de Arte e Trilha Sonora

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Entretenimento focado em referências (Um Espião e Meio)

Logo no início de Um Espião e Meio as referências são evidentes ao retratar a adolescência dos protagonistas. Muito próxima da linguagem narrativa utilizada em Anjos da Lei com Jonah Hill e Channing Tatum, o universo escolar é abordado pelo contraste de características dos personagens. Dwayne Johnson vive o agente da CIA, Bob Stone que no passado sofria bullying por estar cima do peso, as cenas do protagonista na adolescência são próximas as da filha de Bela na Saga Crepúsculo. A montagem com o rosto do ator em um corpo diferente é , no mínimo, questionável. Kevin Hart vive Calvin Joyner, sempre conhecido como Foguete Dourado, o  mais popular na juventude . Após 20 anos, ambos se reencontram e fica evidente que um ajudará o outro a desvendar uma trama repleta de clichês.   O filme aposta na química da dupla, mesmo que esta não funcione a maior parte do tempo. Individualmente os atores possuem carisma suficiente para segurar os protagonistas, mas quando estão juntos a...

Spielberg faz a magia do cinema acontecer nas telas (West Side Story)

Se existe um diretor que sabe dançar conforme o mercado é Steven Spielberg. No começo da carreira o diretor compreendeu o que Holywood queria e lançou Tubarão. Claro que na época, Spielberg não imaginava que a sugestão do terror causaria tamanha expectativa no público. Conclusão: Tubarão foi um dos maiores sucessos de bilheteria americanos e consolidou o termo blockbuster nos cinemas. O mesmo diretor de sucessos comerciais também nos apresentou filmes emblemáticos como A Cor Púrpura e A Lista de Schindler, quando ganhou o primeiro Oscar na direção e melhor filme. Mas imaginar que o diretor fosse dirigir um musical seria um tanto quanto improvável. E não é que Spielberg  prova mais um vez que não é um dos maiores diretores da atualidade à toa, ele simplesmente proporcionou ao remake do clássico West Side Story, de 1961, a modernidade necessária e acima de tudo imprime assinatura. Spielberg está de volta com grandes chances de levar o Oscar.  O remake segue a mesma cartilha do o...

Muita Elisabeth para pouco roteiro (O Homem Invisível)

O Homem Invisível é um filme com temática voltada para o público feminino. A contextualização em que a trama é ambientada envolve o espectador por explorar o relacionamento abusivo que a protagonista sofre. Cecilia Kass é uma arquiteta que se vê ameaçada a largar tudo o que conquistou e a própria liberdade para viver com Adrian Griffin. Não sabemos muito sobre a vida do casal, pois a narrativa desde os primeiros momentos é voltada exclusivamente para o arco de Elisabeth Moss . No primeiro ato a tentativa quase frustrada da protagonista em abandonar o marido reflete a constante presença de Adrian mesmo que ele não esteja presente fisicamente, ele está vivo no tormento da protagonista. Aos poucos Cecilia consegue retomar a rotina de simplesmente pegar a correspondência fora de casa. A personagem vive temporariamente com James e Sydney até estar segura para o convívio social.  O roteiro modifica várias vertentes presentes no clássico de 1933, o que pode ser analisado pelo vié...