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Ao infinito e além (Os Incríveis 2)


Após fazer o espectador aguardar por mais de uma década pela sequência pode-se afirmar que a espera valeu a pena. Os Incríveis 2 é uma animação para toda a família. O que cativa os pais é que a trama de Brad Bird é caucada na realidade de qualquer casal normal. O enredo gira em torno do Sr. Incrível e a Mulher- Elástica. A dona de casa do primeiro filme, agora, não só assume o comando como super- heroína, como faz tudo sozinha. Um filme solo para a Senhora Incrível. Mas como a essência da animação sempre foi a família, mesmo com a protagonista no centro da trama é o quinteto fantástico que faz o espectador abraçar o filme. Não poderia ser diferente.

Na trama, Helena Pêra precisa salvar a cidade de uma ameaça invisível, o hipnotizador. Winston Deavor sempre nutriu uma simpatia pelos heróis e assim como o pai, quer que eles voltem a fazer o que mais gostam. Explorando a tecnologia, a Mulher-Elástica aceita participar de um reality show. Enquanto ela salva a população em perigo, uma câmera fica presa ao uniforme sempre transmitindo todas as decisões da protagonista. Helena passa boa parte do filme tentando descobrir quem é o vilão. Já o Sr. Incrível fica cada vez mais fatigado com o trabalho doméstico. Cuidar de três filhos sozinho, não é fácil. É uma missão tão difícil quando salvar a cidade.

O grande mérito do roteiro de Brad Bird é alternar com equilíbrio as missões dos protagonistas. Helena precisa tomar decisões sozinha e Roberto ficando cada vez mais exausto. Brad reforça a trama com os pés na realidade. Enfatizar que muitas mulheres precisam e querem sair de casa para sustentar a família é explorar a atualidade. Essa alternância de papeis faz com que os adultos se identifiquem imediatamente com a trama. E as crianças vão se encantar com o pequenino Zezé. O personagem que rouba o filme para si. Sapeca e inquieto, como qualquer bebê, ele conquista a todos com múltiplos poderes que surgem a cada cena.


A direção de Brad Bird é constante e não deixa o filme perder o ritmo. As cenas de ação são coordenadas de forma criativa e inteligente. Assim como no primeiro, Brad ressalta a união da equipe. Na sequência, os filhos possuem um papel fundamental para que a união da família seja o centro da trama. A cautela dos pais continua, mas com liberdade, os filhos podem explorar mais seus poderes. Alguns personagens retornam para um destaque especial. Edna sempre aparece para auxiliar a família e agora é responsavel por fabricar o uniforme de Zezé que está totalmente fora de controle. Gelado volta com mais presença e importância. Novos heróis surgem e são fundamentais para completar a missão. Tudo se encaixa no roteiro e direção para que o filme não perca o ritmo.

Valeu a pena aguardar tanto tempo pela sequência?  Valeu muito a pena esperar mais de uma década para conferir Os Incríveis 2. O diretor consegue equilibrar ação ao mesmo tempo que gera empatia no espectador. Tudo para evidenciar uma temática atual. Sem falar na trilha sonora de Michael Giacchino que proporciona ao filme o charme dos clássicos de espionagem, mas que consegue também enfatizar a agilidade nas cenas de ação embalando os heróis na tensão durante os atos. Os efeitos visuais também reforçam o envolvimento do espectador. Aguardar tanto tempo para conferir uma animação repleta de qualidades nos faz questionar: onde a Pixar pode chegar? Como diria Buzz Lightyear: "Ao infinito e além".

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