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A contemplação de um quarteto amadurecido pela vida (Transporting T2)



Seria realmente necessário revisitar um filme tão emblemático como Transportting? Na era dos remakes e continuações a pergunta que fica é: Por que não? A narrativa marcou de forma significativa um grupo de amigos que tinham como principal objetivo explorar todas as possibilidades possíveis embalados por uma câmera frenética, trilha pulsante e ágil edição. Vinte anos se passaram após Renton fugir com o dinheiro do quarteto. Ele retorna aparentemente com uma vida estável.

T2 Transportting insere o espectador em uma trama de contemplação. Todos os elementos significativos do filme de 96 estão representados de forma competente pelas mãos de Danny Boyle. A grande questão é tirar um pouco o pé do acelerador. Os personagens não são tão intensos como antigamente. Agora, o quarteto reflete sobre as consequências dos atos tomados no passado e tentam seguir a vida. A câmera ainda pulsa como antigamente, mas de tal forma que o público consiga sentir o peso das atitudes dos protagonistas. O compromisso de Boyle em estabelecer rimas visuais com o recurso de flashbacks nos remete a nostalgia de Transportting. A essência dos protagonistas permanece e somos cativados a cada cena. O trabalho de edição continua intenso e proporciona um ritmo diferenciado ao filme. A paleta de cores presente na fotografia auxilia como um elemento narrativo fundamental para a nostalgia. Cores saturadas logo fazem o espectador refletir: "Estou realmente imenso no universo de Transportting". 

O que torna T2 Transportting significativo é a importância do roteiro em explorar de forma interessante o arco dos personagens. Saber como está o quarteto após vinte anos e perceber que algumas questões podem ser modificadas com a maturidade da idade, mesmo que velhos hábitos ainda permaneçam. Dos quatro amigos, Spud avança consideravelmente na trama e toma o filme para si com a competência da interpretação de Ewen Bremner. O jeito todo particular do personagem eleva e transforma a narrativa. 

  



O que faz de T2 tão interessante é não ficar preso ao passado. Aqui, a narrativa é inovadora com toques de nostalgia. Não existe a preocupação em repetir a trama de 96, os personagens são marcantes o suficiente para que o espectador esteja inserido em todo o contexto vivido no primeiro filme. O que realmente importa é proporcionar uma roupagem atual e intensificar o avanço na narrativa. O filme estabelece um paralelo com o anterior, mas em momento algum almeja fazer uma cópia do antecessor. 

T2 Transportting se faz necessário por ser atual e não forçar uma situação que poderia fazer a trama ganhar um aspecto repetitivo. Com apenas algumas referências ao passado, o filme tem uma identidade nova com aspectos nostálgicos. A narrativa envolve o espectador ao explorar a contemplação de um quarteto amadurecido pelas consequências da vida.

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