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Sobre invisibilidade social e laços de afeto (A Senhora da Van)


Ultimamente, a sétima arte tem explorado bastante a temática voltada para a terceira idade. Alguns filmes trazem à tona questionamentos como: distanciamento familiar, doenças mentais e o amor. Essas questões estão bem retratadas no filme, A Senhora da Van. Os destinos de Miss Shepherd e Alan Benette se cruzam quando ela decide morar dentro de sua van na frente da casa do escritor. O primeiro contato dos protagonistas é de estranheza porque todos a evitam, em parte, pelo seu cheiro pouco agradável. Somente Alan concede idas e vindas esporádicas ao banheiro. Quando ambos percebem, ela já está morando na garagem dele e os laços ficam cada vez mais fortes durando longos quinze anos. 

O que faz deste filme diferente dos demais que abordam a temática ? A trama está longe de ser uma comédia, o que muitos podem pensar, o trunfo aqui é retratar com sinceridade e dureza as relações humanas. No decorrer do filme Alan faz de seu cotidiano inspiração para escrever sobre Miss Shepherd que partilha aos poucos alguns momentos tristes de sua vida. A relação fica cada vez mais intensa, onde o escritor troca sua mãe biológica, internada em uma clínica, pela adorável rabugenta senhora da van.

Muitos a evitam abordando assim o reflexo da nossa realidade onde a pobreza e a velhice atualmente são sinônimos de invisibilidade social. A senhora antes de fixar moradia na garagem de Alan estacionava seu veículo perto de várias casas da vizinhança, o que para muitos gerava desconforto e deixava explícito o preconceito, a presença dela incomodava e coube ao escritor intensificar os laços de afeto. O equívoco do filme é explorar pouco os coadjuvantes, claro, a trama é centrada em  Maggie Smith ,que consegue transmitir a doçura e tristeza com seu profundo olhar, mas não havia necessidade de mostrar vários personagens sem explorá-los devidamente, como no caso do policial aposentado , interpretado pelo ator veterano Jim Broadbent,  que poderia ter crescido ao longo de todo o filme.


O personagem de Alan é interessante pois o espectador conhece a senhora pelos olhos dele, assim a trama cresce a medida que o escritor se interessa pelo conflitos revelados pela senhora. O que até certo ponto reflete o dinamismo da trama também a torna enfadonha, a medida que o envolvimento do público já é estabelecido e o diretor insiste em conduzir a narrativa através de Alan. Já sabemos em determinados momentos que ele irá falar sobre aspectos envolvendo a senhora, como consequência a relação de ambos fica estremecida e previsível. Outro aspecto que prejudicou a história foi o seu desfecho em tom de fábula destoando de todo o contexto realista apresentado.

A Senhora da Van vale por levantar questionamentos envolvendo as necessidades dos laços entre os seres humanos. O isolamento pode ser consequência de várias circunstâncias que encontramos e enfrentamos ao longo da vida , mas o afeto que nos envolve é mais resistente do que o preconceito.


 

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