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Um novo olhar para a sétima arte (A Criada)



Um homem planeja dar o golpe perfeito com a ajuda de uma pobre mulher movida pela ambição. O enredo é extremamente previsível, mas o filme com a sinopse descrita possui dois aspectos fundamentais e que fazem toda a diferença no cinema atual: é sul - coreano e tem a direção de Chan-wook Park. A Criada chega aos cinemas com uma trama envolvente onde nada é o que aparenta ser.

No primeiro ato somos apresentados ao "conde" Fujiwara que possui o plano de levar a jovem Sookee para ser a criada de Hideko. No ambiente onde o plano é arquitetado, a câmera tremida é reflexo da confusão proposital gerada no espectador. Podendo ser analisada como uma alusão ao reflexo da índole dos personagens. Chan-wood modifica drasticamente a maneira de filmar quando o trio de protagonistas é transportado para a mansão da rica jovem aristocrata. Com o plano colocado em prática tudo precisa ser necessariamente arquitetado com precisão e a câmera estática com enquadramentos centralizados é mais uma vez reflexo do diálogo constante e domínio do diretor com a narrativa proposta. A relação das jovens ganha leveza quando saem da atmosfera pesada da casa. A fotografia com paleta de cores claras traduzem uma certa inocência e ingenuidade de Hideko. 


O roteiro prioriza no primeiro ato de A Criada o olhar de Sookee. Ela é o ponto principal e o elo entre o espectador e a trama. Como o enredo é repleto de reviravoltas que inserem cada vez mais o público no contexto apresentado, no segundo ato, a narração muda de enfoque e começamos a ver com mais profundidade o arco da personagem de Hideko. A mudança de narrador é de fundamental importância para compreendermos não só as motivações dos personagens, mas também para que os pontos fiquem cada vez mais claros e surpreendentes. Interessante como o diretor explora este olhar ligando pontos da trama e evidenciando o voyeurismo da personagem. Neste momento somos os olhos de Hideko que espiona Sookee. Aqui fica imprescindível o papel da direção de arte nos contornos da casa e nos pequenos objetos. Detalhes que fazem toda a diferença e conectam diversos pontos da trama. Outro aspecto fundamental do roteiro é mesclar as reviravoltas com diferentes gêneros. Logo no primeiro ato, o conde possui um ar irônico gerando no espectador momentos de risos desconcertantes. Hideko ressalta o aspecto de suspense e Sookee com seu aparente ar de inocente transmite o olhar romanceado de A Criada. 

O que faz do filme uma nova esperança de criatividade no cenário cinematográfico é a forma com que Chan-wood utiliza os momentos precisos para dar ritmo e proporcionar reviravoltas importantes para a trama. A maneira como o diretor brinca com o espectador é perspicaz. Os mínimos detalhes fazem toda a diferença para o contexto proposto. O espectador está diante de uma bela história de amor e que em nenhum momento visa o choque pelas cenas de sexo. O roteiro envolve os personagens de maneira tocante e sensível. Quando o espectador realmente acreditava estar confortável na poltrona, Chan-wood intensifica os arcos do trio de protagonistas revertendo tudo o que era proposto e elevando a cada cena a trama proposta. A Criada é um filme completo, que se encaixa em vários gêneros e prova que o cinema sul-coreano veio para quebrar paradigmas e proporcionar ao público um novo olhar para a sétima arte.

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